Cacá Menéia

JUNHO/2009
 

Creche De Grátis S.A.

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Deve de ser porisso que tenho tanta difilcudade de entender tanta côsa que acontece neçepaíz.

Uma dessas côsa é as manias do seu Dáro Bergui, o nosso prefeito imperfeito, de aumentar vaga nas creche municipáli pra sustentar os filhos dozotro com o dinheiro de todos. Credo em cruji! Dicapoco começa a faltar criança pra tanta creche de graça!

Vai ver, o prefeito imperfeito está investindo no ramo da indústria do voto carente de políticas públicas. Pode ser a vingança saramaligrina dele contra os Amin! Ao invés de adevorver o feudo do casalzinho aquele, o seu Bergui transforma a Ilha da Magia num grande negóço de futuro: vem gente de longe pra ser educado como votinho carente pras próximas vinte inleição. Vai ver, é clientela pra futura deputada dona Rosa Bergui, a atual secretária Municipal da Criança, do Adolescente, do Idoso, da Família e do Desenvolvimento Social de Florianópolis (ufa!), codinome fantasia: Indústria da Creche de Grátis S.A.

Ô, seu Bergui, mô cravo! Dijaôji andas entendendo máli as reivildicação das massa: as falta de oportunidade que os pobre vévim reclamando não é de vaga em creche, não! Os carente percisam é de muita oportunidade dos jaguara endurecer os manjuvão e bater os coroto nas pomboca acesa, sem embarrigar as mundiça, mô lindo! Vinhas tão bem... ô! Vê se te liga: esse povo em situação de risco social tá carente é de natalidade consciente, de paternidade arresponssávi. Dá oportunidade pr’eles nessa área, seu Dáro.

No mô fraco modi pensar, o senhôri devia era de inventar um projeto que invertesse o dito bíblico “crescei e multiplicai-vos”, tás tolo! Tipo assim: premero o senhor crecei-nos e só depois ajuda eles a se multiplicai-vos, saca?

A muierada bem de vida e inducada, que nem a dona Rosa Bergui, tem um filho ou dois. As pobre e sem instrução, que ela governa na Secretaria Sociáli, é de três pra fora. Tem cinco, nove, doze, trocentos! É filharada de agranel! Pô, dona Rosa! Passa o exemplo pressas aí, minha lindinha. Cria um projeto na Secretaria pra ensinar como é que se faz aquilo bem gostosinho, sem fazer isso que a gente vê vendendo porcaria nas sinalêras, pedindo esmola nas escadaria de igreja e dormindo tiritando de frio nos banco das praça púlbica...

Pois é. Deve de ser por isso que se diz que quem estuda bota menos filho nesse mundo de meu Deus: é que livro percisa ler lido. Já quem não tem o que comer de comida também não vai ter dinheiro pra comprar livro, né? Então, então. Esses vão no Koeriche, compram TV de plasma em 72 prestações, e adipôji comem xereca três vez por dia, só osvindo plim-plim. É dê-lhe batê coroto nas cabeluda: de minhê, osvem a Ana Maria Praga; de tarde, a novela que Não Vale a Pena Ver de Novo. De noite eles apercuram os Caminho das Índia...

Quanta injustiça social. Pros carente falta de tudo: falta lei, emprego, saúde, creche, segurança, educação, casa e comida. E um bom pograma de controle de natalidade. Vai ver, é pra nunca faltar filho pra viver no meio da falta disso tudo. Adipôji, vévim dizendo que a redistribuição de renda tá errada, e que quem produz neçepaíz bota pouca comida na mesa dos pobre. No mô fraco modi pensar, os pobre é que tão botando gente demais na mesa de quem produz.

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
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