Artigo:

 

A natureza da bobagem

Reinaldo Azevedo*

 

O ministro Carlos Minc, ou Minc Leão Dourado, como o chamo, em homenagem à sua rara exuberância, está fora de qualquer controle. De que controle? Dos ruralistas? Dos ambientalistas? Dos médicos especializados em comportamento? Não! Ele está fora do controle republicano. Desde, diga-se de passagem, que participou daquela tal Marcha da Maconha, onde desandou a dizer bobagens. E não parou mais. Afinal, precisamos de um ministro do Meio Ambiente que seja contra a queima de mato…

Durou pouco a construção da figura do ambientalista sensato, que parecia saber equilibrar as necessidades da preservação do meio ambiente com as exigências da economia. Minc está com saudade daquele sujeito que metia batata em escapamento de ônibus.

Seu ataque aos produtores rurais brasileiros — chamou-os de “vigaristas”, sem distinção, em praça pública — é motivo, sim, para a ação da senadora Katia Abreu (DEM-TO) — taí uma senadora de coragem. É uma irresponsabilidade tratar todo um setor da economia brasileira, que responde, em grande parte, pela estabilidade econômica experimentada pelo governo Lula, como um bando de desmatadores. Há, claro, a questão de fundo, que ainda será devidamente tratada neste blog, a saber: opor preservação a desenvolvimento da agroindústria é uma tolice. Mas também é preciso harmonizar as leis ambientais. Vive-se uma barafunda nessa área, que expõe o setor à sanha da militância.

Querem um exemplo? O Greenpeace — esse movimento notório por saber plantar notícias na imprensa e atacar quem planta comida — está hoje nos jornais acusando o próprio governo de incentivar desmatadores à medida que o BNDES financia frigoríficos. Qual é o ponto dos valentes? Parte da carne desses frigoríficos viriam de pastagens ilegais, em áreas de preservação. Até aí, o leitor poderia dizer: “É, Reinaldo, então faz sentido”. Querem ver? A ONG faz Uma lista das empresas que estariam comprometidas com o desmatamento. OK. Agora Leiam este trecho de reportagem do Estadão a respeito: “A ONG não diferenciou o corte permitido por lei (até 20% da propriedade na Amazônia) do ilegal. ‘Para nós, um desmatamento de mil hectares é um escândalo, seja ele legal ou ilegal’, diz Muggiati. Um hectare equivale a um campo de futebol, aproximadamente.’” Vale dizer: temos um movimento dito ambientalista que sataniza empresas com base em “leis” próprias.

Há um verdadeiro movimento organizado contra a agroindústria, como se, de um lado, estivessem os homens bons, que querem preservar as matas — sob os auspícios da entidade Marina Silva e seu xale protetor — e, de outro, os homens maus, que gostam mesmo é de destruir a natureza. Calma lá! É preciso distinguir bandoleiros de produtores rurais. ONGs e Minc estão botando todos no mesmo saco de gatos pardos.

Ou se tem juízo nessa história ou se deixe a produção rural brasileira nas mãos diligentes de Cristiane Torloni e Victor Fasano, os ambientalistas tardios que não sabem, literalmente, a diferença entre o alho e o bugalho.

*www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
02/06/2009