Cacá Menéia

Outubro/2009
 

E as água vão faltar!

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio, com muita difilcudade de entender as côsa nesse mundo de Meu Deus!

Só agora é que começo a saber um pudê de côsa magi sobre a Operação Moerda Vredi. Por inzemplo: porque é que a encelhentícima apercuradora dotôra Naluz, do Mistério Púlbico Federáli, vira e mexe bota a Poliça PF pestista a prindê os menino da Fátima do governadôri Luiz Eu Rico pemedebista, mais uns empreendedor bandido desses que tem aos monte por aí, de todos partido e de nenhum deles ao mesmo tempo. Mofas cá pomba na balaia!

Osvi dizer que é por causo de que ela arrecomenda, arrecomenda, arrecomenda... e os malino só desobedece. Eles desacatam a encelhentícima apercuradora e ficam teimando em cumprir as lei que tão tudo errada.

Aqui no Rio Vremeio ainda vai dar côsa! A Operação Moerda Vredi foi porque a encelhentícima apercuradora se cansou-se de arrecomendar pros menino da Fátima não dar mais licença pros empreendedor com empresa empreender empreendimento de luxo pros ricaço aqui na nossa periferia da Ilha. Ora essa! Vai ver, a encelhentícima arrecomenda isso porque arreceia que no futuro as água vão faltar no amado aqüífro pra’bastecer as residença das servidão clandestina empreendida pelos empresáro loteador sem empresa.

A concorrença dos empreendedor com empresa contra os empresáro loteador sem empresa é desleal. E uma grande injustiça social, que não paga a pena, ô. Porque em cada terrenão empreendido pelos empreendedor com empresa, por inzemplo, cabe uns 10 lotezinho daqueles da servidão Beira Rio, naonde dijaôje os bico dos carros nas garage ficam na calçada. E naonde tem um palacete daqueles de ricaço, cabe umas 20 meia-água, tipo assim, alquitetura Travessão, com laje pra çurrasco e tudo, dás um banho!

Ô, mô quirido: no mô fraco modi pensar, ali naonde tem o Residencial Rediparke, por inzemplo, cabia cinco Faixa de Gaza inteirinha. Faixa de Gaza, gente! Aquele lotamento naonde nem a poliça entra dinoite (nem didia), que fica entre a sevridão Dazorquídia e o condominho Rio Vremeio, naonde mora o rapagi aquele - não tem? - que era da Ufeco.

E o campo de golfe do seu Marcão dos Mato, ô mô pombo? Nazágua dos laguinho dá pra fazer umas quantas criação de lambari pr’alimentar todas comunidade carente na volta. E ainda dá pra separar um lago só pra muierada lavar louça, enxaguar roupa de montão e dar o banho semanáli nas cria! Pensando bem... naqueles pasto tãaaao vredinho cabem uns 30 campo de várzea pra distrair o macharedo no seguro desemprego, enquanto as muié tão nas faxina nos palacete em Jurerê Internacionáli e os menino maiorizinho limpam jardim lá no Cacupé: é que na periferia do Rio Vremeio é arrecomendado não ter ricaço. Porque eles consumem água dimaji da conta... Ô, ô! Vinhas tão bem, ô mô quirido!

Dijaôji, por causo do aquecimento globáli, o ciclo das água também se amodernoizou. As gelera aderretida vão transbordar o mári e as praia vão inundar a Ilha. Mas as água vão escorrer pro aquífro e se escafeder-se no centro da terra pra nunca máji, tás tolo? E as nuve de evaporação vão subir, subir, subir pro céu, que nem o padre dos balão. Só que o cadávre dele até choveu de volta. Mas as nuve com as nossas água? Essas vão se avoar-se céu afora e nunca máji vão voltar!

E as água vão faltar no Norte da Ilha, arreparassi?

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
Para ler as crônicas dos meses anteriores: CLIQUE AQUI

cacameneia@yahoo.com.br