4 de junho de 2012

 

Livros

Bichos Procuram Buracos em Paredes Brancas

Autor: Carlos Ronald Schmidt – C. Ronald
Editora: Bernúncia
Páginas: 443
(À venda na Livros & Livros e Livrarias Catarinense)

 

 

 

A Bernúncia Editora está lançando Bichos Procuram Buracos em Paredes Brancas, do escritor C. Ronald, coletânea de poesias, prosas, dramaturgias e traduções, “inventário de uma obra portentosa, um livro que instiga já a partir do seu título inusitado”. Com 40 anos de contínua produção literária, o manezinho Ronald é considerado um dos mais importantes poetas contemporâneos. Qualificado como um “pianista que explora a música das palavras“, sua poesia não é para ser lida “apenas com os olhos”, por “habituados às leituras sem artesanato intelectual ou atacados de preguiça mental”, porque ela “exige a participação do cérebro”.

Carlos Ronald Schmidt nasceu em Florianópolis, em 1935, passou a infância nas ruas João Pinto e Tiradentes, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e mora em Biguaçu desde os anos 70. "Gosto tanto da Ilha que moro em Biguaçu para poder vê-la toda de uma só vez", explica. De família financeiramente estável, começou a escrever aos oito anos de idade. Dos antepassados alemães herdou a disciplina. Teve uma juventude tranquila durante “la Belle Epoque” de Florianópolis e aos 17 anos já dirigia seu próprio carro. Estudou no tradicionalíssimo Colégio Catarinense e queria ser pianista, mas os pais não aceitaram: naquela época, tocar piano era coisa de maricas - ôps! - homoafetivos. Carlos cursou Direito, entrou para a magistratura e hoje é juiz aposentado.

Era bem jovem ainda quando seus primeiros poemas foram publicados nos jornais O Estado e Gazeta. Ronald renega como “fracos e sem estética” os seus dois primeiros livros, produzidos antes dos 20 anos, quando influenciado por quem hoje ele considera apenas um "bom letrista de MPB": o festejado poetinha Vinícius de Moraes. "Eu deveria ter sido preso, porque eles foram terríveis”, alveja Schmidt sobre Poemas (1959) e Cantos de Ariel (1960).

C. Ronald integrou o Grupo Litoral (1950), um clube de escritores ligado à ideia da Arte pela Arte, que surgiu depois do Grupo Sul (1947), liderado por Salim Miguel e integrado por filiados ao Partido Comunista, que imprimiam em sua arte as cores da política e da sua militância ideológica. Entre outros nomes, o Grupo Litoral tinha em suas fileiras Iaponan Soares, os irmãos Paschoal e Nicolau Apóstolo, Pedro Garcia e Rodrigo de Haro.

Integram a bibliografia de C. Ronald As Origens (1971), Ânua (1975), Dettagli dell’ Assenza (Itália, 1975), Dias da Terra (1978), Gemônias (1982), As Coisas Simples (1986), Como pesa! (1993), A Cadeira de Édipo (1993), Cuidados do Acaso (1995), Todos os Atos (1997), Ocasional Glup (1999), A Razão do Nada (2001), Os Sempre (2003), Caro Rimbaud (2006).

Escritor apaixonado, ele se enclausura na biblioteca da casa confortável que construiu há décadas, onde escreve observado pelo melhor da literatura universal e coleções de objetos antigos, como tinteiros de mesa, telefones e pesos de papel. São seis horas diárias, todo dia, ao som de música clássica, “porque para mim é o mesmo que respirar. No dia que não puder fazer mais nada na literatura estou morto". De temperamento avesso a badalações, Schmidt se esquiva de sessões de autógrafo e tem tanta dificuldade com dedicatórias, que mandou fazer um carimbo alusivo ao lançamento, com o qual só precisa preencher o nome de quem comprou o livro. Pelo estereótipo do autor que curte ser paparicado e cultiva a notoriedade, Ronald pode ser considerado um antiescritor, um sujeito antipático, mas ele justifica: faz tempo que deixou de se preocupar com a opinião das pessoas.

C. Ronald, que já conquistou o Prêmio Nacional de Poesia da Fundação Cultural de Brasília com As Origens, em 2011 foi agraciado pelo conjunto da obra com o Prêmio Othon Gama d’Eça, da Academia Catarinense de Letras.