Cacá Menéia

julho/2008

 

IMORALTÓRIA

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio.

Deve de ser por isso que tenho essa imeeeensa difilcudade de entender o Decreto da Imoraltória que os Movimentos Comunistários e a Sociedade Civil Onganizada quer que os iscumunguentos dos vereadôris aprovem, para impedir a construção de novos edifícios na Ilha Capitáli. É só porque vem gente demáji morar em Floripa, né? Ué?! Mas então? Pra gente demáji não tem que ter moradia demáji? E se não esticar a cidade para cima, empilhando as residença, isso ainda vai dar côsa... não demora muito e os loteamentos de servidão clandestina que escorrem dos morros, vão emendar com os loteamentos clandestinos das dunas e com os loteamentos clandestinos dos mangues, e... vão entrar mári a drento, virando palafita! Tás tolo! Vai dar gente morando a barlavento, num tem?

Ademáji... eu é que passei da conta do bafômetro na dose de pinga ou a proposta foi escrita por algum bebum? Vão algemar com a Imoraltória os prédios verticális dos empresários e deixar livre e desimpedida as obras clandestinas horizontális? No mô fraco módi pensar, invêis de enfiar a Imoraltória no rabo dos profissionális da construção, deviam de baixar o cacete da Ação Fiscalizatória nas guampas dos amadores da ocupação desordenada. Arrombassi, Layla!

Tá. Já entendi. É que Ação Fiscalizatória não paga a pena, porque clandestino ninguém sabe quem é: não tem nome, endereço, nem rosto. É mais fácil decretar Imoraltória nos empresário banzo, que todo mundo conhece... E ai deles que n’obedeça as lei! O MP entrega os nomes e endereços pra PF chegar na madruga com o mandado, adentrar no recinto e - plact! - algemar os pulsos dos empresários por suspeita, com as carinha de tanso virado pras câmara de tevelizão: Plim, plim!

Então, então... Não era mióri os empresários largar dessa bobagera de edifício verticáli, e virar ocupador clandestino horizontáli, que nem todo mundo? Também dá bom lucro e não dá cadeia.

Ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
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