Agosto/2011

 

Cacá Menéia

Multirão no sevricio atrazado!

 

 

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.

Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio. Deve de ser porisso que tem umas côsa que não me entra no célebro nem com cirulgia prástica nas palpra inrrugada dos zóio e nas zoreia de abano do zovido.

Por inzemplo, mô cravos: o multirão das cirulgia atrazada nos doente do Susi mundiça, que dizaôje o seu Rimuinto Calombo intentou de obrigar os médico mandrião a botar em dia. O seu Calombo aquele, não tem? O miserento ex-balofo que se inlegeu-se de premero turno. Êita, governadôri inventador de moda, virsch... naonde já se viu-se, mô quiridos? Querer obrigar os funçonáro púlbico a botar em dia os sevriço atrazados de onti, ontisdonte, tresontonte, antanho e dasantiga? Bissurdo! Sem conichões, ô! Não paga a pena pros médico! Eles só vão tirar o atraso do sevricio se o seu Calombo der hora extra, comição e lecença prêmio. Tudo adiantado em moeda escorrente e um pudê de côsa mági. Atusica as bucica que a pinta da mãe deles tá cheia de bicho berne!

A minha vizinha Chinoca - bem gauchinha ela, coitada - osviu dizer que até o sacratáro da nossa saúde púlbica da Ilha Capitáli tá apoiando os médico mandrião: ele tá engijindo que o seu Calombo tem que requerer o multirão com bastante antecedênça, modiquê os dotôri tem que se apreparar muito bem para fazer as cirulgias que não fizeram quando deviam de ter fazido. Tem uns que antes vão até percisar se atualizar com curso de seis mês na Zoropa e nos Estado Zunido. E, do jeito que os amorceguento dos caixa púlblico são lerdo pra emitir os cheque de pagamento das viaje, sei não... isso ainda vai dar côsa! O sacratáro da nossa saúde púlbica acha que é bobaizada do seu Calombo querer que os médico bote o sevriço em dia adipôji de tanto tempo passado. Cadiquê, mô pombos, metade dos impaciente das lista d’espera até já morrero na fila. No mô fraco modi pensar, os coitado dos impaciente que tavo munto maleixo demáji da conta, até que esperaram pacientemente enquanto os disgramado dos médico engabelavam e amorcegavam co’as porta dos conçultóro fechada. As doença malina é que não esperaram, tás tolo? Osvi dizer que é porisso que morre mais gente nos corredôri do Susi do que tem de varejera na merda - nozapotreja minha Nossa Senhora da Conceição da Lagoa! Pra que botar o sevriço em dia? Dexa os intanguido morrer assossegado co’as doença de estimação deles.

Diz que até teve uns impaciente que morreram contorssido de tanta dôri. Mas ozôtros só morreram cadiquê fizeram manha e foram intochicados de naljézico pelas fermêra. E teve aquele um, o seu Bila do marzém da esquina, o vô da Cenira Perna de Garrincha, aquela que namora há trocentos anos com o Mané da Falmáça. O coitado do seu Bila só sofria de alzarme, mas tava esperando na mergença do Susi pra operar uma érna de umbigo, e se ajeitou-se numa cama de varde no corredor. O poblema é que as fermêra não se dero de conta dele e atiraram o véinho na máquina de lavar, enrolado nos lençóli cagado e mijado. Cruji em credo! No velóro a Cenira me contou que na hora inté pensou em enfancá a mão nas venta de alguém do Susi, mas se acabou-se se coinformando: pelo meno o seu Bila tomou um banho adipôji de uma semana de corredôri do Susi. E foi enterrado bem limpinho e cheroso de sabão em pó.

Até o tanso do meu primo Neco - aquele que era casado com a mazanza da Teca da Nonô, a neta do seu Dilço da Barra -, tamém não percisa mais do multirão das cirurgia atrazada dos médico mandrião, no pé quebrado no buraco da carçada: ele já empacotou o mióri fraque sem cartola. Coitado do Neco! Ele inté que já tava bem coinformado de esperar cinco anos pelo mutirão. Só que morreu que nem perú de Natal, de câncer de figo, na véspra de sê chamado pro multirão do pé quebrado!

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói...