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São os portos
de recreio - ou marinas - os mais saborosos e lucrativos
ingredientes turísticos do planeta, basta conferir pelo
mundo afora. Mas o Brasil, com a maior costa marítima do
globo terrestre, 8.500 quilômetros, embora tenha
iniciado sua civilização pelo litoral, não as tem em
número expressivo, despreza a atividade náutica.
Por que?
Pólo gerador
de recursos sociais, de empregos e progresso, a oposição
às Marinas por conta dos danos ecológicos é equivocada,
mesmo porque o que ela evita é o avanço da miséria que
tem devastado nosso litoral com ocupações irregulares.
Uma Marina criando meios de subsistência para as
populações em redor, atividades produtivas que vão de
restaurantes a hotéis, lojas, equipamentos e empregos
diretos de mecânica e manutenção dos barcos - em uma
média de 3 a 4 empregos por barco - criando,
requalificando e evoluindo a mão e obra.
O Brasil tem
hoje menos de cem portos de recreio e os países da
América do Sul com mar em maior número. Na Catalunha
Espanhola, em 528 quilômetros de costa existiam 40
marinas, há 10 anos - revertendo a pobreza dos anos 60
na área. A Espanha é o país que mais fatura com o
turismo no mundo e a maior parcela disso vem das
marinas.
Os projetos
modernos de marinas, ao invés de induzirem a erosão,
contribuem para manter as características geográficas e
estabilizar a vida biológica, pois os quebra-mares são
celeiros de espécies de peixes e moluscos que nelas
encontram abrigo. Com sistemas positivos de esgoto,
recolhendo os efluentes de oficinas e barcos quando
aportados, que devem ter lacradas suas instalações
sanitárias.
Dotadas de
equipamentos de comunicação e socorro marítimo,
disciplinam a navegação e facilitam a supervisão dos
barcos em tráfego, além das atividades de salvamento,
úteis em casos de mudanças bruscas no tempo.
Revitalizadoras da economia local, foram dos portos que
nasceram as civilizações. É das marinas que há de nascer
o futuro, temperado pelos ventos alísios e o doce cheiro
de mar.
O autor é jornalista,
historiador pós-graduado e
acadêmico de Direito
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