Artigos março/2007:

 

FLORIPA: Capital da ocupação irregular do solo urbano

Jandir Barreto

 

Ao lado da beleza natural do Estado de Santa Catarina, ele pode ser visto como um dos mais lastimáveis exemplos de ocupação irregular e abusiva do solo urbano deste País. O turista chega pensando que vai enxergar as belas e decantadas praias, mas o que consegue visualisar são “muralhas” de prédios residenciais e comerciais, indevidamente construídos em área de marinha. Para ter acesso à praia, nativos e turistas pagam por estacionamentos plantados nestas áreas. Depois, caminham por estreitos corredores e, finalmente, enxergam a praia e o mar belíssimo dos Ingleses, Canasvieiras e Cachoeira do Bom Jesus, só para ficar nestes três exemplos. A exceção fica por conta de Camboriú e Garopaba, que têm calçadão.

É evidente que a desordem urbana só foi concretizada porque durante décadas houve omissão e cumplicidade de prefeitos e vereadores de plantão. Mas a simpática e acolhedora população barriga-verde tem boa parte de culpa, porque não exercitou, no tempo devido, o bendito espírito de indignação cidadã, capaz de impedir esta violação do espaço público.

Para que a exuberância da beleza das praias catarinenses possa ser amplamente apreciada só resta repetir o que foi feito na Avenida Beira-Mar, ou seja, o engorde da praia. Outros exemplos estão no Rio de Janeiro. Lá o “engorde” da praia aumentou a faixa de areia conquistada do mar aterrado. Isto aconteceu especialmente na Baía da Guanabara, originando o aterro do Flamengo e na praia de Copacabana.

 

O autor é radialista, jornalista e professor