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Em 1660, a
Royal Society of London adotou como lema a frase latina
Nullius in Verba, que significa algo como “a palavra de
homem nenhum será final”, em oposição ao dogmatismo
católico, que num de seus axiomas básicos estabelece a
infalibilidade papal, ainda que restrita a questões de
fé. Manifestações dogmáticas sobre questões ambientais
são cada vez mais frequentes numa vertente
fundamentalista do movimento ecológico. Como qualquer
outro tipo de fundamentalismo, seja ele de natureza
religiosa ou política, o fundamentalismo ambiental
também tem suas verdades absolutas, seus credos
infalíveis, seus livros e seus aiatolás.
O talibã ambiental pode assumir a forma de um jovem
barbudo preocupado com os insetos, ou ter um ar cansado
do professor que há décadas se imagina travando árduas
batalhas em defesa das nascentes e das áreas de
preservação permanente, como pode ser um mulá que se
julga acima de tudo e de todos na interpretação e na
defesa das leis; enfim, são muitos e multifacetados os
fundamentalistas que fizeram do meio ambiente a sua
causa (ou o seu meio de vida).
Na defesa de
seus dogmas usam e abusam de denúncias infundadas e de
palavreado vazio aparentemente técnico e supostamente
científico, contestam atos oficiais amparados por leis
quando estes não lhes convêm, e aplaudem em caso
contrário. Podem assim transformar um simples ofício num
santo ofício e dar a pareceres o valor de verdades
absolutas quando estes alimentam a sua fé e os preparam
para a guerra santa contra os infiéis.
Talibãs
ambientalistas costumam recrutar novos seguidores nas
vizinhanças de áreas onde os infiéis planejam implantar
aterros sanitários, estações de tratamento de esgotos,
penitenciárias, hidrelétricas, aeroportos, centros de
convenções e outras obras impuras.
As escolas de
pilotagem já estão se prevenindo contra a possibilidade
de que alguns deles se matriculem em seus cursos.
*Engenheiro e consultor ambiental |