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Democracia especial,
essa que montaram no
Brasil pós-abertura. O
povo é de centro,
empreendedor e acredita
na iniciativa privada.
Apresentamos uma
extraordinária
mobilidade social e, no
entanto, ninguém quer
defender o empresário do
achaque via impostos,
fiscalização corrupta e
legislação
enlouquecedora na área
ambiental e na
trabalhista.
Alguns ideólogos de
esquerda, que arranjaram
um escudo para esconder
suas convicções sob a
denominação de
“cientistas políticos”,
deitam falação e enchem
páginas defendendo maior
presença do Estado na
economia e fazendo
insinuações de toda
ordem ao empreendedor. O
agronegócio é tido como
predador; a indústria,
como agressão ao meio
ambiente; o comércio,
uma forma fácil de
ganhar dinheiro. Estes
analistas, geralmente,
vivem de salários pagos
por entidades públicas
ou ONGs subvencionadas
pelo governo.
Os empresários que
querem saciar suas
ambições pessoais e
vaidades disputam
eleições por agremiações
que negam o que são e o
que fazem – socialistas
uns, ambientalistas
outros. Na fúria de
deter o progresso, até
projetos públicos, como
nos casos de Belo Monte
e das estradas
Cuiabá-Santarém e Porto
Velho-Manaus, entram na
linha de fogo desse
grupo voltado para o
atraso.
A maioria do Congresso,
de certa maneira, barra
iniciativas
despropositadas, mas por
vezes se deixa inibir
pelo apelo demagógico de
alguns – como a proposta
que diminui a carga
horária semanal do
trabalhador, quando
deveríamos estar
pensando em trabalhar
mais e não menos.
Nas majoritárias, reina
o que se convencionou
chamar de “politicamente
correto”, com exceções
honrosas, como em São
Paulo, onde o candidato
Geraldo Alckmin enfrenta
a patrulha de seu
partido e completa sua
chapa com o líder
empresarial e homem
público coerente e
preparado, Guilherme
Afif Domingos. Outro
exemplo é Sérgio Cabral,
no Rio, que enfrenta a
marginalidade nas
favelas, prestigia a
livre empresa e consegue
cotar bem o crédito
internacional do Estado,
fato singular no Brasil.
E, em Minas, Antonio
Augusto Anastásia
começou o choque de
gestão no primeiro
mandato de Aécio Neves,
virou vice, hoje é
governador e candidato à
reeleição, ao que parece
com um vice da melhor
tradição política
mineira, de bom senso e
equilíbrio, que preside
a Assembleia, Alberto
Pinto Coelho.
Até o ex-governador
paulista e candidato
José Serra irritou-se
quando perguntado se
privatizaria o Banco do
Brasil e a Petrobras –
que cumprem seu papel,
mas estão ganhando
espaços indesejáveis nos
mercados em que atuam –
e se manter o banco e a
Petrobras não significa
que não reste um estoque
de empresas a serem
colocadas à venda. Quem
é liberal não condena a
presença estatal, tantas
vezes necessária, mas
desconfia de quem nem
quer tocar no assunto.
A crise campeia e a
turma fica nesse duelo
ideológico, elitista,
indiferente ao
sofrimento dos que não
têm emprego e à angústia
dos que querem
empreender e são
ameaçados pelos impostos
– fiscais,
responsabilidades
trabalhistas e até a
invasão de seu
domicílio. Alguém
precisa dar um norte aos
brasileiros voltados
para a produção, a
geração de riquezas,
empregos e impostos
legítimos. Mas quando se
devolve aos presidiários
o direito do voto e a
sociedade se cala, não
dá para ficar otimista.
O
autor é vice-presidente
da Associação Comercial
do Rio de Janeiro |