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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada
no Rio Vremeio e banhada na praia do Moçambique, aquela
que ninguém gosta, visse? Azareia do Moçamba vévi vazia.
Deve de ser por isso que tanto brigam por causo de falta
de espaço pr’ocupar azareia de outras praia da Ilha
Capitáli: elas tão lotada, tás tolo!
Lá na Florona, mô quridos, me dissero que azareia das
praia tudo é de todo povo, que é livre pra ocupar ela de
forma igualitariamente igual. Ah, bom! Deve de ser por
isso que em Jurerê, por inzemplo, intentam que a zareia
da praia deve de ter uma função social: a opção
preferenciáli de ser ocupada exclusivamente pelos
sem-bar - aqueles que não têm dinheiro pra gastar nas
bodega a beira-mári que dão lucro pros maldito
capitalista do neoliberalismo explorador dozoprimido.
Funciona assim: quem sai do sertão com a CNH vencida,
dirigindo uma C10 anos 70, e roda um eito com quatro
família completa esmagada na cabina, e a caçamba
atrolhada com 6 colchonete, três mesa e sete cadeira
plástica pé-quebrado (furtadas da Skol), dois garda-sóli
furado, quatro caixote dizopor com 120 latinha de ceva,
12 Caninha 51 e dois refri litrão, a sacola plástica de
supemelcado com um tapuéri cheio de pedaço de galinha de
despacho enfarofada - que se come co’as mão memo, não
tem? -, mais duas bola oficial pra “pelada” antes do
armoço e um cavaco, três pandeiro e um surdão -
arrombassi! - pro pagode no entardecer - UFA! -, tem
mais direito humano de ocupar azareia das praia do que
os bacana com roupa de grife, óculos rayban e rolex, que
estaciona o carrão do ano e desce c’as mão abanando, com
grana no banco pra passar o dia feito uns cheique
dazarábia, suas xerezade e os herdeiro, escarrapachados
nos colchão com dossel de seda que avoa suavemente co’as
brisa do mári, osvindo didiêi estranja e sendo atendido
quaji drento d’água, nas mesa com umbrelone, prato e
taiéri, por garção ninformizado, sem nem percisar
esgueiar o zoinho pra coluna dos preço do caldápo...
Ah, bom! É que rico não é povo, né?, mô cravos. E ocupar
azareia das praia com luxo e conforto pra essa raça de
turista que dá lucro pra empresário iscumunguento? Ni
nóis de Floripa, não, moço! Que se vão pro Nordeste.
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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