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Marinas no Brasil

Paulo Matos

 

São os portos de recreio - ou marinas - os mais saborosos e lucrativos ingredientes turísticos do planeta, basta conferir pelo mundo afora. Mas o Brasil, com a maior costa marítima do globo terrestre, 8.500 quilômetros, embora tenha iniciado sua civilização pelo litoral, não as tem em número expressivo, despreza a atividade náutica.

Por que?

Pólo gerador de recursos sociais, de empregos e progresso, a oposição às Marinas por conta dos danos ecológicos é equivocada, mesmo porque o que ela evita é o avanço da miséria que tem devastado nosso litoral com ocupações irregulares. Uma Marina criando meios de subsistência para as populações em redor, atividades produtivas que vão de restaurantes a hotéis, lojas, equipamentos e empregos diretos de mecânica e manutenção dos barcos - em uma média de 3 a 4 empregos por barco - criando, requalificando e evoluindo a mão e obra.

O Brasil tem hoje menos de cem portos de recreio e os países da América do Sul com mar em maior número. Na Catalunha Espanhola, em 528 quilômetros de costa existiam 40 marinas, há 10 anos - revertendo a pobreza dos anos 60 na área. A Espanha é o país que mais fatura com o turismo no mundo e a maior parcela disso vem das marinas.

Os projetos modernos de marinas, ao invés de induzirem a erosão, contribuem para manter as características geográficas e estabilizar a vida biológica, pois os quebra-mares são celeiros de espécies de peixes e moluscos que nelas encontram abrigo. Com sistemas positivos de esgoto, recolhendo os efluentes de oficinas e barcos quando aportados, que devem ter lacradas suas instalações sanitárias.

Dotadas de equipamentos de comunicação e socorro marítimo, disciplinam a navegação e facilitam a supervisão dos barcos em tráfego, além das atividades de salvamento, úteis em casos de mudanças bruscas no tempo. Revitalizadoras da economia local, foram dos portos que nasceram as civilizações. É das marinas que há de nascer o futuro, temperado pelos ventos alísios e o doce cheiro de mar.

O autor é jornalista,
historiador pós-graduado e
acadêmico de Direito
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