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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada
no Rio Vremeio. Deve de ser por isso que tenho tanta
difilcudade de entender as coisa que acontece neçepaíz.
O nosso novo futuro vice-prefeito, o seu João Batista,
por inzemplo: depois do seu Bita evangelista, vem aí o
nosso vice espritista. Espritista, tolinhos! Aqueles
vivo que piscografam as fala das pessoas que já tão
morridas. E no mô fraco modi pensá, o JB é um piscógrafo
inovador: ele escuita os morto em vida e, adipôji que
eles morre, terceiriza verbalmente o que ouviu pros
repórti escrever em letra dimprensa no jornáli, pra
formar a opinião púlbica da gente. Vai ver, o Joãozinho
gazetou as aula de caligrafia e a letra mano escrita
dele é muito ruim, né mô cravos?
Então, então. O JB ainda nem assumiu e já deu uma
amostradinha do seu dom divino de piscógrafo numa
entrevista que eu li. O repórti priguntou pro nosso
atual futuro vice-prefeito sobre a tal da imoraltória da
construção civil de Floripa. Aquele projeto de lei do
próprio JB, tão ordinário, mas tão ordinário - o
projeto, não o piscógrafo - que nem a Câmara de
Vereadores quis saber dele. Imoraltória: algemar os pé e
as mão dos empresários constituídos, deixando a cidade
livre por uns anos, só pros acupador clandestino.
O JB respondeu que a imoraltória seria tão boa pra
cidade, mas tão boa, que até os próprio empresários
afiliados do Sinduscon gostavam dela. Tirante fora, é
claro, o jacu rabudo presidente do Sindicato, o seu
Hélio Bairro, que não quer imoraltória de jeito nenhum.
O contrário do sagrado sindicalismo nosso de cada dia,
onde os presidente se banco a reivildicar as côsa que os
próprios filiados do sindicato nem quer...
Se o JB não fosse um piscógrafo esprita, ele citaria um
dos empresários vivos do Sinduscon, que ele disse que
sabe que também gostam da imoraltória dele. Mas
piscografar fala de vivo NÃO PPPPPPPÓDE! E declaração
póstuma de morto ilustre tem muito mais valor pra formar
isentistamente a opinião púlbica dozôtros: é o que se
chama, no jargão, “ouvir o outro lado”. Só que
literalmente. Então, o João Batista piscografou umas
conversa que teve com o finado seu Joci Martins.
Imagino a cena, na hora da entrevista: uma brisa suave
arrepia os cabelinho da nuca do JB e...
- Psit... JB... Ôh, JB!
- Hein? Hum... o quê?
- Psiu... fecha o zóio e disfarça... sou eu, rapagi! O
teu amigo Joci.
- Hãn... Joci?!?! Mas tu não tá morto, mô quirido!
- Tôu, sim, e daí? Meu esprito continua bem vivo, tás
tolo!
- Arrombassi!
- Alembra aí pro repórti aquelas côsa que eu te falava
pra ti: que eu era a favor da tua imoraltória! Eu era
investidor “daquela área” - sabe qual, né? -, mas só de
fachada. Na verdade, eu era um agente dos contra de
Floripa, um cumpanhero dos nimigo dos empresário da
construção civil, do maldito capitalismo. Eu só se
disfarçava de dono de construtora, infiltrado de
presidente e vice-presidente do Sinduscon... e de amigo
do Hélio Bairro malino.
E o futuro vice prefeito piscografou.
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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