Artigo

 

Carreira mal iniciada

 

Aristoteles Drummond
Vice-presidente da Associação Comercial/RJ

 

A vaidade, a ambição e o deslumbramento levam esse dirigente empresarial e, infelizmente, outros em estados diversos, a correrem para legendas alheias ao interesse empresarial, por mais respeitáveis que sejam. É fácil de imaginar o clima de perplexidade entre os industriais ao verem o seu representante máximo se comprometendo a defender um programa de socialização dos meios de produção.

 

 

 

O Sr. Paulo Skaf, pelos caprichos do destino, da vaidade e da atual pobreza de quadros nos meios industriais paulistas, com vocação para herdeiros de Roberto Simonsen, chegou à presidência da FIESP. E agora acaba de demonstrar uma adesão inquestionável a esta América Latina que vivemos, a este Brasil do oportunismo, da omissão, do carreirismo. Assinou a ficha do Partido Socialista Brasileiro, que abriga homens públicos da melhor qualidade, mas que é socialista. A FIESP deveria ser (ou é, apesar de Skaf) a casa do capitalismo, do desenvolvimento, do empreendedorismo, do respeito à livre empresa, ao papel político e social do empresário.

Ao assumir, o sr. Skaf já mostrou seu distanciamento daquilo que sempre foi, e ainda é em muitas entidades, graças a Deus, o sentido de missão da função. Esta, é bom lembrar, é de idealismo e de prestação de serviços à causa da presença empresarial no processo de afirmação econômica de nosso país. Colocou logo como seu vice, o sr. Benjamin Steinbruch, herdeiro do grupo criado por seu pai, tios e sócios. E tem o gosto especial de crescer com base no crédito oficial, a trocar ações com sócios com os quais se desentendeu com recursos de bancos oficiais que deveriam ser destinados ao financiamento da produção, como no célebre (e escandaloso) caso CSN x Vale. Aquela montanha de dinheiro, generosamente colocada pelo governo anterior para resolver a pendência entre empresários, não serviu nem ao desenvolvimento nem ao social. Além disso, o sr. Steinbruch costuma confundir camaradagem de tempos de mocidade com compromisso público e tem como o político mais próximo de si, e das doações de sua empresa, um senador de esquerda, que costuma ameaçar atitudes de independência com duração de 24 horas.

A política paulista sempre deu espaço a empresários, que se destacaram na coerência e no esforço de evitar que o Brasil tivesse uma economia mais fechada, mais dirigida e mais onerada sob o ponto de vista fiscal e burocrático. Além do referido Roberto Simonsen, Herbert Levy, Horacio Lafer, Brasílio Machado Neto, Auro Moura Andrade, Pereira Lopes, Cunha Bueno, Olavo Fontoura, Paulo Abreu, os ex-presidentes da Associação Comercial Paulo Maluf e Guilherme Afif Domingos e o assessor da entidade Delfim Netto estiveram no Congresso defendendo o capitalismo; não o socialismo. Outros prestaram serviços aceitando funções públicas, como Olavo Setúbal.

Agora, a vaidade, a ambição e o deslumbramento levam esse dirigente empresarial e, infelizmente, outros em estados diversos, a correrem para legendas alheias ao interesse empresarial, por mais respeitáveis que sejam. Mas são partidos com programas que devem ser conhecidos e lidos. O Socialista o é já no nome; o PPS tem orgulho de suceder o Partido Comunista Brasileiro e recebe empresários que, no passado, eram conhecidos por “inocentes úteis”; o PV prega restrições de toda ordem ao empreendedorismo, em nome do meio ambiente. Tudo seria normal, concebível dentro do pluralismo, se a credencial desses senhores não fosse exclusivamente o fato de serem dirigentes de entidades patronais ou donos de empresas de grande porte e conhecidas.

É fácil de imaginar o clima de perplexidade entre os industriais ao verem o seu representante máximo se comprometendo a defender um programa de socialização dos meios de produção. E, com isso, a tolerância com as greves, a defesa do estado-empresário e outros conceitos, que embora válidos no processo democrático, não atendem evidentemente aos interesses nacionais como entendidos pelos empresários. Um homem do agronegócio não é um predador por vocação, mas pode desmatar para plantar, para criar, para produzir, gerar empregos, riquezas, divisas e contribuir para os cofres da Nação. No entanto, se depender dos partidos de esquerda, os impostos seriam maiores, a legislação trabalhista mais liberal, a burocracia mais enlouquecedora e o Brasil mais atrasado.

Certamente o sr. Skaf, que é candidato a um cargo eletivo no próximo ano, não deve contar nem com os votos nem com as doações de campanha dos seus companheiros de FIESP. Terá de buscar novos eleitores e gastar de seu bolso. Empresário só doa para esquerda quando esta está no Poder, por pressão de contratante de bens ou serviços que vende ao Estado.

O grande serviço que presta o sr. Skaf aos industriais paulistas é que, depois dessa opção, dessa aliança, certamente a escolha de seu sucessor será rigorosa. Afinal, o empresariado vive um momento delicado, sob ameaças de propostas esquerdizantes, quando não da pressão física dos que estão organizados para a ocupação de instalações produtivas ou para impedir investimentos na infra-estrutura. Que Roberto Simonsen, lá de cima, nos proteja!!!!!!!

Fonte: Diário do Comércio
da Associação Comercial SP
www.dcomercio.com.br/