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Em países
presidencialistas, a despeito da independência entre os
Poderes, o presidente da República, mesmo quando
impopular e/ou fraco, ainda é uma figura forte, capaz de
agregar forças e encaminhar soluções. Luiz Inácio Lula
da Silva não é nem fraco nem impopular. Poderia, sim,
chamar as lideranças políticas da base aliada para
tentar encaminhar uma solução. Mas quê… Sua
irresponsabilidade, nesse caso, chega a ser assustadora
— e há, aí, um tanto de cálculo também. Sua defesa de
Sarney, com considerações de moralidade duvidosa — “Ele
não é um homem comum” —, diz muito de quem ele realmente
é. Aquele líder operário dos sonhos dos bocós da
esquerda é hoje um dos principais beneficiários da
política que deu à luz um Sarney. Aos velhos vícios,
Lula acrescentou os novos. No fim das contas, ele nunca
deu e não dá a menor bola para o Congresso. A coisa que
sempre quis é que ele não o atrapalhasse. E pagou alto
por isso. Lula acha o Parlamento um “mal desnecessário”.
O presidente,
ontem, disse um aparente “vire-se” para Sarney. E a fala
foi anunciada por toda a imprensa como uma mudança de
posição, já que a proximidade com o aliado lhe estaria
trazendo algum desgaste. Ouso não exatamente discordar
disso, mas relativizar.
Acredito, sim,
que, nos setores mais informados, a defesa que o
presidente faz de Sarney lhe possa trazer algum
prejuízo. Mas ele tem uma reserva imensa de
popularidade. Perder alguns pontinhos entre os
escolarizados não muda o seu patamar de aprovação. ELE
MANTÉM O APOIO A SARNEY E CONTINUA CONTRA A SUA
RENÚNCIA.
Lula se tornou
Lula fazendo-se um beneficiário de crises. Embora seja o
grande sacerdote da zorra que aí está, aguardem pra ver,
estará no ano que vem sobre o palanque a pregar
moralidade na política, a falar dos desmandos, a
defender a decência, os interesses do povo etc e tal.
Quanto mais o Parlamento cai no descrédito, mais se
consolida como resposta à crise a figura de um demiurgo,
que esteja acima de toda essa coisa aí…
Instituições
sólidas e respeitáveis nunca interessaram nem nunca vão
interessar a um partido como o PT. Ao contrário: ele
precisa desse pântano, dessa ética cediça e movediça a
conferir verossimilhança para sua pregação moralista em
nome do povo. Quando chega ao poder, escala Sarneys,
Renans e congêneres como tropa de elite.
Excerto do
post de 31 de julho de 2009 |