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Os
verdadeiros democratas brasileiros agradecem
sinceramente ao ditador venezuelano, o falastrão Hugo
Chávez, que declarou na semana passada seu apoio
irrestrito à candidata do líder petista, a “querida”
(dele) Dilma Rousseff, com quem disse estar “seu coração
“e por ter criticado, de forma aberta e cruel, o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem acusou
de subordinação aos EUA.
Os
democratas brasileiros também devem agradecer ao ditador
- tão amigo do presidente Lula - por ter deixado claro
que, há 11 anos no poder, não tem nenhuma vontade de
largar o osso.
Fica
assim tudo às claras, principalmente para aqueles que
têm alguma ilusão em relação às pretensões da ungida por
Lula e Zé Dirceu.
Mas o que há de errado com isso, se estamos vivendo em
um regime que permite até que o nosso falastrão-mor se
ache “o cara” e se considere um estadista, o Messias, o
ungido, o único “nunca antes visto na história deste
País”? E o que há de errado em tais manifestações,
venham de onde e de quem vierem, sejam de Fidel, Raúl,
Correa, Morales, Ortega, Chávez, Ahmadinejad, todos
especialistas em perseguir seus opositores, calar a
imprensa, acabar com a alternância de poder, destruir
canais legais e democráticos?
Nada,
desde que saibamos reconhecer estas manifestações e
entender como elas poderão nos servir didaticamente,
principalmente em um ano eleitoral. Por isso, penso que
devemos realmente ser gratos ao ditador Chávez - e sair
de cima do muro a partir de agora em relação às eleições
de outubro.
Como
cidadão e como empresário, creio que a classe
empresarial deve deixar a cômoda neutralidade de lado e
tomar partido, seja qual for, declaradamente, tão às
claras como fez o ditador venezuelano. Admiro o
posicionamento do empresário Guilherme Leal, presidente
do Conselho de Administração da Natura, pré-candidato a
vice-presidente na chapa da pré-candidata Marina Silva,
pelo Partido Verde.
Já disse
anteriormente que o meu único arrependimento, ao exercer
a presidência da Associação Comercial do Paraná, de 2004
a 2006, foi ter convidado o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, para uma palestra em nossa
entidade - e fazer, na ocasião, como sempre, um rosário
de promessas aos comerciantes. Reafirmo meu
arrependimento e espero que o Brasil não viva o
prosseguimento de seus desarranjos - com sua escolhida
para continuar os desmandos dos petistas em nome de um
governo populista, amável com ditaduras, espertalhão nas
negociatas, demagogo, cínico e cordato com a corrupção e
a impunidade, incoerente na conduta política interna e
externa, irresponsável no gasto público e no inchaço da
máquina pública.
Ele é
também conivente com invasões a propriedades rurais e
urbanas, mentiroso sobre as conquistas de seus
antecessores (para Lula, FHC foi apenas um neoliberal e
partiram dele mesmo, Lula, “o maior presidente da
história deste País”, as conquistas da estabilidade
econômica, o controle da inflação, a consolidação da
transição política) e rancoroso para com a verdade. Seu
desprezo pela verdade, aliás, é impressionante!
Não
podemos assistir passivamente a toda essa soma de
descalabros. Chega de sermos omissos e otários. Temos
de, na forma prevista pela lei, tomar partido, declarar
os rumos que pretendemos para o País, sem nos esconder
na vergonha da neutralidade.
O autor é empresário,
ex-presidente da Associação Comercial do Paraná
e autor do livro “A vergonha nossa de cada dia” |