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A gente está acostumado a ver tanto jornalista
proclamando idiotices todos os dias que quando surge um
que não faz coro com a idiotia reinante, a gente
comemora. É o caso do lançamento do livro
Neoliberalismo, não. Liberalismo, do jornalista Carlos
Alberto Sardenberg, destaque na Veja que foi às bancas
neste sábado.
Segundo Veja, numa rápida resenha, ponto central do
livro pode ser resumido no seguinte: “Alguns chegaram a
dizer que a falência do banco Lehman Brothers estava
para o capitalismo assim como a queda do Muro de Berlim
esteve para o socialismo. Bobagem... Quanto mais
capitalismo, melhor; quanto mais mercado livre, melhor”.
Segundo Sardenberg, o aumento recente da presença do
estado na economia deve ser entendido como algo
emergencial, e não como a prova de que o estado é
moralmente superior a empresas e pessoas, como sustenta
o esquerdismo ouriçado.
Busca-se hoje a ajuda do estado simplesmente porque ele
detém o monopólio de cobrar impostos e imprimir moeda.
Só isso.
Esse tipo de intervenção governamental, aliás, já
ocorreu no passado e cabe perfeitamente dentro do
figurino de um estado democrático capitalista.
De tempos em tempos, como diz Sardenberg, o pêndulo
oscila entre a proeminência de um capitalismo temperado
pelo socialismo, com forte interferência estatal, e a
hegemonia de um liberalismo mais radical. É essa
maleabilidade que já deu ao capitalismo mais de sete
vidas.
Eis um trecho do livro de Sardenberg, que vai
diretamente ao ponto. Diz ele:
“Ficamos assim: o que gera riqueza é o capitalismo e
ponto final. Mas ainda persiste, por toda parte, o
entendimento de que é preciso intervenção do estado para
corrigir as injustiças do capitalismo — e isso é a
esquerda de hoje. O problema é que essa boa intenção
coincide com a velha fisiologia, a prática de setores
privados de ocupar o estado para obter privilégios. O
resultado é que as intervenções e regulamentações do
estado tendem a gerar ineficiência e injustiça. Pensaram
no Brasil? Acertaram. Não sobra neoliberalismo. Falta
capitalismo.”
Salve, Sardenberg. Seu livro é um alento e uma boa lição
para o jornalismo petralha. O diabo é que essa gente só
lê – quando lê – as cartilhas do Emir Sader.
http://aluizioamorim.blogspot.com/
14/03/09 |