| abril/2007

Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da Ilha, nascida e criada no Rio
Vremeio. Nunca fui viageira e só consegui vaga na falcudade
depois de anciã. Dizem que é por isso que tenho tanta
difilcudade de entender o povo cheio de sabença na volta do meu
pasto, não tem?
A professora de linguagem pediu um exercíço de redação. Mas só
que com expressão. Produzi um trabalho no mióri estilo
monografia pra formatura: intrenet@controlC.con-trolV.com.br.
É que gostei demági da cartinha* mandada pela povança carioca
pro governadôri do Rio de Janeiro - o seu Cabráli Fio), adipôji
que bateu o desespero co’as violênça sem freio que ajoeia a
Cidade Maravilhosa aos pés do crime onganizado. Uma cosa é uma
cosa; outra cosa é outra cosa bem diferente. Mas vou te contar
uma cosinha pra ti: é tanta coincidênça de um pudê de cosa magi
do texto co’a nossa Ilha da Magia, que pra carta ficar bem
manezinha só percisei riscar naonde não nos servia e assuntar um
bocadinho em negrito promodi clarear as indéia, tás tolo? Ficou
assim:
“(Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007)
Florianópolis, 31 de março de 2007
Caro Sr. Governador (Sérgio Cabral Filho)
Luiz Eu Rico:
Não queremos mais que nossa voz seja representada por uma
minúscula parte mobilizada, composta de militantes patidários a
serviço de uma ideologia.
Basta. Não podemos mais viver acuados por seres inumanos
fortalecidos pela complacência de uma sociedade inerte, que
isenta de remorso os bandidos e seus crimes. Nós, cidadãos de
bem que trabalhamos, estudamos, pagamos impostos, vivemos
aterrorizados, perdemos a liberdade de ir e vir, estamos
perdendo a posse de nossa cidade, criando artifícios de
sobrevivência para nós e para nossas famílias, diante da omissão
e ausência do poder público. Queremos recuperar nossos direitos.
Queremos recuperar nossa cidade.
Precisamos de um governo que veja e que faça. Não queremos ações
paliativas para anestesiar o medo, a náusea, a vergonha. A
bárbara tortura e o cruel assassinato (de João Hélio)
do jovem Ciro Lopes Ribeiro não foram os únicos atos de
violência a que assistimos nos últimos tempos. Lembremos (de
Gabriela Maia, Tim Lopes) do delegado Luciano
Bottini e todos os outros filhos e pais, outras mães, bebês,
parentes, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos,
autoridades e famosos, também vítimas de assaltos, balas
perdidas, milícias, arbitrariedades de todo tipo. Chega.
Queremos voltar a nos sentir humanos. É nosso direito e dever
fazer cumprir a lei. Queremos fazer mais do que sair às ruas em
passeatas ou ‘panelaços’. A vigilância e a repressão são
necessárias, mas é preciso agir em várias frentes.
Não estamos muito esperançosos em sua nova gestão,
que se anuncia humanizada, coerente e consistente com os
princípios democráticos fundamentais, mas que adipôji de
inleito não é nada disso. Por isso, trazemos aqui a V. Exa.
a proposta de criar Comissões Autônomas, chanceladas pelo
Governo de nosso Estado e em ligação direta e permanente com
seus representantes. AU-TÔ-NO-MAS - visse? - ô istepô! Não é
só pra criar mais tetinhas pras boquinhas de apaniguado
iscumunguento!
As Comissões Autônomas não têm nada a ver com associações
comunistárias, entidades pilantrópicas, onganizações e
indivíduos neo-governamentais e defensores dos direitos
desumanos de bandidos hediondos. Nem com os MR-8 (aqueles 8
Marxistas Ressentidos que embargam a nossa Ilha Capitáli pr’os
com-licença não construir só pramodi sobrar mais espaço pr’os
sem-licença destruir). Elas serão constituídas por ‘cidadãos
auxiliares’ alheios a interesses pessoais, políticos ou
partidários, que sejam politicamente incorretos de nascença
e, se possível, analfabetos de pai e mãe em ideologiquês,
que terão a função de ajudar a fiscalizar a aplicação da lei nos
diversos bairros da cidade (do Rio de Janeiro) de Floripa,
visando à recuperação da dignidade dos cidadãos de bem da
Bela e Santa Catarina, sob o Império da Lei! Entendemos como
recuperação da dignidade cidadã a não-aceitação inerte da
violência e do terror e a obediência aos deveres e a exigência
dos direitos. Esses compreendem o direito a escolas que eduquem,
a postos de saúde e hospitais equipados e suficientes para toda
a população, a uma polícia que nos proteja, a variadas formas de
acesso aos bens culturais. Precisamos de pais e mães que
recuperem o controle sobre seus filhos, precisamos de um poder
público presente em todos os bairros de nossa cidade.
Nós, cidadãos (cariocas e fluminenses)
grande-florianopolitanos, pagamos caro por nossos direitos.
Queremos cidadania integral para todos. É assim que entendemos o
combate à violência que nos aterroriza. Precisamos ter a certeza
de que alguém está do nosso lado, cumprindo seu dever, zelando
por nossa tranqüilidade, por nossa paz. Não queremos inércia,
inoperância, palavras vazias e promessas vãs. Vamos dar o
exemplo. Basta de guerra. Queremos paz. Somos de paz.”
Será que passo de ano na falcudade de Dereitio de Esquerda? Sei,
não...
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi dói.
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