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Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do
Norte da Ilha, nascida e
criada no Rio Vremeio,
com muita difilcudade de
entender as côsa nesse
mundo de Meu Deus!
Uma côsa que não me
entra no célebro nem a
machadaço é essa mania
dos empresáro
iscumunguento do
Sinduscôni da Ilha, de
bancar os bacaninha:
eles só querem fazer
obra com lecença, ô! E
dê-lhe tomar chumbo das
otoridade, os empresáro
mazanza: umas otoridade
não querem dar lecença;
outras mandam cancelar
as lecença dada. E as
ONG mandriona só na
volta, botando em
dúlvida as lecença
dozotros. Tão vendo só,
seus Sinduscônis, tansos
duma figa? Lecença não
tem mais valôri nenhum
para ninguém. A não ser
pra vocês própros
empresáro! Mofas co’a
pomba na balaia...
Pra que os empresáro
tanto querem lecença
pr’aconstruir? No mô
fraco modi pensar, eles
devem de achar que,
co’as lecença, humilham
os pobre dos loteador
clandestino. Acham que
abanando os popéli
assinado vão enciumar os
corretôri sem Creci da
cidade ou atazanar os
brio dos coitadinho dos
edificador irregular e
dos pedreiro sem CREA...
não paga a pena, mô
cravos. Osvi dizer que
ozôtros tudo tão se
rindo pelas costa dos
Sinduscônis, que ficam
só de mendigagem de
lecença pr’aconstruir na
ilha capitáli. Sem
conichões...
Lecença pr’aconstruir?
Bobage. Vão é oferecer
oportunidade de trabaio
e renda pros
adenunciador
profissionáli das obra
dos com-lecença. Vinhas
tão bem, ô, ô, ô... Fáji
sem licença, fáji, mô
quiridos! Fáji como todo
mundo, mô pombos... que
ninguém adenuncia. E nem
a encelhentisma
apercuradora dotora
Naluz não manda embargar
a obra. Se a obra é sem
lecença, a dona
apercuradora não sabe
que a obra egiste, nem
naonde que é o endereço
e nem quem que é o dono
dela. Vai embargar o
quê? Vai multar quem?
Vai botar os perdiguêro
da PF na cola de qual
bucica?
Adipôji, lecença é côsa
fora de moda em Floripa.
Ningúem mais usa. Os meu
parente acupadôri do Rio
Vremeio não usa; os
acupadôri das duna de
Inguilesis e Santinho e
do Sítio do Capivari não
usa - nem os debaxo e
muitio meno os de cima;
nem os acupador das
marge do rio Papaquara
de Canasvieiras,
dazareia do Campeche,
dos morro do Pantisúli,
da bacia do Tacurubi e
dos maciço do Centro...
mas os colega do seu
Lélo Barros tão fincado
a brigar com Deus e o
mundo: querem porque
querem lecença
pr’aconstruir.
Eles tão é predendo
clientela das boa
co’essas mania. O santo
padre Virso Grou, por
inzemplo, compra imóvel
sem lecença nos maciço
dos morro, até pros
dimaior carente sem teto
do rebanho dele. Pros
dimenor carente ele não
compra imóvel sem
lecença. Nem com lecença,
né gente, que com
lecença não pode! O
padre Virso é santo mas
não é bobo: se ele usar
as doação pra comprar
teto pra tirar os
meninos da rua, um dia
farta menino na rua e se
acaba-se as missão do
santo padre. Arrombassi!
Ô, seu Lélo Barros!
Avisa aí pros afiliado
do Sinduscôni que é
preles fazer uns curso
lá na Ulfeco - aquela,
não tem? - da dona Anja
I. Núti. Lá na Ulfeco os
empresáro vão aprinder a
abrir servidão pelo meio
das gleba e mandar ver
nas venda e nas obra,
tudo sem lecença.
Dijaôji, já tem até uma
lei: as lecença
legalizada bem legal só
é aprovada adipôji das
côsa feita muito bem
ilegalmente. Vê se
acolaborem, vissem seus
malino? Se não, dicapôco
tamo correndo risco de
começar a abaixar os
índice de acupação
ilegal na Ilha, mô
quiridos! Não força a
barra, ô, ô, ô...
Ói, ói, ói, que sê
manezinha às vegi dói.
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