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A utopia tem dominado a mente dos seres humanos desde a
mais remota antigüidade. Seus precursores mais
destacados foram Antístenes, Hipódamo de Mileto, Zenão
de Cicio, Teopompo, Jambulos, Thomas More, Tommaso
Campanella, Abade Labat, Padre Périer, De Gomberville,
Pierre Bergeton, Du Tertre, Hannepin, dentre outros.
Mais recentemente, surgem Jean-Jacques Rousseau,
Saint-Simon, Robert Owen, Charles Fourier, Karl Marx e
H.G. Wells e uma dezena mais.
A utopia é uma insanidade que encontra terreno fértil
nas mentes doentias dos seres humanos que desejam
substituir o desconforto de viver no mundo real, que é
sempre tensional, pelo conforto de um mundo imaginário
que só existe na mente deles. Assim, o utopista constrói
a sua gaiola e se aprisiona dentro dela.
Este fato em si mesmo, não seria um grande problema,
pois cada um faz da sua cabeça o que bem entender. O
problema maior é que o utopista quer colocar todo mundo
e o mundo todo dentro da sua gaiola. A partir dela, da
qual não consegue se libertar quer construir um mundo
novo e um novo homem, porque acha que a criação Divina
foi imperfeita e ele, o utopista, é que tem a fórmula
perfeita.
Dentro desse quadro psicótico, o utopista tem a
pretensão de matar Deus, pois em sua demência alimenta a
crença de que matando Deus, poderá se colocar no lugar
d’Ele. E assim surge a figura do revolucionário,
esquerdista, marxista, socialista, comunista e outros
assemelhados, todos eles pretendendo reformar o mundo e
a própria humanidade colocando sua pretensão psicótica
em ação.
Na tentativa de colocar todo mundo e o mundo todo dentro
da sua gaiola, o psicopata utópico utiliza os mais
variados instrumentos de convencimento, tais como: a
retórica, a mentira, a falsidade, a falácia, o cinismo,
a heresia, o niilismo, a dialética hegeliana , a
subversão feuerbachiana , o humanismo, o
desconstrucionismo, a luta de classes, o sincretismo
religioso, o ateísmo, o paganismo, o gnosticismo ,
dentre muitos outros. Assim, eles criam a segunda
realidade, onde o reino dos céus é substituído pelo
poder da lei estatal na salvação das massas.
O reino da segunda realidade é o reino dos
revolucionários, dos jacobinos empenhados em moldar a
sua realidade a seus preconceitos, cuja proposta é a
criação de um mundo melhor mediante a concentração de
poder nas mãos deles e jamais nas suas.
A segunda realidade foi descoberta por Cervantes que na
sua obra “Dom Quixote” narra com requintes literários
essa alucinação típica dos tempos modernos. Obra que
recomendo a todos, exceto aos psicopatas utópicos.
O que os revolucionários utopistas psicóticos fazem, é
condenar os seus companheiros de viagem à condição de
eternos proletários e os idiotas úteis a condição de
eunucos intelectuais, ou seja, aqueles que só sabem
aquilo que lhes é embutido no pequeno espaço que possa
existir entre as orelhas.
Para finalizar, lanço mão da assertiva de Padre Paulo
Ricardo: “Todos aqueles que quiseram implantar um
paraíso aqui na terra, a única coisa que conseguiram
produzir foi o inferno”. E eu complemento: “Nada se pode
esculpir sobre a madeira podre” |