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Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi dói!
Eu sou só uma manezinha,
nascida e criada no Rio
Vremeio. Não frequentei
falcudade e nuncandei
pelo mundo estudando às
custa dos dinhêro
púlbico. Coitadinha de
mim: ninguém me deu
portunidade na vida de
conhecer um bom moço
cãomunista de futuro,
que se casasse comigo
pra morar nos mióris
lugaris da natureza pra
serem apotregidos...
dozôtro.
Vai ver, mô cravos, é
por causo disso que tem
umas côsa que não me
entra no célebro nem com
golpe de foice e umas
quanta martelada. Por
inzemplo: as côsa que a
apercuradora federáli
dotôra Naluz encrenquêra
intenta que na nossa
Ilha não pode ter. Êita
muiézinha
impiliquentadora duma
figa, essa Naluz do
Iemipeiéfe...
cruzencredo, alve Maria,
nozapotreja minha Nossa
Senhora da Conceição da
Lagoa! Encrenca é
co’essa aí, arreparassi,
ôooo dona Sonzona
Nadicha?
A repórti Sonzona
Nadicha é a minha
colégua zolnalista,
aquela, não tem?, que
inscreve as côsa na
revista Inzame, da
Editona Abriu. Bem
gauchinha tamém,
coitadinha da Nadicha.
Ela é espeçalista em
fazer reportagi com
gente encrenquêra.
Nasantiga, a Sonzona já
inscreveu até uma
reportagi com o ôtro
aquele, vissem?, o
senhor encrenca lá dos
Costão, o seu Marcão dos
Mato. O assunto era o
senhor encrenca, mas o
que deu na reportagi foi
que encrenca é com a
dotôra Naluz.
No mô fraco módi pensar,
a zolnalista Sonzona
devia de fazer uma
reportagi especiáli com
a arrilienta intanguida,
mô pombos, que se
encrenqueia com Deus e o
mundo. Mofas c’a pomba
na balaia! Ela ia
atazanar a Sonzona pro
resto da vida, tás tolo?
Mas uma côsa é uma côsa.
Ôtra côsa é ôtra côsa
bem deferente: co’s cú
de cachorro dos
molvimento comunistário,
co’s mondrongo da
soçedade incivil
onganizada, cozocupante
das duna ideoilógica de
Inguilesis e c’os
morador das marge do rio
Tapanacara, lá nas Cana
dos Vieiras, a
percuradora federáli,
oh!, nem te ligo, ferro
antigo.. arrombassi,
Layla!
Mas ela encrenqueia com
quem quer ponhá mais
lúgi na Ilha, água,
esgoto, estrada mais
larga, éroporto maióri,
remendar a ponte Hercilo
Lúgi, fazer lugári
luxento pros ricaço vir
morar e rezort pra eles
vir só passear e
estaçonamento pros barco
deles nas porta das
casa. Tudo a Naluz
encrenmqueia que apolui
natureza. Então, então!
Só tá faltando brigar
co’s donos dos
cimintério, por causo de
que os cadávre dos morto
polui a terra naonde são
enterrado: é que as
podridão escorre
degavarinho pras água do
aquífro. Mas se mandar
quemá com caxão e tudo,
periga ela atusicar as
bucica dela nas alma,
porque a fumaça sobe
digerinho e polui o aire...
ô, ô! Vinhas tão bem, ô!
Sem conichões, istepô...
Vô te contar uma côsinha
só pra ti: a dona
encrenca se
encanzinou-se c’os dono
do SOS Encárdi, o
hospitáli pras pessoa
que tem doença nas
coronalha do coração.
Osvi dizer, mô cravos,
que é por causo de que
ela não tem um pra ser
tratado. Então, então...
se fosse um hospitáli
piscriático, a
nelvrosinha não ia se
importar? Bobaisada,
seus tanso! Órgo cardíco
co’as coronalha
escangaiada percisando
de ser tratado, todo
mundio tem pelo meno um
na famíla...
Ô, ô! Os meu poblema de
saúde é só de ursa
pética de ostrômago e
odeno. Eu não tenho
corbesteirol alto,
pertenção alteriar,
suficença cardíca que
percise de válvla nova,
véia tupida pra pontes
de alfena, nem um pudê
de côsa mági. Então,
então... mas eu tinha
até pensado em pedir uma
portunidade de
inferneira dos impacente
do SOS Encárdi! Só que
hospitáli na Ilha, tamém
não póoode!
Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi dói.
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