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Ói,
ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada
no Rio Vremeio.
Deve de ser por isso que tenho tanta difilcudade de
entender a paternidade irresponsável de hojemdia. Nos
tempos de antanho, a muierada enrolava a cria nos cuêro,
botava a teta na boca dela... e andava um eito pra
capiná roça. Os máji maiorzinho formavam escadinha de
atrás, cada um com a sua função pra cumprir no plantio.
Taí a Dindinha c’os catroze fio, tudo muito bem estudado
e rico, gordo, bonito e faceiro, que não me deixa
mentir. Deus que me alivre! Nos apotreja Nossa Senhora
da Conceição da Lagoa! Mas perder fio afogado na mamada?
Engasgado com a papinha? Sufocado sem aire debaixo das
coberta, deitado entre pai e mãe? É pura malinage, tás
tolo...
Nasantiga, se o nenezinho se afogava na teta, era num já
que a mãe virava prum lado, virava pr’outro, dava uns
bofete nas costa pro leite sartá e um assoprão na testa
pro aire acirculá nas venta... e uma chupeta com
assucrinha pra desmanchar o susto e espantar o trauma.
Arrombassi!
Dijaôje, escreveu não leu tem uma tragédia estampada nos
jornáli: “Mãe ferra no sono, sufoca a criança c’o suvaco
e só acorda depois dela roxinha de morta!” Máli, máli, o
iscumunguento do pai atina pedir socorro pra poliça pelo
telefone. Só pode dar côsa...
Pôca demora os governo vão ter que incluir nas política
púlbica um setor de ASPS - Assistência Social da Papinha
e do Sonoleve em cada bairro, como extensão das creche.
E na PM d’assegurança, vai ter Pelotão Anti-Risco na
Mamada, com 0800 pro especialista acalmar papai e mamãe,
e ensinar sobre o que fazer até o políça chegar para
salvar a vida da pobre criança. Se der tempo...
Que côsa, né? Na hora de fazê fio todo mundo é sabidinho
que dá gosto. Ninguém pede socorro ou ajutório pra bater
corôto: é cada um no seu quadrado e só alegria. Na hora
de criar os filhinho, começam os problema... prozôtros
arresorvê.
Ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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