Farinha Cultural - julho/2006

Sucesso da Farinha Cultural

A primeira edição da Farinha Cultural foi um sucesso. No dia da abertura, os visitantes puderam participar da roda de capoeira com o Grupo Angoleiro Sim Sinhô e assistir a peça “Ilha dos Manezinhos”, da Companhia Teatral Ó-lhó-lhó tais tolo tu tais?, autoria e direção geral de Ari Nunes, da qual participam alunos do Projeto Teatro na Escola, da E. B. M. Luiz Cândido da Luz.
Regados ao delicioso quentão do Seu Simão, auxiliado por Renato, foram degustados beiju e pinhão feitos na hora por Normeci, Rosemare, Rosana, Rosa e Sônia. Quem esteve no Engenho do Ataíde ainda pode dançar aosom manezinho do Grupo Gente da Terra e reviver momentos saudosos através de cantigas com o duo de violão de seo Moacir e voz de Yolle de Luz.
Durante a programação semanal, participaram das vivências o grupo de hipertensos da terceira idade De bem com a vida, a Escola Expressão, a Escola de Muquém, a E.B.M. Maria Conceição Nunes, além do público em geral. Enfim, agradecemos a todos e convidamos para as novas edições da Farinha Cultural: neste mês, no Museu Cruz e Sousa, com a exposição Beijuras, e no próximo mês com a comemoração dos 175 Anos do nosso querido bairro, Rio Vermelho.
Somos todos responsáveis por manter e reforçar as suas qualidades, e melhorá-lo cada vez mais.

Exposição Beijuras

A abertura da exposição será dia 18/07 às 19h30min e a visitação, de 19/07 a 16/08 nos horários: terças a sextas das10h às 18h e sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h.

Um beijo para a Arte


Como legitimado por formas de pensar e fazer esta realidade mais digna de ser vivida, as novas formas de representação em arte não têm mais a pretensão de apenas apontar as diferenças. Foi necessário e é urgente que novas formas de convivência instalem processos subjetivos que desestabilizem o que impositivamente tem a pretensão de se instituir como verdade e poder. Neste sentido, novas proposições artísticas de estrutura relacional se tornam abertas a múltiplas táticas criativas cujo objetivo principal é o de provocar uma prática efetiva do público a se confrontar com a possibilidade de que a realização de micro-utopias instale aqui e agora mundos de vida pautados por espaços dialógicos contaminantes. Deste modo, novas formas relacionais de representação passam a estar pautadas pela colaboração. Com este marco reflexivo em pauta, o jogo representacional se altera irremediavelmente, estabelecendo novos rumos para processos criativos que passam a atuar e a representar condizentemente nossa época. Neste sentido, como indica José Luiz Brea (José Luiz Brea é teórico e professor da Universidad de Castilla La Mancha, Madrid) em seu ensaio “Ornamento e utopia”, o artista está frente a uma tomada de decisão. Ou opta pelo ornamental, colaborando com a cultura do espetáculo que transforma tudo o que toca em mercadoria ou fetiche conceitual destinado a um grupo enclausurado pela instituição arte, ou assume a função da arte como pólo utópico da vida. É neste campo tensionado da consciência sobre o que significa novas formas de representação artística para a arte atual, que Nicolas Bourriaud aponta novas táticas artísticas a serem realizadas nos interstícios daquelas relações intersubjetivas que o sistema não consegue cooptar. Considera Nicolas Bourriaud (Nicolas Bourriaud – crítico e teórico, é codiretor do Centro de Arte Contemporânea – Palais de Tokyo, Paris)


“A obra de arte contemporânea representa a utopia de uma intensificação das relações humanas, uma tentativa de criar relações humanas fora das formas relacionais institucionalizadas. O lugar da ação privilegiado pelo artista é, portanto, o interstício onde se desenvolvem vínculos que constituem possibilidades de intercâmbio diferentes com respeito ao que está em vigor no sistema”
 

E com esta complexa relação em mente que a proposta de Gabrielle, “Beijuras” está sendo construída. Suas táticas criativas evitam qualquer assomo de imagens idealizadas. Sua sensibilidade criativa flutua no tempo de vida e se instala num determinado contexto específico que não se repete. De uma certa forma podemos afirmar que as relações que costura na realidade, o conceito de tática, tal como formulado por De Certeau, se materializa como se fosse uma brincadeira, pois em cada situação um novo jogo representacional se materializa onde as regras da arte estão sempre em processo de mutação. Tática segundo De Certeau tem suas bases no principio do aproveitamento de uma oportunidade. Ou seja, depende da percepção do sujeito criativo, que ao se deparar com possibilidades de gerar uma nova experiência instala na realidade outras formas de vivê-la. Assim, nos processos criativos de Gabrielle, que emergem deste procedimento existe a materialização de outras regras para o jogo representacional expandir seus limites que “Beijuras” em sua forma relacional está questionando.

Como vivenciado pela arte contemporânea, os processos criativos são materializações verdadeiras, reais, de projeções imaginárias dos artistas. O artista gera uma falta (falta aqui é entendida como uma articulação entre o registro do Real, do Imaginário e do Simbólico) que somente por meio do processo criativo é possível de ser materializada. Sua força motriz é o desejo de voltar a um princípio de prazer, irremediavelmente perdido. É a tentativa de tocar o Real (O Real segundo Lacan é irrepresentável. Somente podemos extrair do Real uma imagem. Representação via articulação do registro do Simbólico com o Imaginário.) que instala no seio da Arte atual uma lógica operativa interna de atuação que define táticas criativas condizentes com a lógica representacional de nossa época. Ou seja, a Arte por princípio inerente a sua existência gesta suas formas de atuar. A arte é uma das possibilidades para re-semantizar o mundo, como definiu Duchamp, a própria existência, como demostrou Beuys por meio de seu conceito de escultura social, ou de provocar zonas autônomas temporárias dialógicas no seio de um micro-contexto, como propõe Gabrielle. É um processo no qual os participantes têm a condição de se verem auto-representados por meio de táticas que efetivamente criam modos de fazer este mundo mais colaborativo.

Kinceler

Florianópolis, depois que as tainhas assaram de julho de 2006.
 

Farinha Cultural - 175 Anos do Riovê!!

Será no sábado, dia 19 de agosto, o evento que vai marcar o transcurso dos 175 Anos de fundação do Distrito de São João do Rio Vermelho, cuja data oficial é 11 de agosto. Na próxima edição você vai saber mais.


Fone:
3226-8398
email: gabriellealt@gmail.com

 

Farinha Cultural - Edições anteriores
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junho/2006
Uma conquista para todos nós
 
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maio/2006
Vem aí farinhadas culturais no Rio Vermelho
 
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abril/2006
Um belo efeito...colateral
 
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março/2006
Uauu! Você, na obra de uma artista local!