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Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma
manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio
Vremeio, com grande difilcudade de entender as côsa
nesse mundo de Meu Deus!
Como o
intanguido seu Ruim Naldo Bem Vedete, secretáro da
Insegurança Púlbica do Indefeso Cidadão de SC. Ô, ô!
Vinhas tão bem, ô! Mas como essa bisca me dá nos nevo,
ô!
O diabo é
que o malino do Ruim Naldo se parece muito com o meu
primo, o Dirso da Nereide. Aquele, que é casado com a
Queca, a caçula do Tinha, concunhado do Deca da Mana. O
primo Dirso é bem assim que nem o seu Bem Vedete. Todo
ano alguém arruma um carguinho em comissão pr’ele no
sivriço púlbico, e o Dirso até aceita. Se for com função
gratificada. E se puder começar a trabaiá pelas féria.
Uma veji,
na hora de finalimente assumir, o Dirso apareceu na
repartição com o dedo mindinho do pé enfaixado e um
atestado de três mês de licença, do postinho de Saúde:
assinado pelo doutôri Nilto, com recibo de R$30 e tudo.
Dás um banho! Quando o mindinho sarou, o Dirso assumiu
de Aspone de um dos vinte parente que ele tem, espaiados
pelos gabinete do governo, na prefeitura, na câmara e na
assembleia. Três dias dipôji o mandrião me aparece com
tifo! A doença já era considerada extinta da humanidade
há trocentos anos. Mas o Dirso jurou de pé junto que o
tifo se agrudou-se nele que nem bosta de vaca nas
havaiana. Provou com atestado médico do postinho de
Saúde. Assinado pelo doutôri Nilto, com recibo de R$30 e
tudo. Arrombassi! E lá se foi o mô quirido do Dirso pra
casa, de licença. Uma quarentena rigorosa: só podia sair
pra comprar comida no supemelcado, pagar as conta
vencida no chópin e pra vázea, nos domingo, que ele não
perde uma partida do Riovê FC.
Ah, é...
ele também ia passar as tarde na casa do vô Delço, no
Santinho. É que o véinho tava entrevado de cadêra de
roda, cego, surdo e mudo de derrame celebráli. O primo
Dirso s’ofereceu pra ponhar o vô a tomar o sóli da tarde
na varanda, naonde o Dirso dormia na rede numa sombra,
até o hora da novela das seis, que vinha assistir em
casa. O vô Delço bateu as bota três dia dipôji. Frito
que nem ôvo, tostado que nem çurrasco. De tanto sóli que
tomou, reparassi? Osvi dizer que a morte atestada pelo
postinho de Saúde foi um febrão. O popéli tava assinado
pelo doutôri Nilto, com recibo de R$30 e tudo. Isso
ainda vai dar côsa...
Pois esse é
o Dirso: Aspone profissionáli com diproma e doutorado em
Administração... de Obras Prontas. O Dirso não presta
pra nada, mas tá sempre esganchado em algum cargo
púlbico de boa grana. Não aparece no trabaio, mas o
contracheque dele nunca faia e a remuneração nunca deixa
de jorrar na conta nos fináli do mês. Ninguém sabe pra
que que o Dirso serve, e o que ele faz, mas o nome dele
tá sempre nos jornáli, nos cargo mais importante nas
repartição da vida. E naonde tem solenidade, o Dirso tá
no palanque. Mesmo quando tá de licença prêmio.
Que nem o
seu Ruim Naldo Bem Vedete, secretáro da Insegurança
Púlbica do Indefeso Cidadão de SC. Enquanto a sanguera
escorre nas cidade e a povança cai que nem mosca pelas
rua, de morte matada pelos bandido, cadê o Ruim Naldo?
Mofas c’a pomba na balaia! Ele tá nem aí. Não paga a
pena se apreocupar com côsa pouca, não tem? A vida é
bela pro seu Ruim Naldo e pro chefe dele, tás tolo!
Ele é a
corda da caçamba do governadôri. É o magro do gordo do
paláço da Agromônica: Stan Bem Vedete Laurel e Oliver
Luiz Eurrico Hardy. Só que essa dupla não tem a menori
graça. Mas a gente ri deles que é pra não chorar. Que
diferença faji? Pr’eles? Nenhuma.
Ói, ói, ói,
que sê manezinha às vegi dói.
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