Setembro/2011

Artigo

O começo do fim do aquecimento global

Guy Sorman*

 

As vigarices de Al Gore foram longe demais

 

Al Gore e os aquecimentistas foram longe demais: abusos de profecias catastróficas, os ursos que desapareceriam (tese falsa), os oceanos que nos submergiriam (eles subiram um pouco, depois de mil anos) e algumas evidentes manipulações científicas foram feitas para ludibriar a opinião pública.

Nos Estados Unidos, 77% dos americanos “tinham fé” em 2007 no aquecimento provocado pelo homem: esse número caiu para 44%. Certamente, a ciência não é determinada por suposições, mas os especialistas interessados no assunto não param de misturar abordagens rigorosas, modelos teóricos e milenarismos.

Se o aquecimento existe, ele é, sem dúvida, lento, pouco causado pelo homem e não o suficiente para influenciar nas políticas. A crise econômica também contribui para esvaziar esse pânico distante e substituí-lo por um medo mais imediato, como o desemprego.

O ecologismo é um luxo para os ricos. É notável que, no Japão, mesmo com Hiroshima em 1945 e Fukushima em 2011, os ecologistas são inaudíveis (eles não são tão vistos quanto na mídia ocidental); pois os japoneses têm mais medo da pobreza que da energia nuclear.

* Considerado um dos mais influentes intelectuais contemporâneos, o francês Sorman é filósofo, economista, jornalista e escritor. Cientista político seguidor da tradição de Alexis de Tocqueville, é autor de várias obras onde defende os ideais da criatividade, do liberalismo clássico e do capitalismo moderno. Artigo escrito em Tóquio e publicado originalmente no site do autor, de onde foi transcrito por www.midiaamais.com.br, com tradução de Maria Júlia Ferraz.