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Proponho um
convite para que pensemos juntos: quantos projetos,
obras, leis e iniciativas estão hoje parados na cidade
de Porto Alegre e no Estado? São idéias postas em
discussão que repousam em pesados processos à espera de
definição. O Cais do Porto, desejado por todos, tramita
há 12 anos; o indispensável Teatro da Ospa aguarda há
pelos menos cinco anos, ao lado do Plano Diretor, a
ampliação da pista do aeroporto, o Pontal e tantos
outros projetos capazes de levar a cidade ao
crescimento. Existem ainda temas recorrentes, como o
comércio aos domingos, os pedágios, as fontes renováveis
de energia, os centros comerciais e supermercados com
área superior a 2,5 mil metros quadrados, os milhares de
EIA-Rimas, as audiências públicas. Há muita coisa
estagnada por anos e décadas, sem que consigamos chegar
a um consenso e fazer acontecer.
Tudo faz parecer que nossa democracia parou em algum
lugar. De tanto termos opiniões sobre tudo, menor ficou
nossa capacidade de produzir entendimentos. Não
conseguimos juntar forças para crescer, mas nos
especializamos em reunir turmas para impedir qualquer
coisa. Será que ainda somos competentes para produzir
consensos?
Nestes dois últimos anos, Porto Alegre sediou um evento
de dimensões mundiais, o Fronteiras do Pensamento. Por
aqui passaram as melhores cabeças do mundo, com certeza.
Homens e mulheres que são expoentes, que construíram em
seus países e para suas comunidades experiências
consagradas, marcaram seu entorno com o que de melhor se
faz no mundo das artes, da política, cultura, e, mais
importante, fatos e realizações concretas. Parece que é
hora de inverter um tanto nosso hino, e que sirvam suas
façanhas de modelo para nós.
O que mais impede o crescimento é a falta de visão, é a
inexistência de interesse em conhecer exemplos que
funcionaram, mesmo que contrários à nossa forma de
pensar. A ausência de visão cria o medo do novo, e esta
conduta produz incompetência e arrogância. A resposta é
a raiva e o ódio.
Temos que mudar nossa forma de pensar. Ou nos entendemos
no máximo possível de coisas, até como torcemos para “A”
ou “B”, ou seguiremos imobilizados no caminho para
manter-nos pequenos, insignificantes e irrecuperáveis.
Que possamos transcender as fronteiras da vaidade e do
egoísmo, e evoluir para uma democracia mais moderna,
eficiente e produtiva. Que a cultura de gerar
intermináveis discussões apenas para propor novos
adiamentos e impasses, mude para decidir e fazer.
Comemorar os acertos e reverter erros, mas que possamos
sair dos inúmeros impasses que preenchem o campo das
idéias e caminhar para o campo das realizações.
O autor é empresário |