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É muito dura a vida de
quem pretende iniciar ou ampliar um negócio no
Brasil. Qualquer um que pretenda erguer um simples
condomínio de apartamentos, explorar uma mina em
propriedade privada, construir uma pequena usina
hidrelétrica ou uma nova fábrica terá que encarar,
além da intrincada legislação ambiental, as
onipotentes e intransigentes agências reguladoras,
com autoridade suficiente para embargar quaisquer
novos projetos considerados “nocivos ao meio
ambiente”.
Neste
país, qualquer novo investimento, mesmo os públicos,
deve percorrer um labirinto sem fim de controles e
processos, além de contar com a má vontade dos
barnabés e a oposição de grupos ativistas raivosos e
barulhentos. Cada passo nesse labirinto envolve
custos absurdos de tempo e dinheiro, sem qualquer
garantia de que o projeto seguirá adiante.
São
inúmeros os empreendimentos embargados ultimamente,
pelas autoridades ambientais, em nome da preservação
do habitat de espécies “ameaçadas” de peixes,
pererecas, corujas, ratos, borboletas, preguiças e
sabe-se lá mais o quê.
Em face
desta barafunda regulatória e do ativismo verde, é
um milagre que investimentos produtivos ainda
aconteçam neste país. O mais notável e paradoxal,
entretanto, é que a maioria dos brasileiros, que
supostamente deseja o progresso do país, aceita e
até mesmo aplaude este estado de coisas. A seita
ambientalista nunca foi tão popular como agora.
O
movimento verde nasceu da justíssima indignação de
alguns com a poluição do ar, dos rios e dos mares,
além da preocupação com os riscos para a saúde
humana provenientes da atividade industrial. Com o
tempo, entretanto, o movimento foi sendo dominado e
transformado por ideólogos esquerdistas, preocupados
não com a poluição ambiental ou com a nossa saúde,
mas com o desmantelamento do capitalismo.
Hoje em
dia, as bandeiras "verdes" vão desde a rejeição aos
combustíveis fósseis até a construção de usinas
hidrelétricas e termonucleares, que ao todo
significam 98% da produção de energia do mundo. Até
mesmo os aparelhos de ar condicionado, geladeiras e
outros eletrodomésticos estão na lista negra desta
gente. Alguns mais radicais, sem maiores
considerações pelo conforto humano, consideram
antiecológica a utilização de qualquer equipamento
industrial minimamente poluente ou prejudicial ao
famigerado aquecimento global.
Em
resumo, a essência dessa ideologia está na crença de
que a humanidade deve minimizar o seu impacto sobre
a natureza, custe o que custar. Vide a gritaria
contra a aprovação recente do novo Código Florestal,
um código extremamente preservacionista e restritivo
à atividade econômica, sem similar no mundo, mas
que, mesmo assim, conseguiu desagradar os xiitas.
O
problema que os adeptos desse radicalismo se recusam
a enxergar é que nós, seres humanos, só sobrevivemos
através da transformação da natureza, sem o quê não
satisfazemos as nossas necessidades mínimas.
Nosso
bem estar está diretamente ligado à nossa capacidade
de geração de riquezas, a fim de tornar o ambiente a
nossa volta menos agressivo e mais hospitaleiro. Ao
criarmos e utilizarmos riquezas como casas,
estradas, usinas de energia, indústrias, alimentos,
automóveis, aviões, móveis, utensílios,
eletrodomésticos, etc., de alguma maneira nós
estaremos impactando a natureza.
A razão
fundamental de nosso alto padrão de vida
(notadamente quando comparado com os dos nossos
ancestrais) está na industrialização. Graças a ela,
nós hoje somos centenas de vezes mais produtivos do
que há 200 anos. Já imaginaram como nós estaríamos
vivendo, caso os nossos antepassados fossem reféns
de seitas ambientalistas como as de hoje?
Definitivamente, o progresso, vale dizer, o abandono
do nosso estado de pobreza natural, requer que
modifiquemos a natureza tanto quanto seja necessário
para torná-la menos agressiva e, acima de tudo,
favorável à nossa sobrevivência. Graças a Deus, as
gerações que nos precederam visaram o progresso, não
o preservacionismo. Elas tiveram orgulho de
construir fábricas, abrir estradas, perfurar poços,
escavar a terra a procura de novos recursos.
O
desenvolvimento industrial e científico são
verdadeiras dádivas da modernidade, que nos derem as
ferramentas e a tecnologia necessárias para tornar o
nosso habitat mais saudável e acolhedor. Pensem por
um minuto no que seria de nós sem os modernos
sistemas de esgotamento sanitário, a água encanada,
as construções mais seguras, resistentes e
protegidas das intempéries naturais, a comida fresca
e farta e os meios de transporte rápidos e
eficientes.
É
verdade que tudo isso resultou em alguma poluição do
ar, do mar e dos rios. No entanto, mesmo esses
indesejáveis efeitos negativos têm sido superadas
com bastante êxito pelas nações capitalistas mais
avançadas.
Por
incrível que pareça, os mais prejudicados pelo
fanatismo das seitas ambientalistas são os mais
pobres, privados da única chance de poderem um dia
usufruir do padrão de vida dos países
industrializados.
Ao contrário do que dizem os pregadores do
apocalipse, precisamos abraçar, de forma inequívoca,
o desenvolvimento econômico, vale dizer: a
transformação da natureza em grande escala, a
utilização sem remorsos de energias eficientes e
baratas, a produção de bens e serviços com maior
produtividade e menor esforço. Só assim viveremos
mais e melhor.
João
Luiz Mauad é empresário
Transcrito do Diário do Comércioda Assoc. Comercial
de SP
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