Janeiro / 2011

 

Apercuradôris do zíndio

 

cacameneia@yahoo.com.br

 

 

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Eu sou só uma manezinha, nascida e criada no Rio Vremeio. Dizem que é por isso que me tornei mazanza desse jeito, com difilcudade pra entender as côsa máji comprexa... por inzemplo, as ação púlbica indígena dos apercuradori federáli, aqueles, os cumpanhêro de sevriço no MPF: a galega dona Naluz e o seu Barangão. Pois é. Mas uma côsa é uma côsa e otra côsa é otra côsa... bem deferente, arreparassi?

O seu Barangão se espeçalizô-se nas tradição do zíndio do norte, lá da Mazona. Mas se atransferiu-se de lá, naonde o zíndio ainda são muito dasantiga, mô quiridos. Então, então... osvi dizer que o apercuradôri trouxe atiracolo com ele até um outropólogo que sabe tudo de tradição do zíndio. É que os outropólo nosso daqui de Santa Catarina não tão c’o nada...

O zíndio da Mazona vévi nas tribo no mato e andam peladão. Os homi c’os bigolim e os corôto balançando e as muié co’as pomboca e as teta de fora - nosapotreja, minha Nossa Senhora da Conceição da Lagoa! Mas eles são muito rico e podem comprar caminhonetão importado, rádiocomunicadôri, celulári e cãoputador. No mô fraco módi pensar, eles percisam dessas côsa porque a Mazona é grande pra dédeu e o zíndio são meiadúza de gato pingado de dono daquele mundão de floresta. Eles e mais as 3000 ONG da socedade incivil ONGanizada e dos movimento antisocial e comunistário que apotrege as riqueza dos matagal. Só ainda não se sabe quem potrege os índio e as riqueza... das ONG e de um pudê de côsa máji, tá tolo?

Bem deferente daqui do súli, naonde o zíndio são pobrinho. Coitadinhos deles! As ONG não querem aproteger o zíndio sem floresta mazônica, mas a dona Naluz é espeçalista neles.

Os nosso zíndio já se trajo bem moderninho, de brim coringa, avaiana, abrigo e tênis quichute, quiném os cara-pálida. E tem que morar nas beira das estrada asfaltada, naonde passam os ônibus coletivos de transporte. No verão, a galega Naluz otorizou ônibus de escursão c’os zíndio gaúcho pra’preservar as tradição nas féria em Floripa, hospedado no camping do Riovê. Nas horas valga, eles vende altesanato indígena enfeitado com uns brilho da 25 de Março pras cara-pálida bronzeada nazareia das praia. Osvi dizer, mô pombos, que a apercuradora Naluz ia inté requisitar uma loja no Ilhachópim pro zíndio gaúcho que ela apercura em Floripa, mas o intanguido do pajé deles disse que não paga a pena e vetou o projeto: quando a lua saltou das água do Moçamba, ele viu nas onda do mári que ia dar tormenta e o Ilhachópim ia alagar. E foi, virche santa! Foi tanta chuva, que as féria do zíndio tão no prejú. Mofas c’a pomba na balaia...

Pro ano que vem, o pajé devia de atusicar as bucica na dotôra Naluz pr’ela botar o zíndio de sócio na Cobrastur e alugar um avinhão charti pr’eles passar o verão no Nordeste. Nas praia de lá não dá essas tormenta de Floripa. Pelo meno não nas temporada turística. Arrombassi!

Não falta mais nada, o apercuradôri Barangão e o outropólogo aquele intentar de trazer o zíndio da Mazona pra veranear em Floripa. Ia ter que acampar os peladão na praia da Galheta. Dás um banho! Só que acampar na Galheta não póoode!

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
 
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