Artigo:

 

A volta triufal do sabugo

Maria Aparecida Nery

 

Meses atrás, no programa Sem Censura, Leda Nagle entrevistou uma senhora que promovia a volta das fraldas de pano reutilizáveis. Ela discursou sobre as maravilhas da responsabilidade ambiental e discorreu sobre incontestáveis pesquisas científicas e estatísticas de laboratórios conceituados que “comprovam” que, se as fraldas de pano não voltarem imediatamente à rotina dos lares, a humanidade desaparecerá enterrada em montanhas fedorentas de fraldas descartáveis. Pouco falta para ser criado um adesivo de “ISO Mãe Ecológica” para aquelas que levarem às últimas consequências um velho ditado: “Ser mãe é padecer no paraíso.” O selo será colado nos carrinhos dos bebês e nos carrões dos papais: ambos produto e causa de muita poluição.

E vem mais chumbo grosso por aí: o Greenpeace agora quer acabar com o papel higiênico ultramacio. Aquele, com folhas duplas (que chegam a ser triplas ou quádruplas, nos EUA e Europa). A justificativa é que a fabricação desse produto símbolo do capitalismo selvagem só pode utilizar fibras virgens de celulose. Papel reciclado, nem pensar! Acontece que, somente para limpar a bunda dos americanos, vão abaixo muitas árvores das florestas canadenses que fazem falta na absorção do dióxido de carbono (CO2) que combate o efeito estufa. E as áreas de monocultura - destinadas exclusivamente para a fabricação do produto - também estão condenadas pela xiitice ecológica, mas aí é por outro motivo: é que florestas de monocultura “não servem de habitat para variedades grandes de animais”.

Segundo Veja, “em 2007, uma série de campanhas nos Estados Unidos pretendia conscientizar a população da inconveniência de consumir água mineral em garrafas plásticas, já que elas produzem uma quantidade enorme de lixo não degradável. Desde então, o consumo de água engarrafada no país cresceu 6,7%.”

Essa inversão de resultado abre a possibilidade de que, quanto mais os fundamentalistas do ambientalismo absurdo inventam mantras que demonizam confortos da vida moderna para agredir o modelo capitalista, mais eles mesmos vão caindo em desgraça com grande parcela da população. Quem sabe se, por seus ridículos excessos, a espécie artificial dos xiitas ecochatos não acaba desaparecendo do planeta no lugar das espécies ameaçadas na natureza?

Em todo caso, o negócio é começar a armazenar sabugo de milho. Se algum dia a fúria irracional dessa gente conseguir mesmo levar a humanidade de volta a antigos hábitos, espigas secas serão bastante úteis.