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Nos Estados Unidos da
América o povo admira os “self made men”; indivíduos que
saíram da pobreza para a riqueza construída pelo
trabalho e o espírito empreendedor. Lá o povo costuma
eleger ricos para presidirem a nação. Por precaução,
cercaram o poder de Estado de salvaguardas
constitucionais que visam proteger a liberdade
individual dos excessos dos detentores de poder
político. E criaram uma legislação antitruste para
proteger o direito de competir dos empreendedores, dos
excessos dos detentores de poder econômico. Lá, os
chamados “pais da pátria” lideraram a luta pela
independência e criaram uma Constituição pensando no
futuro de uma nação. Livres do absolutismo britânico, os
norte-americanos transformaram uma ex-colônia numa união
independente de estados voluntariamente federados -
territorialmente gigantesca e multirracial na sua
composição étnica - na maior potência econômica,
política e militar do planeta.
Uma nação é fruto do
espírito da alma coletiva de seu povo. Mas não há povos
nem coletivos sem líderes. Grandes nações se fazem com
grandes líderes. A história pessoal do ex-presidente
Abraham Lincoln é emblemática. De origem humilde,
Lincoln viveu de trabalho braçal até conseguir estudar
Direito. Antes disso, sabia apena ler, escrever e fazer
as quatro operações. Sem acesso a livros, Lincoln
estudou a Bíblia; o único livro existente em sua casa.
Com 22 anos, Lincoln deixou a casa dos pais para morar
na aldeia de New Salem, Illinois, onde conseguiu emprego
como balconista no comércio local, e em seguida, como
agente postal. Depois de alguns anos elegeu-se deputado
estadual e senador pelo estado de Illinois.
Ao longo de seu segundo
mandato como deputado Lincoln completou seus estudos de
Direito, recorrendo ao empréstimo de livros até obter
licença para advogar. Durante seis meses por ano Lincoln
advogou nos tribunais itinerantes que percorriam
municípios de Illinois. Tornando-se conhecido assim, em
1846 Lincoln foi eleito para a Câmara Federal. Sem apoio
popular, por fazer oposição ao presidente Polk, a quem
culpava pela guerra com o México, Lincoln voltou a
advogar sem tentar a reeleição. Voltou à política
somente no final da década de 1850, quando, em campanha
contra a escravidão disputou e perdeu a eleição para o
Senado para o escravocrata Stephen Douglas. Perdeu a
eleição, mas ficou conhecido em todo o país, condição a
partir da qual concorreu à Presidência em 1860 em meio à
construção do Partido Republicano, fundado em 1854.
Em 1861 Lincoln toma posse
enfrentando o separatismo dos sulistas que ameaçaram
retirar seus estados da Federação em caso de vitória de
um abolicionista. Onze estados fizeram-no, de fato,
formando a Confederação dos Estados da América, mesmo
ante esforço conciliador do presidente eleito, que não
conseguiu evitar a Guerra Civil.
Mesmo tendo perdido as
primeiras batalhas e boa parte do seu capital político,
Lincoln manteve suas convicções sem recuar, pois
entendia que os Estados Unidos da América constiuíam um
exemplo emblemático da capacidade de auto-governo de um
povo. Quatro anos depois, a um custo de 600 mil mortos,
o norte venceu. Em 1862 proclamou a liberdade dos
escravos dos estados sulistas, conferindo sentido
libertário à guerra civil e encaminhando a abolição
deifitiva da escravatura nos EUA em 1865, ano de início
de seu segundo mandato.
Em 14 de abril de 1865,
duas semanas após o fim da guerra separatista, Lincoln
foi assassinado. Após sua trágica morte angariou o
respeito e admiração do povo norte-americano, firmando
reputação de uma liderança construída na luta por causas
políticas que fazem parte do “patrimônio genético” na
nação que presidiu. Seu ideário, registrado em discursos
e textos publicados, integra a biblioteca do pensamento
democrático.
O Brasil foi colônia de uma
das principais potências mundiais do século XVI, ao lado
da Inglaterra, que colonizou os EUA na mesma época.
Tornamo-nos “independentes” por herança de pai para
filho; libertamos os escravos por “bondade de uma
princesa”; tornamo-nos República através de um golpe de
estado; dizemo-nos Federação, mas nossas supostas
unidades federadas são subjugadas pelo governo central
como se no tempo do Império ainda vivêssemos. Boa parte
dos políticos que escolhemos para nos governar se alojam
na máquina do Estado para enriquecer rápido e sem
trabalhar. Antes isso era monopólio das oligarquias
rurais. Hoje é privilégio das oligarquias políticas que
controlam partidos, sindicatos, ONGs e fatias do próprio
Estado.
O cidadão brasileiro Luis
Inácio Lula da Silva, ex-sindicalista, é, sem sombra de
dúvida, um dos líderes que ocupará a galeria dos grandes
presidentes do Brasil. Ex-retirante nordestino, nosso
presidente, eleito e reeleito pelo voto da maioria dos
brasileiros; saiu da extrema miséria para um lugar
privilegiado no estreitíssimo cume da nossa pirâmide
social; visto como um homem do povo; pai dos pobres;
“gente como a gente”. Um exemplo. |