Outubro / 2010

 

O bloco dos RUIM da Lagoa - Parte I

 

cacameneia@yahoo.com.br

 

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Eu sou bem tola, mas não é de berço, vissem? Nem de nascença de pai e mãe. Esperto são os dimenor criado desde criancinha nas creche municipal, ói, ói, ói...

Uma côsa é uma côsa! Ôtra côsa é ôtra côsa bem deferente... uma que não me entra na minha tolice nem na base da foice e do martelo, é o carnaváli 2011 do bloco dos RUIM, lá da Lagoa da Conceição. É, seus tanso! O bloco dos RUIM, sim: os Revolucionáro Unido da Ilha da Magia. Nozapotreja minha Nossa Senhora! No próximo carnaváli os RUIM vão homenajar o herói da humanidade deles, não tem? O malino Fidélis Casto, o ditadôri aquele, charuteiro canceroso das tripa grossa, comandante dos porão e dos paredão... de fuzilamento dozôtro, tás tolo! Viiiirsch santa! Osvi dizer que a homenaje não foi por falta de assunto dos RUIM pro sanbemrredo, não. Faltou foi vergonha na cara memo! Atusica as bucica neles...

Já tava fechando o comérço capitalista e recolhendo as mesas nos café da burguesia do Centrinho da Mãe Conça... e nada de ficar adecidido uma moção retirada da plenária da Assembléia Participativa dos Conselho Partidário dos Comitê Carnavalesco das Massa Proletária dos RUIM - tema de fundo: “A construção de um sanbemrredo de arrombar o sanbródomo de Floripa: Como homenajar publicamente um grande assassino, ditador dazesquerda, fazendo de conta que ditadura desquerda não existe (só da direita reacionária e conservadora dos maldito capitalista selvagem vendidos pro imperialismo do jorgibuchi).”

A proposta do mandrião Nildo Ufsc O. Rico, era de homenajar o socialismo moderno, dizaôje, do bolivariano Hugo Chaves (o cão comendo manga nos iate da ilha das Malgarida). A outra proposta, osvi dizer que foi sugestão do própro secratáro dos turista, o seu Antero Goma: homenajar o comunismo dasantiga do Fidélis Casto, o tiranossaurus rex do marxismo. Aquele, que foi embalsamado em coca-cola, fardado de abrigo e tênis Adidas, na cobertura de frente pro mári dum resort de luxo com marina em Valadero - o Jurerê Internacionáli deles. Em Cuba, resort de luxo e marina pode, porque os ecoxiita são fuzilado máli, máli abrem a boca pr’aprotestar. Arrombassi!

No mô fraco modi pensar, ganhou o intanguido do Fidélis só porque é um (pré) histórico, de antes da queda do muro de Berlim, e foi compañero do seu Antero Goma, um ex dos quadros do partidão daquela épa: hojendia luta de classe é só uma côsa fora de moda, adipôji que foi substituída pela luta pra redução das desigualdades social ói, ói, ói... sem conichões.

Então, então, mô cravos... o negoço é botar a indiarada botocuda a bater tambor. Ô, ô, vinhas tão bem, ô... ficava bem bonito se adaptasserm o hino da Internacionáli Socialista. Mas não em ritmo de marselhesa, mô cravos: no répi dos quirido, naonde os mano das comunidade carente é que ia ser os puxador. A comissão de frente podia ser dois balé de toca ninja e fuzil AR 15 nozombro, co’s punho erguido do ar, gritando “Tudo pelo social!”, regidos por um padre à paisana, seguido pelos gurizinho fardado pro futebóli. Logo atrás, mô pombos, podia ir uma gorda fantasiada de Merecedes Soza balanceando os bofe debaixo da túnica indiana cheia de lantejoula, batendo bumbo: tum tum praticundum tunturundum... “Gracias a la vida!!!” O sambródomo ia estremecee com um sózia do Lula fantasiado de sindicalista, abraçado num Chico Buarque, gritando no nicrofone: “Vambora no refrão gente!” E começava a festa dos RUIM:

“Bem unidos façamo,
nesta luta final,
uma terra sem amo:
A Internacional!”

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói...

 
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