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“Galego da carroça”, como é conhecido o manézinho Valmir
Anísio Soares (37), reconhece que desperta admiração e
aborrecimento. “Os turistas param o carro para me
conhecer e tirar fotografias para levar de recordação
das férias na Ilha. Mas tem gente daqui que reclama do
rangido das rodas quando eu passo”, conta o filho do seu
Anísio Rodolfo e da dona Irondina Maria, ambos também
nativos da Ponta das Canas, Norte da Ilha.
Galego vai em frente, seguindo a tradição e
transmitindo-a ao filho: quando Guilherme (12) não está
na aula ou fazendo as lições de casa, está trabalhando
com o pai na carreta. Tainá (10) ajuda a mãe em casa.
“Meus pais me criaram assim, crio meus filhos assim e
gosto do que faço”, diz.
Valmir faz fretes com sua carreta. Carrega de tudo: faz
mudança residencial, comercial, transporta animais,
retira podas, recolhe lenha e recicláveis. Ele acha que
ganha mais com este trabalho do que ganharia em uma
outra profissão qualquer. E se sente em casa durante
todo o “expediente”.
“A vantagem da carreta é que vou a lugares onde não se
vai de outro jeito”, garante. Em Florianópolis é muito
comum que os caminhos terminem em verdadeiras picadas,
muitas vezes atravessando morros, costeando mangues, o
mar e cruzando a areia. Mas os bois do Galego não ligam
para a diferença entre asfalto e estrada de chão.
Entre um carreto e outro, Valmir se dedica ao projeto de
reconstrução do engenho da família, que ele quer
transformar em outra atração turística para
Florianópolis.
A linda parelha da foto é Baiano e Faceiro, mas um amigo
pediu e Anísio construiu uma carreta nova, atrelou outra
parelha - Estrelo e Picaço -, e vendeu o conjunto
antigo, completo, para o amigo. “A Festa de São Pedro
estava chegando e tinha só uma carreta de boi para o
desfile”, justificou.
Agora são dois rangidos diferentes para aborrecer alguns
moradores de Ponta das Canas. Mas, em compensação, há
duas lindas carretas de boi para que os turistas levem
consigo lembranças de mais uma tradição da Ilha que está
se perdendo. |