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Gente que
deplora o que chama de “golpe” em Honduras, mas que
considera Hugo Chávez um democrata; que acha um absurdo
(e eu também acho) que se corte temporariamente o sinal
de TV de um país, mas que considera legítimo que uma
emissora privada seja confiscada na Venezuela;
“defensores da liberdade” dessa qualidade, enfim,
escrevem para cá: “Você viu? A Assembléia Geral da ONU
condenou por unanimidade o golpe, e você vai dizer o
quê?” Eu?
O mesmo que
vinha dizendo. O mesmo que escrevi com base na
Constituição democrática de Honduras. O mesmo que
afirmei ao analisar os atos de Manuel Zelaya quando na
Presidência: ele é um golpista. Ele, sim, tentou dar
golpe nas instituições. Contrariou frontalmente o artigo
239 da Carta de seu país; jogou outros no lixo quando
ignorou a corte suprema; enfiou as patas traseiras pelas
dianteiras quando de uma ordem ao Exército contra a
decisão da Justiça. Ele é golpista.
Se a
Assembléia Geral da ONU, sob o comando de um vigarista
ideológico e teológico (ele era padre…) como o
nicaragüense Miguel D’Escoto não reconhece essa
condição, o que tenho com isso? Desde quando a ONU é meu
farol? Acho até que já pedi o fechamento desta mega-ONG
aqui. Quem gostava da ONU era o filho de Kofi Annan. A
ongona fez a fama do pai e a fortuna do filho… Preciso
desenhar?
Agora é que
fico ainda mais à vontade para denunciar a impostura.
Está claro que estamos sob, digamos, a influência de uma
metafísica que considera ilegítimos os “golpes
militares”, como dizem por lá, mas que se cala diante de
golpes civis. Corroer a democracia por dentro; solapá-la
com base em consultas populares; “ouvir o povo”, com
disse Lula, como mero pretexto para impor ilegalidades,
bem, tudo isso está valendo.
QUE A
DECISÃO LÁ TOMADA SIRVA DE ADVERTÊNCIA AOS NATIVOS! Sim,
aos brasileiros. Saibam: por aqui também, então, um
maluco qualquer, se eleito, pode fazer o que bem
entender desde que submeta suas maluquices à “consulta
popular”. Desde que “ouça o povo”. Aquele equilíbrio
entre legal e legítimo, base da civilização democrática,
desaparece, e se fica, então, com a voz das ruas. Se o
mandatário decidir dar um pé no traseiro da Justiça,
como fez Zelaya, o mundo se cala porque isso é “problema
interno”. Se ele for deposto segundo a lei — e foi o que
aconteceu em Honduras —, bem, aí, então, há essa comoção
e exigência para que volte ao poder. OS DITADORES DO
MUNDO VIVEM O SEU DIA DE GLÓRIA.
As
fraquezas do governo Obama começam a aparecer. Ponham aí
na ponta do lápis o número de ditadores no mundo e
enumerem as ameaças à ordem democrática. Ao fim de seu
primeiro mandato (sim, ele deve ser reeleito, salvo um
desastre protagonizado por terroristas, o que rezo para
não acontecer), vamos refazer a contagem. E também
analisar se o mundo estará mais seguro. E façamos o
mesmo depois de oito anos.
O pilantra
hondurenho vai agora para a OEA, cujo secretário-geral é
o esquerdista bocó José Miguel Insulza. Ele não viu nada
demais em Zelaya afrontar a Constituição, a Justiça, o
Congresso e dar uma ordem ilegal ao Exército. Mas chama
a aplicação da Constituição de golpe. É o mesmo sujeito
que elogiou o referendo de Chávez, que lhe concedeu o
“direito” à reeleição ilimitada — numa campanha em que a
oposição foi praticamente impedida de sair às ruas.
Quando o
demônio agora aposentado Jorjibúxi estava no poder,
Chávez se tornava mais notável por ser um ditadorzinho
caricato — embora tenha espalhado a sua influência muito
além da Venezuela. E, pois, foi um erro permitir que
prosperasse.. Agora que temos na Casa Branca o Sassá
Mutema formado em Harvard, Chávez passou a ser uma
liderança continental.
É isso aí.
A influência americana está em declínio no continente,
para felicidade de muitos. Finalmente temos um
presidente dos EUA que presta atenção ao paradigma
democrático proposto por iluministas como Daniel Ortega
e Hugo Chávez, um poder feito de excesso de orelhas e
beiços. O Brasil ainda acaba fornecendo o cérebro a esse
monstrengo…
ONU? Aqui??
No meu blog??? Numa assembléia sob o comando do
sandinista Miguel D’Escoto???? Aqui, ele não passa do
risco de um trocadilho abaixo da cintura moral!!!!
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http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo
30/06/2009 |