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Agradecimentos ao ditador

 

Cláudio Slaviero

 

Os verdadeiros democratas brasileiros agradecem sinceramente ao ditador venezuelano, o falastrão Hugo Chávez, que declarou na semana passada seu apoio irrestrito à candidata do líder petista, a “querida” (dele) Dilma Rousseff, com quem disse estar “seu coração “e por ter criticado, de forma aberta e cruel, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem acusou de subordinação aos EUA.

Os democratas brasileiros também devem agradecer ao ditador - tão amigo do presidente Lula - por ter deixado claro que, há 11 anos no poder, não tem nenhuma vontade de largar o osso.

Fica assim tudo às claras, principalmente para aqueles que têm alguma ilusão em relação às pretensões da ungida por Lula e Zé Dirceu.
Mas o que há de errado com isso, se estamos vivendo em um regime que permite até que o nosso falastrão-mor se ache “o cara” e se considere um estadista, o Messias, o ungido, o único “nunca antes visto na história deste País”? E o que há de errado em tais manifestações, venham de onde e de quem vierem, sejam de Fidel, Raúl, Correa, Morales, Ortega, Chávez, Ahmadinejad, todos especialistas em perseguir seus opositores, calar a imprensa, acabar com a alternância de poder, destruir canais legais e democráticos?

Nada, desde que saibamos reconhecer estas manifestações e entender como elas poderão nos servir didaticamente, principalmente em um ano eleitoral. Por isso, penso que devemos realmente ser gratos ao ditador Chávez - e sair de cima do muro a partir de agora em relação às eleições de outubro.

Como cidadão e como empresário, creio que a classe empresarial deve deixar a cômoda neutralidade de lado e tomar partido, seja qual for, declaradamente, tão às claras como fez o ditador venezuelano. Admiro o posicionamento do empresário Guilherme Leal, presidente do Conselho de Administração da Natura, pré-candidato a vice-presidente na chapa da pré-candidata Marina Silva, pelo Partido Verde.

Já disse anteriormente que o meu único arrependimento, ao exercer a presidência da Associação Comercial do Paraná, de 2004 a 2006, foi ter convidado o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para uma palestra em nossa entidade - e fazer, na ocasião, como sempre, um rosário de promessas aos comerciantes. Reafirmo meu arrependimento e espero que o Brasil não viva o prosseguimento de seus desarranjos - com sua escolhida para continuar os desmandos dos petistas em nome de um governo populista, amável com ditaduras, espertalhão nas negociatas, demagogo, cínico e cordato com a corrupção e a impunidade, incoerente na conduta política interna e externa, irresponsável no gasto público e no inchaço da máquina pública.

Ele é também conivente com invasões a propriedades rurais e urbanas, mentiroso sobre as conquistas de seus antecessores (para Lula, FHC foi apenas um neoliberal e partiram dele mesmo, Lula, “o maior presidente da história deste País”, as conquistas da estabilidade econômica, o controle da inflação, a consolidação da transição política) e rancoroso para com a verdade. Seu desprezo pela verdade, aliás, é impressionante!

Não podemos assistir passivamente a toda essa soma de descalabros. Chega de sermos omissos e otários. Temos de, na forma prevista pela lei, tomar partido, declarar os rumos que pretendemos para o País, sem nos esconder na vergonha da neutralidade.

O autor é empresário,
ex-presidente da Associação Comercial do Paraná
e autor do livro “A vergonha nossa de cada dia”