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Mal acabava eu de escrever
no DC (Diário do Comércio da Associação Comercial de São
Paulo) que “o uso maciço da fraude científica, em
proporções jamais antes imaginadas, vem se tornando o
principal meio de imposição de novas políticas”, e no
dia seguinte veio a público a fraude das fraudes: dois
hackers invadiram o servidor da Universidade de East
Anglia e copiaram e-mails nos quais eminentes cientistas
revelavam ter apelado às trapaças mais abjetas para
impingir ao mundo a balela do “aquecimento global” e as
legislações draconianas alegadamente destinadas a
“salvar o planeta” desse mal fantasmagórico (AQUI).
Entre outros expedientes, constavam:
1. Suprimir dos relatórios
da ONU quaisquer dados que pusessem em dúvida o
aquecimento global ou suas alegadas causas humanas;
2. Complementarmente,
inventar e enxertar na bibliografia técnica dados que
comprovassem as hipóteses desejadas;
3. Boicotar as revistas
científicas que publicassem estudos adversos à causa
aquecimentista;
4. Orquestrar ataques aos
cientistas adversários, questionando suas credenciais
acadêmicas.
Se algum dia houve algo
como um “crime intelectual hediondo”, foi esse. Por uma
ironia providencial, a documentação colhida pelos
hackers veio à tona na mesma semana em que um outro
grupo de acadêmicos aquecimentistas, mais honesto,
admitia francamente que, para desgraça da sua causa
sacrossanta, a temperatura do planeta tinha permanecido
estável nos últimos dez anos (AQUI).
Recordem que a campanha
alarmista do aquecimento global teve seu momento mais
significativo com o lançamento do livro de Al Gore, Uma
Verdade Inconveniente, e verão até que ponto chega o
cinismo dessas criaturas: põem em circulação uma farsa
pseudocientífica construída de dados falsos, compram
para ela o apoio da grande mídia, do show business, das
universidades, de macro-empresas e de organismos
internacionais e, ao mesmo tempo que já a alardeiam como
verdade pioneira universalmente silenciada pelo
establishment (como se não fossem eles próprios o
establishment e não fizessem um barulho dos diabos), vão
tratando de organizar preventivamente o boicote aos
eventuais recalcitrantes e contestadores – tudo para
produzir em benefício próprio a mais formidável
concentração de poder vista ao longo da História humana.
Se isso não é golpe,
conspiração, formação de quadrilha, então estas três
expressões já não têm significado nenhum.
A isso reduz-se, hoje em
dia, a autoridade da classe científica no mundo. Claro
que, tão logo revelada a fraude, a grande mídia
americana se pôs em marcha para proteger os criminosos,
omitindo-se de mencionar a descoberta do embuste,
noticiando-a com a maior discrição ou negando
abertamente sua importância, contra toda a evidência dos
fatos.
Servida por esses bons
préstimos, a Conferência da ONU sobre o Clima, a
realizar-se neste mês em Copenhague, poderá ignorar a
denúncia e, como se a idoneidade científica do
aquecimentismo permanecesse intacta, seguir adiante,
impávido colosso, no propósito de impor a uma cândida
humanidade os controles globais destinados a salvá-la de
um perigo inexistente.
Segundo o novo presidente
da União Européia e office-boy do CFR, Hermann van
Rompuy, que o anuncia com indisfarçado entusiasmo, esses
controles já equivalem à plena instauração de um governo
mundial, rebaixada a noção de soberanias nacionais ao
estatuto de ficção jurídica condenada a dissolver-se
suavemente em névoas, sem traumas nem prantos, num prazo
de poucos anos. Adiantando-se à profecia, o governo
Obama envia emissários a Haia para estudar os meios de
estender aos EUA a jurisdição do Tribunal Penal
Internacional. Sim, com a mesma paixão com que busca
livrar os terroristas estrangeiros da autoridade dos
tribunais militares americanos, o homenzinho está
ansioso para submeter os cidadãos de seu país às
decisões de juízes estrangeiros.
As mais sombrias
advertências de Lorde Christopher Monckton estão se
materializando diante dos nossos olhos (AQUI),
e no Brasil – não só entre o povão, mas na quase
totalidade da elite –ainda há quem ria da idéia de
“governo mundial”, acreditando piamente que é uma lenda
criada por “teóricos da conspiração”. Hipnotizado pela
lisonja interesseira dos banqueiros internacionais, como
o corvo pelas belas palavras da raposa na fábula de La
Fontaine, o Brasil cada vez mais se imagina o umbigo do
mundo, quando na verdade só participa da história
mundial como vítima periférica e sonsa de forças que não
compreende e aliás nem mesmo enxerga.
Olavo de Carvalho é ensaista, jornalista
e professor de Filosofia |