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Esta história que acompanhamos, da instalação de um mega
empreendimento aqui pelas nossas bandas, já está rolando
há um tempão.
No início falavam em um investimento de 45 milhões. Logo
em seguida a informação foi desmentida alertando para o
fato de que o número correto seria de 13 milhões, mas
vazou para a imprensa o 45 por influência das aves de
alta plumagem, que do alto das suas samambaias não
mexeram um bico para mudar o panorama e manter por aqui
a possibilidade de mais emprego, renda e desenvolvimento
para um Estado que “já teve” algumas coisas e que as
acabou perdendo por incompetências políticas
hereditárias.
Outra informação que foi prontamente desmentida foi o
tempo previsto para o início das obras. A princípio, era
para ser de 45 meses, mas tudo isto foi antes das
autoridades se manifestarem garantindo que em 13 meses o
assunto estaria resolvido.
Como a área de instalação é muito próxima a uma reserva
indígena, a FUNDAI - Fundação de Dementes para o Atraso
dos Índios, se mobilizou para ser incluída no processo
de decisão, alegando a ancestrabilidade do sub-solo,
mobilização esta prontamente acolhida pelas ONGs -
Organizações Nebulosamente Gananciosas, comandadas por
um canadense que é procurado pela Justiça em oito paises
por atos de sabotagem naval e pirataria.
Quando as famílias locais, confinadas na galeria da
baixa renda e da falta de empregos achavam que o impasse
jurisdicional estava resolvido e que eles em breve iriam
ter um empreguinho melhor com mais dinheirinho no bolso,
deu-se início a uma discussão quanto aos impactos
ambientais a serem mitigados pela instalação do
empreendimento.
Só esta discussão que os técnicos deram o nome de
“Eiamurrinha” durou uma eternidade, uma vez que ninguém
conseguia se entender quanto ao tal conflito de
competências: Os “Ecocarimbadores” diziam que a
competência era de uma tal de FUDEMO, enquanto os
“Ecopolíticos” diziam que quem deveria ter a palavra
final era uma mulher de nome “Fátima”, declaração que
foi visceralmente repudiada pelas “Eco-autoridades”
supremas que gritaram: “Ih, bamo” parar com esta
discussão pois quem decide “ é nóis”, afinal de contas,
nunca na história deste país “nóis mandemo” tanto quanto
estamos mandando agora”.
Frente a esta confusão toda, os desempregados e
desesperançosos locais decidiram recorrer à Justiça que,
como não queria ficar mal com ninguém, transferiu o
pepino para o MMP, o Meu Mistério Público, que propôs a
realização de várias Audiências Públicas onde todo mundo
falava e ninguém se entendia. Meses após estas
intermináveis sessões na Igreja, na Universidade, no
Centro Comunitário, na Praça, no Sindicato, no Petry e
até mesmo no Bar da Zilda, o tal do MMP propôs um treco
chamado TAC, abreviação de “Termo de Ajuntamento de
Contradições.”
Como ninguém conseguia entender o que estabelecia este
documento, as famílias acabaram se rebelando, fazendo
barricadas na BR 101 e tomando de assalto os caminhões
com o lixo das 22 cidades que estavam indo para o
Inferninho. Capitaneados pelo meu amigo Alencar Morfim,
com touca e capacete de motoqueiro, e metranca de
guerrilheiro em punho, despejaram o belo “cheirume” na
frente das mansões de Jurerê Internacional e Daniela, na
Praça XV de Novembro em Florianópolis e no piso superior
do Shopping Itaguaçu, em São José.
O dono da grana, pressionado pelos investidores
internacionais “arrenegou-se” e levou as suas malas e
cuias para o Rio de Janeiro, que tem um governador que
não é bobo nem nada, deixando os tolos dos catarinenses
chupando um dedo e bicando, como os tucanos, uma banana
podre.
Depois disso o Estado jamais conseguiu trazer para cá
nenhuma merreca de investimento, nem mesmo de meros 3
bilhões de reais, nem mesmo para empregar apenas 10 mil
pescadores e maricultores famintos, uma vez que o esgoto
residencial sem tratamento jogado na Baia Norte pelos
ricaços de Jurerê e a pesca predatória de arrasto
praticada em toda a Baia Norte matou todo o restinho de
camarão e peixe que ainda tinha disponível. Ah, e os
golfinhos comeram toda a porcaria das ostras e mariscos
das horrorosas fazendas flutuantes que poluem o visual e
impedem a navegação na segunda melhor paisagem náutica
do mundo.
E o povo da cidade teve que se contentar em perder uma
onda de desenvolvimento sustentável capaz de duplicar em
um ano a sua arrecadação de impostos, de crescer 50 anos
em apenas poucos meses, de garantir emprego, renda e
infra-estrutura social para todos, tudo por que “nunca
antes na história deste país” tão poucos (uma minoria
ecoxiita aloprada e imbecil) ficou devendo a tantos (a
população economicamente ativa de um Estado inteiro,
estimada em mais de 4 milhões de pessoas).
Essa é uma história de ficção e qualquer semelhança com
pessoas vivas ou mortas, ou suas instituições, é uma
mera e lamentável coincidência. |