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Os talibãs do ambientalismo

Rogério de Campos Teixeira*
www.alerta.inf.br

 

Em 1660, a Royal Society of London adotou como lema a frase latina Nullius in Verba, que significa algo como “a palavra de homem nenhum será final”, em oposição ao dogmatismo católico, que num de seus axiomas básicos estabelece a infalibilidade papal, ainda que restrita a questões de fé. Manifestações dogmáticas sobre questões ambientais são cada vez mais frequentes numa vertente fundamentalista do movimento ecológico. Como qualquer outro tipo de fundamentalismo, seja ele de natureza religiosa ou política, o fundamentalismo ambiental também tem suas verdades absolutas, seus credos infalíveis, seus livros e seus aiatolás.


O talibã ambiental pode assumir a forma de um jovem barbudo preocupado com os insetos, ou ter um ar cansado do professor que há décadas se imagina travando árduas batalhas em defesa das nascentes e das áreas de preservação permanente, como pode ser um mulá que se julga acima de tudo e de todos na interpretação e na defesa das leis; enfim, são muitos e multifacetados os fundamentalistas que fizeram do meio ambiente a sua causa (ou o seu meio de vida).

Na defesa de seus dogmas usam e abusam de denúncias infundadas e de palavreado vazio aparentemente técnico e supostamente científico, contestam atos oficiais amparados por leis quando estes não lhes convêm, e aplaudem em caso contrário. Podem assim transformar um simples ofício num santo ofício e dar a pareceres o valor de verdades absolutas quando estes alimentam a sua fé e os preparam para a guerra santa contra os infiéis.

Talibãs ambientalistas costumam recrutar novos seguidores nas vizinhanças de áreas onde os infiéis planejam implantar aterros sanitários, estações de tratamento de esgotos, penitenciárias, hidrelétricas, aeroportos, centros de convenções e outras obras impuras.

As escolas de pilotagem já estão se prevenindo contra a possibilidade de que alguns deles se matriculem em seus cursos.

*Engenheiro e consultor ambiental