Julho/2011

Artigo

 

Ingenuidade e memória curta

Rodrigo Constantino

para o Instituto Liberal

 

 

Não são poucos os que passaram a acreditar nas melhores intenções da presidente Dilma com esta “faxina” no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos maiores antros de corrupção do governo. A demissão de vários funcionários ligados aos caciques do PR causou a impressão, em alguns, de que a presidente pretende fazer uma limpa no governo. Seria a “vassoura” moralista de uma presidente intolerante com a corrupção. E ainda tem quem compre essa tese!

Como o brasileiro costuma ter memória curta, é sempre bom ajudá-lo a refrescá-la. Esta mesma Dilma Rousseff, agora presidente, era a ministra poderosa do corrupto governo Lula, aquele do “mensalão”. Foi Dilma quem alçou ao elevado posto de ministra-chefe da Casa Civil sua aliada próxima, Erenice Guerra. Erenice, para quem já não lembra mais, caiu envolta em escândalos de corrupção e nepotismo. Erenice, para quem já esqueceu, era o braço-direito de Dilma. Erenice, para as vítimas de Alzheimer, estava no dia da posse da nova presidente, como convidada especial da própria.

Este recém-adquirido moralismo da presidente só convence alguém muito ingênuo mesmo. A ajuda que a grande imprensa tem dado a esta imagem até é fácil de entender: estão aproveitando a oportunidade para pressionar uma presidente fraca a tomar medidas salutares contra a corrupção, na tentativa de separá-la da imagem do ex-presidente Lula, sempre disposto a beijar a mão dos maiores corruptos. A própria presidente pode estar aproveitando isso para conquistar parte da classe média, enojada com os infindáveis casos de roubalheira no governo.


Mas não há desculpas para quem realmente abraça a tese da presidente moralista e intolerante com a corrupção. Dilma foi cúmplice de Lula, que foi cúmplice de Delúbio Soares e José Dirceu; todos eles são farinha do mesmo saco. E como minha memória vai mais longe ainda, aproveito para questionar aos que admiram o esforço “genuíno” de Dilma pela moralidade: onde foram parar aqueles US$ 2,6 milhões roubados do cofre de Adhemar de Barros pelo grupo guerrilheiro VAR-Palmares, do qual Dilma fazia parte no passado?

 

*O autor é economista
(www.rodrigoconstantino.blogspot.com)
e diretor do Instituto Liberal
www.institutoliberal.org.br