|
Em Santa Catarina, onde a escravidão
foi diminuta, uma cidade sem crônica de abrigar população de origem
africana está sob ameaça de um grupo que reinvidica a área central
do município.
Quem conhece os estados brasileiros
onde existem populações indígenas instaladas, percebe que o
paternalismo do Estado brasileiro em relação aos silvícolas está
sendo exagerado, permitindo desperdício do dinheiro público, falta
de segurança para obras de infraestrutura e mesmo atividades
privadas. E, o que é pior, um sentimento de revolta na população
civil que cresce visivelmente.
Exemplo maior é Roraima. Lá, os
rizicultores foram, desnecessariamente, expulsos de suas terras,
onde, inclusive, contavam com apoio de parte dos índios. Hoje vivem
na miséria e a região deixou de produzir e até exportar arroz para
Manaus. Com 10% da população de Roraima, as reservas representam
mais de 70% da área do estado.
Mas em outros estados, e muito em
função de obras públicas, as exigências materiais beiram o absurdo.
Encarecem obras, criam territórios sem controle e deixam a população
sendo manipulada, quando não explorada. Alguém precisa levantar
esses privilégios e custos. Deve ter muita ONG metida nisso.
O nosso Brasil, como entendeu Gilberto
Freyre, está mudando. Planta-se ressentimento para com os índios,
que têm todos os direitos e nenhum dever. Cria-se certa
instabilidade com esta história de “quilombolas”, que também beira o
ridículo, mas que tem levado intranquilidade a milhares de famílias
e até a cidades inteiras. Em Belo Horizonte surgiu um “quilombo” em
pleno Grajaú, bairro da classe média.
Não dá para entender os objetivos desse
tipo de ação, que vai ganhando espaço na máquina pública, no
Judiciário e colocando o nosso Brasil em situações ridículas perante
a investidores estrangeiros – como ocorre nos estados do Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, principalmente. Mas, em Santa
Catarina, onde a escravidão foi diminuta, tem uma cidade sem crônica
de abrigar população de origem africana que está sob ameaça de um
grupo que reinvidica a área central do município. E são mais de mil
as áreas requeridas no pequeno estado, exemplo de distribuição de
terras produtivas no Brasil. Não bastasse o Código Florestal, que
quase liquida seu agronegócio.
Esse assunto não comporta tolerância.
Nada mais sagrado para a índole do brasileiro do que a paz e a
fraternidade numa sociedade reconhecida pelo seu pluralismo racial
internacionalmente.
Mas na verdade o clima anda ruim . Quem
não tiver sangue índio ou de origem africana acaba sendo considerado
de uma raça exploradora e devedora da sociedade . Os ganhos dos
índios são verdadeiramente inacreditáveis. Até o Porto de Santos tem
uma obra para melhorar seus acessos sem licença por, eventualmente,
provocar barulho que pertube a vida de um grupo indígena, que mora
cerca de quinze quilômetros da obra.
A falta de reação a estes absurdos é
muito preocupante. Mostra uma sociedade acomodada a retroceder no
progresso e na dignidade.
O autor é jornalista e
vice-presidente da Associação
Comercial do Rio de Janeiro |