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Encontramos
a historinha que se segue num site respeitável da
Internet – o www.redeliberal.yahoogrupos.com - e não
temos razão nenhuma para duvidar da sua veracidade. Mas
ainda que sua personagem principal não existisse,
estaria devidamente caracterizada como um brasileiro
comum em uma situação de milhares de brasileiros comuns
na vida real.
Segundo
contava a referida historinha, um zelador de um edifício
em Natal (RN) procurou o síndico do prédio onde
trabalhava e pediu para ser despedido. Por ter
conseguido um emprego melhor? Não, por querer mesmo
ficar desempregado!
Parece uma
coisa totalmente irracional, mas quando uma coisa é
desta natureza, desconfiamos logo que “debaixo desse
angu tem carne” ou, como teria dito aquela personagem de
Shakespeare diante da suposta loucura do príncipe
Hamlet: “I am afraid there is a method in his madness”.
Por que
raios queria ele ficar desempregado? Ele disse para o
síndico que tinha dois cunhados desempregados que
estavam melhor de vida do que ele empregado. Como? Ora,
eles tinham cartão-cidadão, cartão-alimentação,
vale-gás, vale-transporte, vale-refeição, entre outras
benesses do governo de Lulla, o Dadivoso, ou o fazedor
de caridade com o chapéu alheio.
Se pararmos
para fazer as contas, veremos que ele tinha razão, ou
seja: estava agindo de acordo com a relação
custo/benefício, segundo um princípio básico da
racionalidade prática.
Se não,
vejamos: Supondo que ele tenha apenas dois filhos são
R$175,00 para cada filho. Portanto R$350,00. Mais R$
350,00 do cartão-cidadão, mais R$ 70,00 do vale-gás,
mais vale-transporte - considerando 4 passagens diárias
no valor de R$ 8,00 e multiplicando por 20 (dias) são R$
160,00 - mais vale-refeição (um por dia) R$ 3,50 /dia x
30 dias x 4 pessoas (ele a esposa e os dois filhos) = R$
420,00. O que dá...
Total em dinheiro - R$ 700,00
Total em serviços - R$ 650,00
Total a Receber – R$1.350,00
De acordo
ainda com a história, o salário do zelador, acrescido de
horas extras e tudo o mais, girava em torno de R$
830,00/mês. Desempregado, sem precisar fazer nenhum
esforço, ele estaria ganhando quase o dobro do que
ganhava empregado. E é preciso acrescentar que tudo isto
ficou estabelecido pela lei no 10.836 de 9/1/2004.
E foi
exatamente assim que o neocoronel nordestino Lulla criou
seu curral eleitoral pós-moderno. Todavia, isto é
insuficiente para explicar seus 64% no índice de
popularidade medido em setembro de 2008. Se somente a
classe pobre o aprovasse, seu índice não seria tão alto.
Isto só ocorre porque grande parte da classe média
também o aprova como bom governante.
A aprovação
da classe pobre pode ser explicada pela relação
custo/benefício, mas como se poderia explicar a da
classe média, que não recebe semelhantes benesses do
governo? Como se poderia explicar que ela aprove um
governo que só sabe sugar seu sangue por meio de uma
tributação escorchante, que apresenta apenas um alto
custo sem nenhum benefício?!
Sócrates e
Platão acreditavam que um indivíduo nunca procuraria um
mal para si próprio sabedor de que se tratava de um mal,
mas Aristóteles discordava dizendo que um indivíduo às
vezes se mostra capaz de procurar um mal para si
próprio, mesmo quando sabe perfeitamente se tratar de um
mal.
Ele chamou
este comportamento extremamente irracional de akrasia,
que costuma ser traduzido como “fraqueza de vontade” ou
“incontinência moral” e que consiste em fazer algo que
produz um mal para si próprio, mesmo quando é sabido se
tratar de um mal. Caindo no popular, isto consiste em
“dar um tiro no próprio pé”.
De nossa
parte, pensamos que realmente está em jogo uma situação
em que não só um, porém milhões de indivíduos humanos
estão conscientemente fazendo algo que vai fortemente
contra seus próprios interesses, mas não é o caso de uma
ação conscientemente deliberada.
Não estando
agindo conscientemente nem por má-fé – alternativa esta
que é o caso de uma minoria de grandes empresários
possuidores de fartas tetas estatais - só nos resta uma
explicação: a de que estejam agindo por ignorância, a de
que de fato estão buscando um grande mal para si
próprios, porém acreditando piamente se tratar de um
bem. E este mal tem nome e é bastante conhecido:
chama-se “socialismo” e sua particular medida prática
consiste em redistribuição de renda.
Nunca nos
esqueceremos daquela conversa que ouvimos por acaso
entre dois estudantes de Ciências Sociais. Um deles
dizia: “É, cara, assalto é uma forma de redistribuição
de renda...” E eu pensei cá com os meus botões: Ao
contrário, redistribuição de renda que é uma forma de
assalto.
“Quando a
propriedade legal de uma pessoa
é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo.
Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos:
transferência ou redistribuição de renda.”
(Dr. Walter E. Williams,
professor de economia na Universidade
George Mason em Fairfax, Va, EUA)
O autor é Doutor em Filosofia e professor da UFRJ
Fonte:
www.institutoliberal.org.br |