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Nesta semana em que se vive
dias de esperanças e sonhos, não custa nada lembrar que
o Brasil anda assumindo posições temerárias em relação a
seu passado. Afinal, sua história tem uma formação tão
fortemente cristã que seu primeiro nome foi “Terra de
Santa Cruz”.
É que estamos vivendo um
momento muito pouco ético, justo e solidário. A
corrupção é endêmica e até as vítimas dos achaques são
cúmplices na medida em que não esboçam uma legítima
reação. Este estado de coisas abre oportunidades para
que aqueles que têm o dever e a função constitucional de
defender a lei e preservar o interesse público engrossem
a corrente da venalidade. Estado sem Polícia, sem
Justiça e, portanto, sem a quem recorrer. São muitos e
conhecidos os casos de desvio de conduta entre policiais
e magistrados. E tudo continua na mesma.
No Legislativo, o deputado
Ciro Gomes, que por vezes não controla seu temperamento
explosivo, foi muito oportuno ao reclamar numa das
últimas sessões do Congresso do estranho poder de
parlamentares que não fazem por merecer o respeito e
muito menos a admiração de seus pares. Disse e a
imprensa, anestesiada, não repercutiu.
No campo do exercício
democrático, entramos dentro de dias num ano eleitoral,
com uma legislação viciada, que cria privilégios em
partidos que fogem ao modelo mais respeitado no mundo,
das prévias internas, para a criação de candidaturas
artificiais. Como se o povo fosse desprovido de
sensibilidade para discernir. O mais provável é que o
eleito não seja nem um nem outro dos nomes apontados em
pesquisas imperfeitas. Nestas, não se informa quanto a
rejeição e grau de conhecimento do candidato por parte
do eleitor. E muito menos se considera o valor das
alianças e da divisão do tempo na televisão.
Também o fato de o Brasil
estar na moda entre analistas internacionais, alvo de
especulação financeira perigosa, nos faz pensar que não
estão observando nossas despesas no custeio da máquina
pública ou as simpatias com figuras exóticas, como é o
caso dos dirigentes do Irã, Venezuela, Bolívia e
Equador. Isso sem falar de Cuba.
Não se protesta contra o
adiamento de uma obra da importância de Belo Monte por
mera ação irresponsável de funcionários encarregados do
licenciamento ambiental. O projeto existe há mais de dez
anos. Foi revisto e é considerado tecnicamente impecável
sob o ponto de vista econômico e ambiental. Mas se
permite que a turma do atraso impeça e adie
indefinidamente uma obra dessa importância. A carga
fiscal nas folhas de pagamento ainda vai aumentar,
estimulando a economia informal que está entre as
maiores do mundo. E nada disso inspira confiança.
Vivemos um cerco à
iniciativa privada nunca visto na nossa história.
Invasões de propriedade produtivas rurais, acusações
levianas a empresas e empresários, impostos cobrados de
maneira draconiana, avanço da presença estatal no
crédito – ponto sagrado para as esquerdas em todo mundo.
E ainda o sentimento de fragilidade face a um Judiciário
que penhora os recursos da folha de pagamento do pequeno
ou médio empresário para garantir um direito duvidoso –
por se tratar de casos em primeira instância –, apesar
de o Congresso ter aprovado projeto do deputado José
Carlos Aleluia que isentava desta penhora empresas de
até cem empregados. O projeto foi vetado e ficou por
isso mesmo.
Se não tomarmos juízo, essa
história de crescimento econômico se tornará mais uma
frustração para o povo, e em especial para a elite mais
culta, trabalhadora e responsável do Brasil. Afinal,
será mais uma oportunidade perdida, por falta de
coragem, de civismo, daqueles que estão abrindo mão do
poder que ainda possuem diante de uma máquina que a
todos e a tudo querem destruir. E não seria caso isolado
no mundo que vivemos.
Os votos de Feliz Ano Novo
para os que encaram a festa como ela é, da esperança, da
família e da cristandade. E com mais dignidade para os
que sabem que as coisas estão perigosamente erradas e
estão acovardados, omissos e até mesmo coniventes.
O autor é jornalista
e vice-presidente da Associação Comercial do Rio de
Janeiro |