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A Audiência Pública sobre insegurança

 

Paulo Simões

 

A fraca participação dos moradores na audiência pública realizada no dia 8 de junho, em Ingleses, poderia sugerir que o problema não aflige a população. Aflige, e muito. A questão que se impõe é outra: Por que aquelas cerca de cinquenta pessoas tiveram de abandonar seus lares na noite de uma terça-feira para implorar o de sempre? Mais policiais nas ruas, mais viaturas circulando, mais rigor com a bandidagem, etc, etc, etc. Ora, se isso ainda não é de conhecimento das instituições e órgãos públicos que se fizeram representar - também em número pífio - ou não, é por pura incompetência. Ou desleixo. Ou as duas.

Do Rio Vermelho, onde semanas antes a Rodovia João Gualberto Soares foi fechada por cerca de uma hora para discursos inflamados e palavras de ordem do oportunismo militante de sempre, compareceram não mais de seis moradores. Representação quase nenhuma do Núcleo de Lideranças de Ingleses, e zero dos notórios dos “movimento sociais” e “sociedade civil organizada”, aquela minoria estridente que, nas suas conveniências ideológicas, se fantasia de detentora do monopólio das “lutas populares” da maioria por políticas públicas. Eles são bons em obstruir saneamento básico, mas para reivindicar mais PMs nas ruas não conte com eles.

Esta audiência, sem a presença de representantes da prefeitura, do Ministério Público e da turba militante, desnudou a presença insignificante de moradores de uma região com cerca de 200 mil habitantes, sintoma que muitos preferem ignorar. Mas já não é de hoje o desencanto das pessoas com as sucessivas convocações para “debates” manipulados que nunca chegam a solução nenhuma para coisa alguma.
É a percepção do homem comum sobre uma cidadania politicamente “fashion”, um modismo que cansa. Por ele, as necessidades mais básicas das pessoas tornam-se reféns de um “participativismo enganoso” - lamentavelmente ainda sem Procon -, em que os indivíduos reiteradamente são convocados a, por certos períodos, engordar “coletivos” vistosos e ruidosos, compondo platéias-simulacro de legitimação, segundo interesses eleiçoeiros.

Mandato não é contrato de experiência, ora bolas! Quem não sabe - às vezes depois de várias eleições - o que a população espera de quem ocupa cargos eletivos, e ainda por cima demonstra pouca memória para o que ela implora incansavelmente na imprensa (ou nem lê) - que caia fora.

Está ficando muito clara a manipulação que políticos - e até instituições como o MP - promovem, amparados por alguns líderes sociais e suas massas de inocentes úteis (ou seria o contrário?). Sem a presença da turba, os eventos caem na realidade do desinteresse da população que, fazendo sua parte com responsabilidade, já está fazendo o suficiente para uma boa convivência com os demais cidadãos.

Não é que a novela seja mais importante. Ela é apenas mais interessante e sem hipocrisias: os autores assumem que novela é apenas uma ficção.