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Meu texto
Orgulho e Vergonha “causou”.
(Leia em www.lucianopires.com.br)
Escrevi
sobre o orgulho que tenho de pertencer à “zelite”.
Orgulho do que conquistei com meu esforço honesto.
Orgulho por ter educação superior, por ter em casa mais
de dois aparelhos de televisão, por ter dado um
automóvel a meu filho quando ele completou 18 anos,
etc... Foi o que bastou para que os ideologicamente
estressados invadissem minha caixa postal. Um
esquerdopata escreveu dizendo que tudo que consegui foi
explorando o trabalho dos pobres.
Outro
escreveu que tudo que conquistei com meu trabalho
honesto ao longo de 25 anos não são direitos, mas
privilégios. Um terceiro me pediu para parar com essa “hipocrizia”...
Eu já
esperava, pois sempre que escrevo denunciando a
hipocrisia do discurso esquerdopata eles caem de pau.
Mas desta vez senti uma diferença. A reação não foi
apenas folclórica, orquestrada pelos perfeitos idiotas
latino-americanos. Foi também fruto de um certo
analfabetismo funcional, dos que lêem e não entendem o
que lêem. Essas pessoas julgaram uma ofensa eu achar que
sou bem sucedido. Enxergaram em meu texto apenas os
televisores que tenho. Não conseguiram (ou não quiseram)
entender que usei os aparelhos de televisão como exemplo
para atacar uma certa pregação que começa com
professores, passa por segmentos da mídia e servidores
públicos, chega aos ministérios e termina no Presidente
Lula. O discurso que prega que a culpa de nossas mazelas
sociais é do “neoliberalismo”, do “governo militar”, do
“imperialismo norte-americano”, da “escravidão”, de
entidades inimputáveis, indefiníveis e intangíveis. A
culpa é de ninguém. Ou do governo anterior. Ou melhor, “dazelite”.
E que
“zelite” é essa afinal? Se for a esportiva é Pelé,
Romário, Oscar? Se for a artística é Fernanda
Montenegro, Paulo Autran, Bibi Ferreira? Se for a
endinheirada são os Diniz, os Moraes, os Safra? Se for a
intelectual é Marilena Chauí? A jornalística é Alberto
Dines, Mino Carta e os Frias? Se for a elite política é
o Lula, o Gabeira, o FHC? Se for a “classe média” sou
eu, você e seu vizinho? Afinal, que elite é essa na qual
estou incluído e que está sendo sumariamente condenada a
assumir a “culpa”?
Essa é a
questão levantada em meu texto: ao culpar “azelite”, os
esquerdopatas misturam o bom e o mau, o torto e o
direito, o honesto e o desonesto. Livram-se da
responsabilidade e nivelam tudo como ruim. Já ouvi esse
fenômeno sendo chamado de “Complexo de Daslu”, uma
doença que faz com que meia dúzia de ricos e
celebridades seja considerada o paradigma “dazelite”.
Um leitor,
E. Barbosa, escreveu: “Tenho orgulho sim de ter viajado
por 30 dias à Europa, ter duas filhas formadas da USP.
Uma delas é mestre em Engenharia, com curso no Japão e
está fazendo doutorado. Outra é Bacharel em Educação
Física. Sou de família humilde, mas enquanto outros
ficavam no bilhar jogando eu saía da faculdade às 23
horas e as 04:10h pegava o ônibus para ir trabalhar em
São Miguel. Detalhe, minha residência era em São
Bernardo do Campo. Valeu a pena? Lógico que valeu, hoje
vejo o resultado e posso me orgulhar de que tudo que
consegui foi de forma honesta e com muito esforço.”
Pelo
discurso esquerdopata o sr. Barbosa é “dazelite”.
Cresceu explorando o trabalho dos mais pobres, é culpado
por aquele mendigo ali na calçada e deve ter vergonha do
que tem.
Outro
leitor, o Márcio Estanqueiro, escreveu: “O dinheiro em
si não é nem bom nem mau. Tudo depende do uso que dele
fazemos.(...) Para fazer boas escolhas econômicas –
incluindo as escolhas das formas da utilização do
dinheiro – todo indivíduo deve olhar para além da oferta
e da procura e para além das tabelas de juros, na
direção dos ensinamentos religiosos, filosóficos e da
literatura. O principal fundador da moderna Economia,
Adam Smith, foi um professor de filosofia moral. Para
usarmos bem o dinheiro, precisamos entender (como fez
Smith) que acima das leis da Economia, há as leis da
moralidade.”
Pois é. O
Estanqueiro deu a pista. A elite que deveria ser
discutida é a elite moral. E nessa, para horror “deles”,
eu me incluo com orgulho. Mas infelizmente essa
discussão está fora do alcance dos analfabetos
funcionais e dos esquerdopatas rancorosos, que só
conseguem ver os televisores que eu tenho. |