Editorial MAIO/2009

 
 

 

A roupa suja deles

O slogan sugerido por uma amiga e incentivadora do Ilha Capital se revela apropriado: “O nanico que incomoda”. Antes de jornalistas, eu e Maria Aparecida somos cidadãos, em ações mais do que legítimas, por vezes levando às ultimas consequências o que escreveu John Milton em favor da liberdade de imprensa, em sua Aeropagítica (1644): “Deem-me acima de todas as liberdades, a liberdade de saber, de falar e de discutir livremente, de acordo com a minha consciência”.

Esta introdução serve para emoldurar alguns acontecimentos da audiência pública sobre a Vila Arvoredo, realizada na noite de 21 de maio - quando esta edição já estava fechada. Mais uma vez alguns vereadores se apropriaram do foco principal do encontro para uma lavação de roupa suja - a segunda em duas semanas em Ingleses e envolvendo um mesmo vereador, entre outros. Foi um banho de destempero e intolerância. Arrombassi, ôh...

E o “nobre” edil, aquele, não perdeu a oportunidade de usar o drama nas areias para vomitar seu ódio contra este nanico que incomoda a turma petralha, chamando-o de jornaleco e acusando-o de ser contra os moradores da favela do Siri. Sempre, é claro, sob aprovação da sua claque de meia-dúzia de militantes profissionais de sempre, públicos e notórios na cidade. O Ilha Capital não é contra pessoas fragilizadas, como as da ocupação sobre as dunas. Mas é, sim, contra representantes de partidos chegadinhos ao totalitarismo bolivariano e intolerantes com idéias diferentes das suas.

Ao chamar o Ilha Capital de jornaleco, o vereador traiu-se e é flagrado em ato falho. Jornaleco, por quê? Por ser mal escrito, com certeza, não é. Será que usamos vocábulos incompreensíveis para ele? Jornaleco por ser sem importância, quem sabe? Não. Se fosse sem importância, o vereador não entraria em surto ao referí-lo e nem teria recorrido à Justiça Eleitoral meses atrás, em covarde gesto de intimidação, numa duplamente derrotada tentativa perante os tribunais, para retirá-lo de circulação.

É assim mesmo que funciona a democracia: o preço da liberdade é a eterna vigilância e o Jornal Ilha Capital é vigilante. Principalmente contra o populismo demagógico, que se mantém no poder às custas da miséria alheia.

O final da Audiência Pública foi deprimente. Um dos vereadores recém eleito em primeira legislatura retirou-se, acusando as velhas raposas de antidemocráticas!
E eu fui para casa, dormir com a consciência tranquila.

Paulo Simões

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