|

Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma
manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio
Vremeio. Deve de ser porisso que tenho tanta difilcudade
de entender tanta côsa que acontece neçepaíz.
Uma dessas
côsa é as manias do seu Dáro Bergui, o nosso prefeito
imperfeito, de aumentar vaga nas creche municipáli pra
sustentar os filhos dozotro com o dinheiro de todos.
Credo em cruji! Dicapoco começa a faltar criança pra
tanta creche de graça!
Vai ver, o
prefeito imperfeito está investindo no ramo da indústria
do voto carente de políticas públicas. Pode ser a
vingança saramaligrina dele contra os Amin! Ao invés de
adevorver o feudo do casalzinho aquele, o seu Bergui
transforma a Ilha da Magia num grande negóço de futuro:
vem gente de longe pra ser educado como votinho carente
pras próximas vinte inleição. Vai ver, é clientela pra
futura deputada dona Rosa Bergui, a atual secretária
Municipal da Criança, do Adolescente, do Idoso, da
Família e do Desenvolvimento Social de Florianópolis
(ufa!), codinome fantasia: Indústria da Creche de Grátis
S.A.
Ô, seu
Bergui, mô cravo! Dijaôji andas entendendo máli as
reivildicação das massa: as falta de oportunidade que os
pobre vévim reclamando não é de vaga em creche, não! Os
carente percisam é de muita oportunidade dos jaguara
endurecer os manjuvão e bater os coroto nas pomboca
acesa, sem embarrigar as mundiça, mô lindo! Vinhas tão
bem... ô! Vê se te liga: esse povo em situação de risco
social tá carente é de natalidade consciente, de
paternidade arresponssávi. Dá oportunidade pr’eles nessa
área, seu Dáro.
No mô fraco
modi pensar, o senhôri devia era de inventar um projeto
que invertesse o dito bíblico “crescei e
multiplicai-vos”, tás tolo! Tipo assim: premero o senhor
crecei-nos e só depois ajuda eles a se multiplicai-vos,
saca?
A muierada
bem de vida e inducada, que nem a dona Rosa Bergui, tem
um filho ou dois. As pobre e sem instrução, que ela
governa na Secretaria Sociáli, é de três pra fora. Tem
cinco, nove, doze, trocentos! É filharada de agranel! Pô,
dona Rosa! Passa o exemplo pressas aí, minha lindinha.
Cria um projeto na Secretaria pra ensinar como é que se
faz aquilo bem gostosinho, sem fazer isso que a gente vê
vendendo porcaria nas sinalêras, pedindo esmola nas
escadaria de igreja e dormindo tiritando de frio nos
banco das praça púlbica...
Pois é.
Deve de ser por isso que se diz que quem estuda bota
menos filho nesse mundo de meu Deus: é que livro percisa
ler lido. Já quem não tem o que comer de comida também
não vai ter dinheiro pra comprar livro, né? Então,
então. Esses vão no Koeriche, compram TV de plasma em 72
prestações, e adipôji comem xereca três vez por dia, só
osvindo plim-plim. É dê-lhe batê coroto nas cabeluda: de
minhê, osvem a Ana Maria Praga; de tarde, a novela que
Não Vale a Pena Ver de Novo. De noite eles apercuram os
Caminho das Índia...
Quanta
injustiça social. Pros carente falta de tudo: falta lei,
emprego, saúde, creche, segurança, educação, casa e
comida. E um bom pograma de controle de natalidade. Vai
ver, é pra nunca faltar filho pra viver no meio da falta
disso tudo. Adipôji, vévim dizendo que a redistribuição
de renda tá errada, e que quem produz neçepaíz bota
pouca comida na mesa dos pobre. No mô fraco modi pensar,
os pobre é que tão botando gente demais na mesa de quem
produz.
Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói. |