
A roupa suja deles
O slogan sugerido por
uma amiga e incentivadora do Ilha Capital se revela apropriado:
“O nanico que incomoda”. Antes de jornalistas, eu e Maria
Aparecida somos cidadãos, em ações mais do que legítimas, por
vezes levando às ultimas consequências o que escreveu John
Milton em favor da liberdade de imprensa, em sua Aeropagítica
(1644): “Deem-me acima de todas as liberdades, a liberdade de
saber, de falar e de discutir livremente, de acordo com a minha
consciência”.
Esta introdução serve
para emoldurar alguns acontecimentos da audiência pública sobre
a Vila Arvoredo, realizada na noite de 21 de maio - quando esta
edição já estava fechada. Mais uma vez alguns vereadores se
apropriaram do foco principal do encontro para uma lavação de
roupa suja - a segunda em duas semanas em Ingleses e envolvendo
um mesmo vereador, entre outros. Foi um banho de destempero e
intolerância. Arrombassi, ôh...
E o “nobre” edil,
aquele, não perdeu a oportunidade de usar o drama nas areias
para vomitar seu ódio contra este nanico que incomoda a turma
petralha, chamando-o de jornaleco e acusando-o de ser contra os
moradores da favela do Siri. Sempre, é claro, sob aprovação da
sua claque de meia-dúzia de militantes profissionais de sempre,
públicos e notórios na cidade. O Ilha Capital não é contra
pessoas fragilizadas, como as da ocupação sobre as dunas. Mas é,
sim, contra representantes de partidos chegadinhos ao
totalitarismo bolivariano e intolerantes com idéias diferentes
das suas.
Ao chamar o Ilha
Capital de jornaleco, o vereador traiu-se e é flagrado em ato
falho. Jornaleco, por quê? Por ser mal escrito, com certeza, não
é. Será que usamos vocábulos incompreensíveis para ele?
Jornaleco por ser sem importância, quem sabe? Não. Se fosse sem
importância, o vereador não entraria em surto ao referí-lo e nem
teria recorrido à Justiça Eleitoral meses atrás, em covarde
gesto de intimidação, numa duplamente derrotada tentativa
perante os tribunais, para retirá-lo de circulação.
É assim mesmo que
funciona a democracia: o preço da liberdade é a eterna
vigilância e o Jornal Ilha Capital é vigilante. Principalmente
contra o populismo demagógico, que se mantém no poder às custas
da miséria alheia.
O final da Audiência
Pública foi deprimente. Um dos vereadores recém eleito em
primeira legislatura retirou-se, acusando as velhas raposas de
antidemocráticas!
E eu fui para casa, dormir com a consciência tranquila.