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Alguém
acredita que para atingirmos uma maior sustentabilidade
social e ambiental precisemos acabar com o atual modo de
produção, o capitalista? Ou que precisemos eliminar os
capitalistas? Pois bem, tais considerações juvenis não
são de um movimento estudantil ou de um partido
revolucionário que almeja a tomada violenta do poder,
mas de um dos representantes distritais no Núcleo Gestor
do Plano Diretor Participativo, o do distrito do Pântano
Sul. Agora, eu pergunto a você, cidadão de
Florianópolis: em que medida alguém que defenda tais
sandices pode contribuir produtivamente para o combate à
poluição hídrica, atmosférica, sonora etc.? Quer dizer,
então, que basta mudarmos a posse dos tais meios de
produção e tudo, em um passe de mágica, mudará também?
O que
Schinke, convenientemente, “esquece” de dizer é que,
enquanto os países socialistas são exemplos de massiva
destruição na Europa e Ásia, o capitalismo ocidental
mudou e aperfeiçoou-se, adotando rigorosas legislações
ambientais (o que ainda ocorre e evolui a pleno vapor).
Não por acaso, países ex-socialistas como a Polônia, têm
apenas 4% de água potável em seu território nos dias de
hoje; o Cazaquistão, uma ex-república soviética, não
possui mais o chamado Mar de Aral: ele foi tão
intensamente explorado em suas águas para irrigação do
algodão, que já secou, deixando como herança uma trágica
paisagem que poderia figurar em um filme de ficção
científica de um mundo pós-Apocalipse; não por acaso, o
pior acidente nuclear que a humanidade já conheceu
ocorreu na Ucrânia, nos tempos em que era uma das
repúblicas da extinta União Soviética também. Tudo sob
os auspícios de sua sociedade “sem classes” socialista
(mas, com uma corrupta e despótica cúpula dirigente),
cujos efeitos são sentidos até os dias de hoje, quando
bebês ainda nascem com defeitos congênitos e em série. O
socialismo, ou comunismo como preferirem, deixou um
saldo tenebroso de 100 milhões de mortos ao longo de sua
existência. Perseguições, execuções, genocídio. E também
o chamado ecocídio.
Posso
compreender o pensamento de Gert, assim como posso
compreender as motivações de algum serial killer, mas o
que não posso, definitivamente, é concordar com ambos.
Se, dispondo de algum poder efetivo para executar a sua
revolução, ele fará ou não o que prega em seu livro, eu
não posso assegurar. Mas, o que vejo quinzenalmente nas
reuniões do Plano Diretor Participativo é suficiente
para concluir que sua participação não é nada
democrática.
Durante a
reunião do Núcleo Gestor realizada em 3 de abril, ele
superou-se. Os dois representantes suplentes do Pântano
do Sul tentaram encaminhar à mesa coordenadora um
abaixo-assinado de moradores do Distrito, protestando
contra o modo como Schinke conduz as questões nos
encontros locais. Segundo as denúncias, ele privilegia
suas propostas antes mesmo de qualquer votação, bem
como, deselegantemente, ridiculariza as propostas de
seus pares, representantes das comunidades do Distrito.
Bastante alterado, Gert Schinke chamou os envolvidos em
protestos contra suas atitudes de “bêbados e drogados”,
criando um clima nitidamente beligerante na plenária, a
ponto de quase chegarem às vias de fato.
Quase não
acreditei no que estava vendo! O que se passou ajudou a
dividir os que ainda tinham alguma afinidade. Pareciam
garotos seduzidos pela testosterona, ansiosos por um
conflito de videogame, envolvidos em uma infantil e
estúpida troca de ofensas. Posso discordar de Gert, mas
nunca abdicaria da civilidade, muito menos em um fórum
de política e cidadania como é o PDP, para perpetrar
ofensas pessoais declarando-o “bêbado e drogado” por
manifestar e defender, de forma enfática, opiniões
diferentes das minhas. Pois, antes de qualquer outro
efeito, atitudes levianas e irresponsáveis depõem contra
quem assim age, que assina atestado de incapacidade para
argumentar de maneira racional e democrática. Por mais
antagônicos que sejam os pensamentos e ideais, em
primeiro lugar vem o respeito mútuo.
Tais
ocorrências quase policiais traem o sentido de
democracia, constituindo uma afronta à população
pacífica e ordeira da capital catarinense, que confiou
nessas pessoas e aguarda ansiosa pelo seu novo Plano
Diretor. Ao mesmo tempo em que afastam os bem
intencionados e, por conseqüência, esvaziam o PDP da
necessária participação plural.
É
lamentável que sejam patrocinadas - entre outros - por
quem se apresenta à comunidade com razoável currículo de
atuação e experiência política, como vereador que foi em
Porto Alegre, e que deveria dar exemplo nos debates.
É realmente
lamentável. A cidade de Florianópolis merece muito mais
que isto.
Ela merece
respeito. |