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O Sr. Paulo
Skaf, pelos caprichos do destino, da vaidade e da atual
pobreza de quadros nos meios industriais paulistas, com
vocação para herdeiros de Roberto Simonsen, chegou à
presidência da FIESP. E agora acaba de demonstrar uma
adesão inquestionável a esta América Latina que vivemos,
a este Brasil do oportunismo, da omissão, do
carreirismo. Assinou a ficha do Partido Socialista
Brasileiro, que abriga homens públicos da melhor
qualidade, mas que é socialista. A FIESP deveria ser (ou
é, apesar de Skaf) a casa do capitalismo, do
desenvolvimento, do empreendedorismo, do respeito à
livre empresa, ao papel político e social do empresário.
Ao assumir, o
sr. Skaf já mostrou seu distanciamento daquilo que
sempre foi, e ainda é em muitas entidades, graças a
Deus, o sentido de missão da função. Esta, é bom
lembrar, é de idealismo e de prestação de serviços à
causa da presença empresarial no processo de afirmação
econômica de nosso país. Colocou logo como seu vice, o
sr. Benjamin Steinbruch, herdeiro do grupo criado por
seu pai, tios e sócios. E tem o gosto especial de
crescer com base no crédito oficial, a trocar ações com
sócios com os quais se desentendeu com recursos de
bancos oficiais que deveriam ser destinados ao
financiamento da produção, como no célebre (e
escandaloso) caso CSN x Vale. Aquela montanha de
dinheiro, generosamente colocada pelo governo anterior
para resolver a pendência entre empresários, não serviu
nem ao desenvolvimento nem ao social. Além disso, o sr.
Steinbruch costuma confundir camaradagem de tempos de
mocidade com compromisso público e tem como o político
mais próximo de si, e das doações de sua empresa, um
senador de esquerda, que costuma ameaçar atitudes de
independência com duração de 24 horas.
A política
paulista sempre deu espaço a empresários, que se
destacaram na coerência e no esforço de evitar que o
Brasil tivesse uma economia mais fechada, mais dirigida
e mais onerada sob o ponto de vista fiscal e
burocrático. Além do referido Roberto Simonsen, Herbert
Levy, Horacio Lafer, Brasílio Machado Neto, Auro Moura
Andrade, Pereira Lopes, Cunha Bueno, Olavo Fontoura,
Paulo Abreu, os ex-presidentes da Associação Comercial
Paulo Maluf e Guilherme Afif Domingos e o assessor da
entidade Delfim Netto estiveram no Congresso defendendo
o capitalismo; não o socialismo. Outros prestaram
serviços aceitando funções públicas, como Olavo Setúbal.
Agora, a
vaidade, a ambição e o deslumbramento levam esse
dirigente empresarial e, infelizmente, outros em estados
diversos, a correrem para legendas alheias ao interesse
empresarial, por mais respeitáveis que sejam. Mas são
partidos com programas que devem ser conhecidos e lidos.
O Socialista o é já no nome; o PPS tem orgulho de
suceder o Partido Comunista Brasileiro e recebe
empresários que, no passado, eram conhecidos por
“inocentes úteis”; o PV prega restrições de toda ordem
ao empreendedorismo, em nome do meio ambiente. Tudo
seria normal, concebível dentro do pluralismo, se a
credencial desses senhores não fosse exclusivamente o
fato de serem dirigentes de entidades patronais ou donos
de empresas de grande porte e conhecidas.
É fácil de
imaginar o clima de perplexidade entre os industriais ao
verem o seu representante máximo se comprometendo a
defender um programa de socialização dos meios de
produção. E, com isso, a tolerância com as greves, a
defesa do estado-empresário e outros conceitos, que
embora válidos no processo democrático, não atendem
evidentemente aos interesses nacionais como entendidos
pelos empresários. Um homem do agronegócio não é um
predador por vocação, mas pode desmatar para plantar,
para criar, para produzir, gerar empregos, riquezas,
divisas e contribuir para os cofres da Nação. No
entanto, se depender dos partidos de esquerda, os
impostos seriam maiores, a legislação trabalhista mais
liberal, a burocracia mais enlouquecedora e o Brasil
mais atrasado.
Certamente o
sr. Skaf, que é candidato a um cargo eletivo no próximo
ano, não deve contar nem com os votos nem com as doações
de campanha dos seus companheiros de FIESP. Terá de
buscar novos eleitores e gastar de seu bolso. Empresário
só doa para esquerda quando esta está no Poder, por
pressão de contratante de bens ou serviços que vende ao
Estado.
O grande
serviço que presta o sr. Skaf aos industriais paulistas
é que, depois dessa opção, dessa aliança, certamente a
escolha de seu sucessor será rigorosa. Afinal, o
empresariado vive um momento delicado, sob ameaças de
propostas esquerdizantes, quando não da pressão física
dos que estão organizados para a ocupação de instalações
produtivas ou para impedir investimentos na
infra-estrutura. Que Roberto Simonsen, lá de cima, nos
proteja!!!!!!!
Fonte: Diário do Comércio
da Associação Comercial SP
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