Al Gore
e os aquecimentistas foram longe demais: abusos de
profecias catastróficas, os ursos que desapareceriam
(tese falsa), os oceanos que nos submergiriam (eles
subiram um pouco, depois de mil anos) e algumas
evidentes manipulações científicas foram feitas para
ludibriar a opinião pública.
Nos
Estados Unidos, 77% dos americanos “tinham fé” em
2007 no aquecimento provocado pelo homem: esse
número caiu para 44%. Certamente, a ciência não é
determinada por suposições, mas os especialistas
interessados no assunto não param de misturar
abordagens rigorosas, modelos teóricos e
milenarismos.
Se o
aquecimento existe, ele é, sem dúvida, lento, pouco
causado pelo homem e não o suficiente para
influenciar nas políticas. A crise econômica também
contribui para esvaziar esse pânico distante e
substituí-lo por um medo mais imediato, como o
desemprego.
O
ecologismo é um luxo para os ricos. É notável que,
no Japão, mesmo com Hiroshima em 1945 e Fukushima em
2011, os ecologistas são inaudíveis (eles não são
tão vistos quanto na mídia ocidental); pois os
japoneses têm mais medo da pobreza que da energia
nuclear.
* Considerado um dos mais influentes intelectuais
contemporâneos, o francês Sorman é filósofo,
economista, jornalista e escritor. Cientista
político seguidor da tradição de Alexis de
Tocqueville, é autor de várias obras onde defende os
ideais da criatividade, do liberalismo clássico e do
capitalismo moderno. Artigo escrito em Tóquio e
publicado originalmente no site do autor, de onde
foi transcrito por www.midiaamais.com.br, com
tradução de Maria Júlia Ferraz.