Cacá Menéia

Dezembro/2008
 

Vice espritista

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Deve de ser por isso que tenho tanta difilcudade de entender as coisa que acontece neçepaíz.

O nosso novo futuro vice-prefeito, o seu João Batista, por inzemplo: depois do seu Bita evangelista, vem aí o nosso vice espritista. Espritista, tolinhos! Aqueles vivo que piscografam as fala das pessoas que já tão morridas. E no mô fraco modi pensá, o JB é um piscógrafo inovador: ele escuita os morto em vida e, adipôji que eles morre, terceiriza verbalmente o que ouviu pros repórti escrever em letra dimprensa no jornáli, pra formar a opinião púlbica da gente. Vai ver, o Joãozinho gazetou as aula de caligrafia e a letra mano escrita dele é muito ruim, né mô cravos?

Então, então. O JB ainda nem assumiu e já deu uma amostradinha do seu dom divino de piscógrafo numa entrevista que eu li. O repórti priguntou pro nosso atual futuro vice-prefeito sobre a tal da imoraltória da construção civil de Floripa. Aquele projeto de lei do próprio JB, tão ordinário, mas tão ordinário - o projeto, não o piscógrafo - que nem a Câmara de Vereadores quis saber dele. Imoraltória: algemar os pé e as mão dos empresários constituídos, deixando a cidade livre por uns anos, só pros acupador clandestino.
O JB respondeu que a imoraltória seria tão boa pra cidade, mas tão boa, que até os próprio empresários afiliados do Sinduscon gostavam dela. Tirante fora, é claro, o jacu rabudo presidente do Sindicato, o seu Hélio Bairro, que não quer imoraltória de jeito nenhum. O contrário do sagrado sindicalismo nosso de cada dia, onde os presidente se banco a reivildicar as côsa que os próprios filiados do sindicato nem quer...

Se o JB não fosse um piscógrafo esprita, ele citaria um dos empresários vivos do Sinduscon, que ele disse que sabe que também gostam da imoraltória dele. Mas piscografar fala de vivo NÃO PPPPPPPÓDE! E declaração póstuma de morto ilustre tem muito mais valor pra formar isentistamente a opinião púlbica dozôtros: é o que se chama, no jargão, “ouvir o outro lado”. Só que literalmente. Então, o João Batista piscografou umas conversa que teve com o finado seu Joci Martins.

Imagino a cena, na hora da entrevista: uma brisa suave arrepia os cabelinho da nuca do JB e...

- Psit... JB... Ôh, JB!

- Hein? Hum... o quê?

- Psiu... fecha o zóio e disfarça... sou eu, rapagi! O teu amigo Joci.

- Hãn... Joci?!?! Mas tu não tá morto, mô quirido!

- Tôu, sim, e daí? Meu esprito continua bem vivo, tás tolo!

- Arrombassi!

- Alembra aí pro repórti aquelas côsa que eu te falava pra ti: que eu era a favor da tua imoraltória! Eu era investidor “daquela área” - sabe qual, né? -, mas só de fachada. Na verdade, eu era um agente dos contra de Floripa, um cumpanhero dos nimigo dos empresário da construção civil, do maldito capitalismo. Eu só se disfarçava de dono de construtora, infiltrado de presidente e vice-presidente do Sinduscon... e de amigo do Hélio Bairro malino.

E o futuro vice prefeito piscografou.

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

 
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