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Não são poucos os que
passaram a acreditar nas melhores intenções da
presidente Dilma com esta “faxina” no Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um
dos maiores antros de corrupção do governo. A
demissão de vários funcionários ligados aos caciques
do PR causou a impressão, em alguns, de que a
presidente pretende fazer uma limpa no governo.
Seria a “vassoura” moralista de uma presidente
intolerante com a corrupção. E ainda tem quem compre
essa tese!
Como o brasileiro
costuma ter memória curta, é sempre bom ajudá-lo a
refrescá-la. Esta mesma Dilma Rousseff, agora
presidente, era a ministra poderosa do corrupto
governo Lula, aquele do “mensalão”. Foi Dilma quem
alçou ao elevado posto de ministra-chefe da Casa
Civil sua aliada próxima, Erenice Guerra. Erenice,
para quem já não lembra mais, caiu envolta em
escândalos de corrupção e nepotismo. Erenice, para
quem já esqueceu, era o braço-direito de Dilma.
Erenice, para as vítimas de Alzheimer, estava no dia
da posse da nova presidente, como convidada especial
da própria.
Este recém-adquirido
moralismo da presidente só convence alguém muito
ingênuo mesmo. A ajuda que a grande imprensa tem
dado a esta imagem até é fácil de entender: estão
aproveitando a oportunidade para pressionar uma
presidente fraca a tomar medidas salutares contra a
corrupção, na tentativa de separá-la da imagem do
ex-presidente Lula, sempre disposto a beijar a mão
dos maiores corruptos. A própria presidente pode
estar aproveitando isso para conquistar parte da
classe média, enojada com os infindáveis casos de
roubalheira no governo.
Mas não há desculpas para quem realmente abraça a
tese da presidente moralista e intolerante com a
corrupção. Dilma foi cúmplice de Lula, que foi
cúmplice de Delúbio Soares e José Dirceu; todos eles
são farinha do mesmo saco. E como minha memória vai
mais longe ainda, aproveito para questionar aos que
admiram o esforço “genuíno” de Dilma pela
moralidade: onde foram parar aqueles US$ 2,6 milhões
roubados do cofre de Adhemar de Barros pelo grupo
guerrilheiro VAR-Palmares, do qual Dilma fazia parte
no passado?
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