Artigo

 

Uma convocação bem oportuna

 

Aristóteles Drummond

 

Alencar Burti deu início a uma arrancada que pode alertar a classe política
para os reflexos dessa ação predatória contra a atividade empresarial.

 

É muito oportuna a convocação feita pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), Alencar Burti, para uma mobilização empresarial em protesto contra a trama armada para tornar mais arriscada e sofrida a vida dos empresários – especialmente dos pequenos e médios.

Vivemos um momento grave.

O governo federal, em final de mandato, vê crescer a pressão de sua banda radical, com propostas revanchistas, que dividem os brasileiros, como o pedido de poderes ditatoriais à Receita, numa ameaça ao próprio direito à propriedade, na medida em que bloqueia bens antes de qualquer recurso administrativo ou jurídico.
A mais, a economia nacional está ameaçada pelas propostas de redução da jornada de trabalho e aumento da licença maternidade - agora incluindo, em parte do período, também os pais, e não apenas as mães. Estão brincando com o mercado de trabalho, em detrimento do trabalhador, e aumentando o custo Brasil, num momento em que a competição internacional é cada vez maior.

Políticos demagogos e empresários alegres, que se filiam a partidos socialistas, fingem não ver que a crise na Grécia, Espanha e Portugal tem em comum governos socialistas e uma legislação trabalhista de quinto mundo. Temos de avançar na legislação e não entrar num retrocesso, ignorando a gravidade que pode representar para investimentos.

Tivemos um vacilo das lideranças brasileiras quando uma cortina de silêncio cercou o veto presidencial ao projeto do deputado José Carlos Aleluia, que livrava as empresas com menos de cem empregados da aberração da penhora on line, desde a primeira instância trabalhista. A lei, que visava mais do que proteger o pequeno empresário, pretendia garantir meios para que as folhas de pagamento fossem honradas.

A situação está grave quando o candidato da oposição defende e justifica uma maior presença do estado na economia. Ninguém se lembra de chamar atenção para o fato de que, assim como o atual governo tem a banda boa e a irresponsável, nos oito anos de FHC a responsável era a banda de Pedro Malan. Este, porém, foi criticado todo o tempo pelo então ministro José Serra, a ponto deste ser deslocado do Planejamento para a Saúde. Logo, seja qual for o resultado eleitoral, precisa de muita mobilização para que não nos tornemos uma Venezuela.

Precisamos proteger o empresário, seja quanto à segurança ameaçada por assaltos impunes ao comércio e aos bancos, seja da fúria fiscal, aos entraves regulatórios e abusos da fiscalização. E temos de gritar, de mostrar ao povo brasileiro que os empregos são gerados na livre empresa, os impostos arrecadados (e mal gastos) pela sociedade privada, incluindo profissionais liberais. Temos de lembrar que não existe democracia sem economia privada forte e diversificada.

O agronegócio, que vem sustentando a Nação e a pauta de exportações, não pode ficar sob a ameaça de bandos armados e impunes.

Alencar Burti deu início a uma arrancada que pode alertar a classe política para os reflexos dessa ação predatória contra a atividade empresarial.

E as entidades representativas do empresariado precisam se posicionar com coragem, e não com aplausos e confraternizações em alegres viagens oficiais, que são outro ponto a ser questionado, pelo absurdo da conivência com a ameaça iraniana. Estamos virando as costas para nossos mais tradicionais e leais aliados e nos ligando ao que existe de exótico no mundo.

O autor é jornalista e vice-presidente
da Associação Comercial do Rio de Janeiro