Cacá Menéia

Dezembro/2009
 

Obra com lecença, não pode, ô!

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio, com muita difilcudade de entender as côsa nesse mundo de Meu Deus!

Uma côsa que não me entra no célebro nem a machadaço é essa mania dos empresáro iscumunguento do Sinduscôni da Ilha, de bancar os bacaninha: eles só querem fazer obra com lecença, ô! E dê-lhe tomar chumbo das otoridade, os empresáro mazanza: umas otoridade não querem dar lecença; outras mandam cancelar as lecença dada. E as ONG mandriona só na volta, botando em dúlvida as lecença dozotros. Tão vendo só, seus Sindusconis, tansos duma figa? Lecença não tem mais valôri nenhum para ninguém. A não ser pra vocês própros empresáro! Mofas co’a pomba na balaia...

Pra que os empresáro tanto querem lecença pr’aconstruir? No mô fraco modi pensar, eles devem de achar que, co’as lecença, humilham os pobre dos loteador clandestino. Acham que abanando os popéli assinado vão enciumar os corretôri sem Creci da cidade ou atazanar os brio dos coitadinho dos edificador irregular e dos pedreiro sem CREA... não paga a pena, mô cravos. Osvi dizer que ozôtros tudo tão se rindo pelas costa dos Sindusconis, que ficam só de mendigagem de lecença pr’aconstruir na ilha capitáli. Sem conichões...

Lecença pr’aconstruir? Bobage. Vão é oferecer oportunidade de trabaio e renda pros adenunciador profissionáli das obra dos com-lecença. Vinhas tão bem, ô, ô, ô... Fáji sem licença, fáji, mô quiridos! Fáji como todo mundo, mô pombos... que ninguém adenuncia. E nem a encelhentisma apercuradora dotora Naluz não manda embargar a obra. Se a obra é sem lecença, a dona apercuradora não sabe que a obra egiste, nem naonde que é o endereço e nem quem que é o dono dela. Vai embargar o quê? Vai multar quem? Vai botar os perdiguêro da PF na cola de qual bucica?

Adipôji, lecença é côsa fora de moda em Floripa. Ningúem mais usa. Os meu parente acupadôri do Rio Vremeio não usa; os acupadôri das duna de Inguilesis e Santinho e do Sítio do Capivari não usa - nem os debaxo e muitio meno os de cima; nem os acupador das marge do rio Papaquara de Canasvieiras, dazareia do Campeche, dos morro do Pantisúli, da bacia do Tacurubi e dos maciço do Centro... mas os colega do seu Lélo Barros tão fincado a brigar com Deus e o mundo: querem porque querem lecença pr’aconstruir.

Eles tão é predendo clientela das boa co’essas mania. O santo padre Virso Grou, por inzemplo, compra imóvel sem lecença nos maciço dos morro, até pros dimaior carente sem-teto do rebanho dele. Pros dimenor carente ele não compra imóvel sem lecença. Nem com lecença, né gente, que com lecença não pode! O padre Virso é santo mas não é bobo: se ele usar as doação pra comprar teto pra tirar os meninos da rua, um dia farta menino na rua e se acaba-se as missão do santo padre. Arrombassi!

Ô, seu Lélo Barros! Avisa aí pros afiliado do Sindusconi que é preles fazer uns curso lá na Ulfeco - aquela, não tem? - da dona Anja I. Núti. Lá na Ulfeco os empresáro vão aprinder a abrir servidão pelo meio das gleba e mandar ver nas venda e nas obra, tudo sem lecença. Dijaôji, já tem até uma lei: as lecença legalizada bem legal só é aprovada adipôji das côsa feita muito bem ilegalmente. Vê se acolaborem, vissem seus malino? Se não, dicapôco tamo correndo risco de começar a abaixar os índice de acupação ilegal na Ilha, mô quiridos! Não força a barra, ô, ô, ô...

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
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