|

Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma
manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio
Vremeio. Deve de ser porisso que tem umas côsa que não
me entra no célebro nem com cirulgia prástica nas palpra
inrrugada dos zóio e nas zoreia de abano do zovido.
Por
inzemplo, mô cravos: o multirão das cirulgia atrazada
nos doente do Susi mundiça, que dizaôje o seu Rimuinto
Calombo intentou de obrigar os médico mandrião a botar
em dia. O seu Calombo aquele, não tem? O miserento
ex-balofo que se inlegeu-se de premero turno. Êita,
governadôri inventador de moda, virsch... naonde já se
viu-se, mô quiridos? Querer obrigar os funçonáro púlbico
a botar em dia os sevriço atrazados de onti, ontisdonte,
tresontonte, antanho e dasantiga? Bissurdo! Sem
conichões, ô! Não paga a pena pros médico! Eles só vão
tirar o atraso do sevricio se o seu Calombo der hora
extra, comição e lecença prêmio. Tudo adiantado em moeda
escorrente e um pudê de côsa mági. Atusica as bucica que
a pinta da mãe deles tá cheia de bicho berne!
A minha
vizinha Chinoca - bem gauchinha ela, coitada - osviu
dizer que até o sacratáro da nossa saúde púlbica da Ilha
Capitáli tá apoiando os médico mandrião: ele tá
engijindo que o seu Calombo tem que requerer o multirão
com bastante antecedênça, modiquê os dotôri tem que se
apreparar muito bem para fazer as cirulgias que não
fizeram quando deviam de ter fazido. Tem uns que antes
vão até percisar se atualizar com curso de seis mês na
Zoropa e nos Estado Zunido. E, do jeito que os
amorceguento dos caixa púlblico são lerdo pra emitir os
cheque de pagamento das viaje, sei não... isso ainda vai
dar côsa! O sacratáro da nossa saúde púlbica acha que é
bobaizada do seu Calombo querer que os médico bote o
sevriço em dia adipôji de tanto tempo passado. Cadiquê,
mô pombos, metade dos impaciente das lista d’espera até
já morrero na fila. No mô fraco modi pensar, os coitado
dos impaciente que tavo munto maleixo demáji da conta,
até que esperaram pacientemente enquanto os disgramado
dos médico engabelavam e amorcegavam co’as porta dos
conçultóro fechada. As doença malina é que não
esperaram, tás tolo? Osvi dizer que é porisso que morre
mais gente nos corredôri do Susi do que tem de varejera
na merda - nozapotreja minha Nossa Senhora da Conceição
da Lagoa! Pra que botar o sevriço em dia? Dexa os
intanguido morrer assossegado co’as doença de estimação
deles.
Diz que até
teve uns impaciente que morreram contorssido de tanta
dôri. Mas ozôtros só morreram cadiquê fizeram manha e
foram intochicados de naljézico pelas fermêra. E teve
aquele um, o seu Bila do marzém da esquina, o vô da
Cenira Perna de Garrincha, aquela que namora há
trocentos anos com o Mané da Falmáça. O coitado do seu
Bila só sofria de alzarme, mas tava esperando na
mergença do Susi pra operar uma érna de umbigo, e se
ajeitou-se numa cama de varde no corredor. O poblema é
que as fermêra não se dero de conta dele e atiraram o
véinho na máquina de lavar, enrolado nos lençóli cagado
e mijado. Cruji em credo! No velóro a Cenira me contou
que na hora inté pensou em enfancá a mão nas venta de
alguém do Susi, mas se acabou-se se coinformando: pelo
meno o seu Bila tomou um banho adipôji de uma semana de
corredôri do Susi. E foi enterrado bem limpinho e
cheroso de sabão em pó.
Até o tanso
do meu primo Neco - aquele que era casado com a mazanza
da Teca da Nonô, a neta do seu Dilço da Barra -, tamém
não percisa mais do multirão das cirurgia atrazada dos
médico mandrião, no pé quebrado no buraco da carçada:
ele já empacotou o mióri fraque sem cartola. Coitado do
Neco! Ele inté que já tava bem coinformado de esperar
cinco anos pelo mutirão. Só que morreu que nem perú de
Natal, de câncer de figo, na véspra de sê chamado pro
multirão do pé quebrado!
Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói...
|