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É
estarrecedora a constatação de que o Estado de Santa
Catarina possui apenas um índice mínimo de seu
território coberto por sistema coletivo de esgoto
tratado, ficando atrás até mesmo de alguns estados do
empobrecido Nordeste.
Na lista
das 10 melhores cidades de Santa Catarina, em matéria de
acesso à rede geral de esgoto, a Capital é apenas a 7ª
colocada, com arredondados 46% de cobertura. São menos
de 500 quilômetros de extensão da rede: 11.994 mil
metros cúbicos de esgoto coletados e tratados por ano.
Também é
preciso observar que em muitos lugares de alta
sensibilidade em Floripa, inclusive em alguns dos
balneários preferidos pelos turistas, a rede de esgoto
ainda praticamente inexiste e o abastecimento de água
durante a alta temporada fica seriamente comprometido.
Além disso, em muitos pontos onde a rede pública de
esgotamento sanitário já foi implantada, é notório que
grande parte dos moradores - inclusive muitas pousadas
que atuam na informalidade - ignora solenemente a
necessidade de ligar-se à rede.
Tá. O
Brasil todo vai muito mal das pernas nos afamados
“direitos socioambientais”, que são o principal assunto
nos “projetos” de nove entre dez das quase 300 mil ONGs
que atuam no país. Mas saneamento básico não é
prioridade nessas pautas. Um bom exemplo é o Estado do
Pará: com apenas 4% de seu território coberto por
sistema coletivo de esgoto e tratamento, o desmatamento
é insistentemente tratado pelo poderoso lobby da
eco-militância como o Problema Ambiental Número 1.
Em recente
matéria, intitulada “Saneamento - e não a Amazônia - é o
principal problema ambiental do Brasil”, no site Alerta
em Rede - Desenvolvimento, Integração e Infra-estrutura
(http://www.alerta.inf.br/), Nilder Costa questionou:
“Alguém já ouviu o Greenpeace ou outros atores
‘socioambientais’ de mesmo naipe, que proliferam na
‘Amazônia’ como aguapé, devotarem ao saneamento básico
um centésimo de suas milionárias campanhas regadas a
ecodólares pretensamente para “salvar” a floresta? Com
as colossais reservas ambientais que foram criadas no
Pará por pressão de ONGs internacionais, não admira que
a floresta e os bichos nelas existentes estejam muito
mais protegidos que os paraenses.”
Em Floripa
também é assim. Alguém dá um tapa numa macega de
restinga ou solta um pum no mangue, saltam umas 20 ONGs
ambientalistas para arrastar o sujeito pelo pescoço para
dentro de uma ação civil pública - que sai de graça para
eles. Com suas multas, ajustes de conduta e coisas do
gênero, essas ações despejam R$ nos fundos judiciais
que, lá na frente, são distribuídos... para as ONGs e
seus projetos de salvação ambiental!
Quando se
presta bem atenção ao cenário como um todo, constata-se
que não somente raras dessas ONGs têm no currículo
atividades relacionadas a melhorias nos índices de
saneamento básico da população, como a maioria de seus
dirigentes, em suas próprias edificações professa a
ecologia da cloaca. Para boa parte dessa gente, tanto
rigor na preservação do meio ambiente serve mais para
assegurar o paraíso de mangues e restingas em torno da
servidão em que moram. Onde, constata-se em muitos
casos, não existe esgotamento sanitário. Fala sério!
A
preservação ambiental de nove entre 10 ONGs é xiita e
ideológica: lutam contra a implantação de residencias
formais, infra-estruturados inclusive com estações de
tratamento próprias - esses empreendimentos são presas
de intensa perseguição na cidade, sempre em nome da
santa ecologia - mas não dão a mínima para os núcleos de
favelas que se multiplicam, onde se faz xixi e cocô em
cloacas cavadas sobre reservas ambientais - inclusive de
água potável. Não bastasse isso, tem entidade
denuncinado e pedindo embargo de obras de estação de
tratamento de esgoto e de subestação de energia, de
iniciativas do próprio poder público...
Nilder
Costa lembra que a chaga social da falta de saneamento
atinge o mundo inteiro.
As
informações do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud) são alarmantes: “cerca de 1,5
milhão de crianças morrem por ano pela ingestão de água
de má qualidade, bem como pela falta de higiene e
saneamento adequados (4.900 mortes por dia). Um terço da
população mundial (cerca de 2,6 bilhões de pessoas)
vivem sem saneamento adequado, das quais 980 milhões são
meninas e meninos”.
Costa
denuncia: “Devido à grande difusão pela imprensa, boa
parte da população se inteirou que hoje é o dia Mundial
do Meio Ambiente, mas quantos ficaram sabendo que a ONU
elegeu 2008 como Ano Internacional do Saneamento? Ou
ainda que, no ano passado, o British Journal of Medicine,
uma das mais antigas e respeitadas publicações médicas
do mundo, fez uma pesquisa entre mais de 13 mil médicos
de todo o mundo que apontou (com larga margem) o
saneamento básico como a maior conquista da medicina nos
últimos 150 anos, bem à frente dos antibióticos,
vacinas, anestesia e descoberta do DNA?”
“No
entanto”, conclui, “graças a uma bem orquestrada
superexposição promovida mundialmente pelo aparato
ambientalista, a preservação da ‘Amazônia’ aparece como
o problema ambiental Número Um do Brasil, quando não o
é”.
É batata!
Igualzinho ao que acontece em uma certa ilha conhecida
como a Capital de melhor qualidade de vida do país, cuja
população literalmente “vive na fossa”, para não dizer
“na m...”, como Cacau Menezes muito bem lembrou em sua
coluna.
E a
militância eco-xiita que, uma vez que outra até critica
o poder público por não investir em obras de saneamento
básico porque elas não aparecem, faz a mesma coisa em
seu segmento dedicado a defender o meio-ambiente. Só
preserva as aparências. |