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"Minha Casa, Minha Vida" uma ova!

Coronel

 

A Rocinha, maior favela do Rio, tem 25.915 residências, segundo contagem realizada pelo IBGE. Estima-se uma população entre 75 mil e 90 mil pessoas, que se abastecem em 6.317 pontos de comércio lá existentes. Pontos que fornecem todo o tipo de produto e serviço necessário a um aglomerado urbano. Ok, vamos levar 10% destas pessoas para o paraíso, para um grande projeto habitacional chamado “Minha Casa, Minha Vida”, inventado por Lula?

Para acomodar 10% da população da Rocinha, esta nova “Cidade de Deus” terá 2.500 unidades residenciais. Como a Rocinha está dentro de uma capital, a opção óbvia é por apartamentos. Pelas regras do programa, os blocos terão 5 pavimentos, com no máximo 20 apartamentos de 42 m2, para uma faixa de renda de um a três salários mínimos. Assim, teremos um conjunto com 125 blocos de apartamentos que, com estacionamento, área verde, área de lazer, ruas e outros agregados, ocupará uma área de quanto? Pouco mais, pouco menos do que 250 mil metros quadrados? 25 hectares? E onde será esta área? Todos sabem que a população pobre necessita morar perto do trabalho. É da Rocinha que descem os vigilantes, soldados, operários, domésticas que trabalham na Zona Sul e na Barra da Tijuca. Se for para morar em Campo Grande ou na Baixada Fluminense e precisar mais duas horas para ir e duas horas para voltar do trabalho, qual a vantagem? Ter um teto e não ter emprego? Isto posto, o “Minha Casa, Minha Vida” para a Rocinha terá que ser erguido na Barra da Tijuca. No máximo no Recreio ou Jacarepaguá. Grumari, quem sabe? Um terreno com esta área, nestas regiões, tem um preço que varia entre R$ 200 e R$ 300 milhões. Isto significa R$ 100 mil de cota de terreno para apartamentos que, pelo projeto, devem ter um custo total que não chega a 1/3 deste valor.

Para a Rocinha, o “Minha Casa, Minha Vida” é um tiro no pé. Uma bala perdida. O carioca mais esperto vai comprar o seu “apê” e depois vender as chaves para algum “mané”. E voltar para o morro, que eu não perco aquela vista.

O autor é titular do
blog Coturno Noturno
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