|
Na
Universidade Federal de Santa Catarina, existe um troço
chamado Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA). A
estrovenga é de fazer o professor El Bihdu Emir Sader
morrer de inveja. A principal atividade do IELA é
promover, atenção!, as Jornadas Bolivarianas. Sim, vocês
entenderam. Em abril, acontece a quinta edição. Aí o
leitor cético pensa assim: “Ah, Reinaldo, a UFSC não tem
nada com isso”. Tem, sim. Na página oficial da
universidade, as tais jornadas merecem destaque, como
vocês poderão ver.
Outro dia,
Marcelo Coelho — John Updike morreu sem conhecê-lo, ou
teria escrito o Coelho Saçarica — classificou meus
textos de supérfluos, embora fossem, disse, uma bússola.
Pois é... Coelho e eu ficamos velhos, ele mais. Pra que
serve aquele instrumento? Para apontar o norte. O norte
já chegou a ter alguma importância. Não tem mais. A
bússola tornou-se um instrumento de dominação. Os
bolivarianos brasileiros lançaram um novo verbo: “SULEAR”.
Eu juro: quando eles querem dizer que alguma coisa é
importante, escrevem que ela “SULEIA O DEBATE”.
Confundiram o pólo magnético com o imperialismo...
Abya
Yala
O IELA
explica no “quem somos” os seus propósitos e dá nome aos
dirigentes (transcrevo na língua em que está lá...):
“O IELA é
uma teia de relações horizontais, ligadas por um
interesse comum: uma Abya Yala - A América Latina -
livre, soberana e unida. Integrada, não apenas do ponto
de vista comercial, mas do ponto de vista humano,
cultural, político, econômico, social e artístico.
Integram
este grupo do IELA professores, estudantes,
investigadores e livre pensadores, todos buscando uma
outra maneira de viver no mundo, baseada na cooperação e
na solidariedade.
Cruzando os
quatro pontos da grande nação originária, esta rede
objetiva conhecer e dar a conhecer a vida que vive e se
expressa “desde el sur”.
A
principal atividade do IELA - UFSC é promover as
Jornadas Bolivarianas
Presidente
Nildo Ouriques, Coordenação Executiva Provisória Elaine
Tavares, Beatriz Paiva, Raquel Moysés, Equipe de Alunos
Colaboradores: Mirella Rocha Faria, Fiorella
Macchiavello, Leopoldo Nogueira Silva, Luis Felipe
Ayres, Juan Otalora Villami.”
Você deve
estar curioso para saber que diabo vem a ser “Abya Yala”.
Ah, gente: é “América Latina” na língua da etnia “Kuna”,
que habitava (habita ainda? Sei lá eu...) o Panamá e a
Colômbia. Abya Ayala vivia em paz antes de Colombo vir
perturbar nosso sossego com a Pinta, a Nina e a Santa
Maria. Pô, aqueles povos poderiam estar até hoje
oferecendo suas virgens a deuses nativos, autóctones...
Em vez disso, vieram os europeus com aquelas
complicações da Trindade, do Três em Um, com o Filho
sendo Pai de si mesmo... Ganhamos uma teologia mais
complexa e o sucrilho, mas e a felicidade eterna?
Esses
representantes de Abya Ayala estão no Fórum Social
Mundial de Belém — que custou aos cofres públicos quase
R$ 100 milhões. A atividade mais importante do evento é
a distribuição de 600 mil camisinhas para a Dança do
Acasalamento no Jurassic Park. É prevista para hoje a
presença de Lula, que estará acompanhado de democratas
como Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. A
delegação brasileira inclui ainda 13 ministros de
estado. Na tragédia de Santa Catarina, que me lembre,
foram apenas dois.
O
espetáculo promete. Ontem, na TV, um barbudo esquisito
dizia, com ar de vitória, mal contendo a satisfação com
a “crise do capitalismo”, que problema quem tem é Davos.
Uzoprimido têm é a solução. É... Enquanto a crise
estiver por aí, viveremos dias bem interessantes. Os
pterodáctilos — do Brasil e do mundo — realmente
acreditam que a história vai andar para trás e que o
capitalismo voltará a exigir a almofadinha de carimbo.
Aguardem!
Hoje será mais um dia para exorcizar o capitalismo. E os
quatro tenores ensinarão ao mundo como é que se governa.
Por
Pachamama!!!
Postado em 29/01/09
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo |