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Ladrões tiram
a vida de Edson Lêdo Ronchi em Floripa.
Incrédulos e
tristes estão todos aqueles que conheciam o surfista
Lêdo Ronchi, assassinado na última semana.
Lêdo era um
aglutinador de amigos, um conciliador e pai de dois
jovens que serviam e servem de exemplo para todos que os
conhecem: simpáticos, bem sucedidos com as mulheres,
inteligentes, cativantes, ótimos surfistas e jovens que
conquistavam todo o espaço sem usar qualquer tipo de
droga! Seus filhos sempre foram, e são, mais um exemplo
de que o binômio surfista-maconheiro há muito tempo já
desapareceu.
Muitos fatores
contribuíram para a tragédia que vitimizou Lêdo Ronchi,
exceto seus filhos, que jamais fumaram um “baseadinho”.
No entanto,
diversos jovens do nosso país ainda não perceberam a
relação do tráfico de drogas com a violência.
O assassino de
Lêdo possuía arma por causa do tráfico de drogas. O
assassino vivia do tráfico. E o assassino traficava
porque ainda existe gente que financia o tráfico, seja
com o uso de cocaína ou com o uso de maconha. Isso
mesmo, cocaína e maconha, amigas de alguns e não só o
crack, amigo dos pobres.
Mesmo assim,
muitos ainda não acreditam que o uso da droga seja
responsável pela violência em nosso país. Preferem
questionar se a Polícia ou a Justiça cumpriram seu
papel. Triste percepção.
Realmente não
é só a droga que “abre as portas” para a violência. É
ela e não só ela. O assassino de Lêdo já possuía três
condenações por ato análogo a homicídio, uma por porte
de arma e uma, é lógico, por tráfico de drogas.
Todas como
adolescente. E mesmo adolescente, foi contido, há mais
de um ano, por requerimento do Ministério Público e
determinação do Poder Judiciário.
Não tenho dúvidas, portanto, de que o Ministério Público
e o Judiciário cumpriram na integralidade sua função.
Dentro do prazo legal os processos foram concluídos e o
adolescente condenado.
A partir daí,
a responsabilidade é do poder executivo, que deveria
proceder e preservar a internação do adolescente.
No entanto, no
mês de abril, mais de 30 já fugiram do São Lucas, onde
os adolescentes deveriam permanecer internados. Fugiram,
da mesma forma que o assassino de Lêdo fugiu (A
“Justiça” jamais o soltou! Ele fugiu!).
Fugiram do
local onde o governo de Santa Catarina (responsável pelo
sistema de internação) admite que um adolescente seja
contido: um local sem higiene, sem projeto pedagógico de
ressocialização, onde qualquer um foge; mesmo o mais
ingênuo e pouco perspicaz dos delinquentes.
Não tenho
dúvida de que a morte de Lêdo Ronchi foi, acima de tudo,
uma tragédia. Uma tragédia que marcou a vida de muitos
e, espero eu, tenha marcado a vida daqueles que ignoram
a responsabilidade do poder executivo ou daqueles que
ainda não perceberam a consequência do uso de drogas em
nossa sociedade.
Thiago Carriço de Oliveira é promotor de
justiça
em Florianópolis (SC)
e mestre em Ciência Jurídica
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