POLÍTICA DE PAPAI NOEL

Thomas Sowell

 
A propaganda da senadora Hillary Clinton, mostrando os vários programas de governo como presentes sob a árvore de Natal, é um exemplo clássico de confusão política planejada.

Quem acredita que o governo do país dá presentes caiu na mais antiga de todas as ilusões – a ilusão de que se possa obter algo do nada.

O Papai Noel pode até ser o real vitorioso nas primárias, a se julgar pela forma com que os candidatos estão prometendo aos eleitores benesses governamentais.

O Papai Noel é bipartidário. A administração Bush está revelando um plano para salvar quem jogou e perdeu nos mercados domésticos quando a bolha estourou.

Agora, temos uma tradição bipartidária de o governo salvar as pessoas que se engajaram em operações arriscadas – seja por se posicionarem nos conhecidos caminhos dos furacões na Flórida ou em áreas repetidamente atingidas por incêndios florestais na Califórnia, seja por adotarem comportamentos que aumentem a possibilidade de se contrair AIDS.

Por que não salvar os indivíduos que torram suas economias em Las Vegas? Isso, pelo menos, seria consistente.

Aparentemente, os únicos supostos responsáveis são os contribuintes – e eles são crescentemente responsabilizados pela irresponsabilidade dos outros.

O serviço militar obrigatório acabou há muito tempo, mas os contribuintes estão obrigados a bancarem Papai Noel.

Se tomar o nosso dinheiro e desperdiçá-lo – ou melhor, usá-lo para comprar votos – fosse todo o mal que os políticos fizessem à economia, isso seria utopia comparado com todo o mal real que eles fazem.

O que é ainda mais importante é que os políticos conseguem vender a imagem de ser a solução para nossos problemas econômicos, quando, de fato, eles são o maior de todos eles.

Ainda hoje, há quem acredite que a economia de mercado fracassou no crash da bolsa em 1929 e que a Grande Depressão que se seguiu, nos anos 1930, exigia uma intervenção governamental.

Na realidade, a quebra do mercado acionário foi quase do mesmo tamanho e aconteceu quase no mesmo dia em 1987 – e se seguiram 20 anos de prosperidade, baixa inflação e desemprego.

Qual foi a diferença?

Os políticos – primeiro o presidente Hoover, e depois o presidente Roosevelt – decidiram que eles tinham de “fazer alguma coisa” depois da quebra do mercado acionário de 1929.

Em 1987, o presidente Ronald Reagan decidiu fazer nada – apesar das críticas amargas da mídia – e a economia recuperou-se por si própria e continuou a crescer.

Nunca ocorre a quem pensa que o governo deveria “fazer alguma coisa” – e isso inclui a maior parte da mídia – comparar os registros do que acontece quando o governo faz alguma coisa e do que acontece quando o governo deixa o mercado se ajustar por si mesmo.

 

Publicado por Townhall
Tradução Antônio Emílio Angueth de Araújo
Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade
de Chicago
e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos,
abordando tópicos como teoria econômica clássica
e ativismo judicial.Atualmente é colaborador
do Hoover Institute.
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