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Com uma visão
clara e objetiva sobre o tema, o arquiteto Francisco
Soares Lima Júnior escreve sobre como o processo de
verticalização pode ser benéfico como política de
desenvolvimento urbano.
Na realidade o
impacto visual provocado pela verticalização choca,
principalmente pela escala humana de quem está
acostumando com a paisagem provinciana da maioria das
pequenas cidades brasileiras. Mas é preciso que se diga
e se mostre os grandes benefícios que a verticalização
traz para o ecossistema urbano, quando bem planejado,
podendo ser a melhor saída para a maioria dos problemas
sociais, econômicos e ambientais de uma localidade.
No caso do
clima tropical como o nosso, com ventos constantes o ano
todo, e com variações térmicas de apenas 10º c por ano,
a verticalização é uma excelente saída para a melhoria
das condições de conforto térmico das edificações.
Em primeiro
lugar, é importante lembrar que a ensolação incidente
sobre o asfalto das avenidas é um dos maiores causadores
da elevação da temperatura, de modo que criação de áreas
sombreadas é a melhor alternativa para se manter os
espaços construídos cada vez mais agradáveis. A saída
mais lógica é a adoção de um gabarito ideal que reduza a
incidência do sol sobre as vias, de forma equilibrada,
para não prejudicar a luminosidade natural, tão
saudável.
Em Natal, as
principais avenidas têm 30,00m de largura, e a maioria
das vias secundaria tem 20,00m, facilitando a
explicação, principalmente pela orientação norte sul das
principais vias, embora haja uma variação no percurso do
sol variando no inverno e no verão.

Conforme
demonstra o desenho 01, uma avenida com 30,00m de
largura, com edificações baixas, onde as mais elevadas
tem dois pavimentos, com gabarito de altura a ensolação
acontece antes das 7:00h da manha, e a partir das 8:00h
até as 16:00 são oito horas interruptas de sol
escaldante, e mesmo que haja arborização no canteiro
central ou nas calçadas laterais, o asfalto recebe
enorme contribuição de raios solares provocando um
aumento da temperatura local.

No entanto, se
as edificações tiverem uma altura equivalente a largura
da via, conforme pode-se observar no desenho 2, o
período de exposição ao sol do asfalto é bastante
reduzido. Das 9:00h as 15:00h se tem apenas uma hora de
incidência de 100% da via ao sol, sendo a maior parte do
dia com sombra, tornando a via e as edificações
lindeiras bem mais agradáveis e confortáveis, do ponto
de vista ambiental.
As áreas de
sombras, tão necessárias para amenizar o calor do clima
tropical, devem ser incentivadas pela legislação do uso
de solo, até mesmo criando-se as marquises sobre as
calçadas que é uma solução muito antiga e adotada nos
países de clima quente, mas bastante eficaz na promoção
de um microclima agradável e confortável para os
pedestres.
Tomando-se
como exemplo os 10 pavimentos, ou 30,00m de altura como
gabarito ideal para as vias com 30,00m de largura, nas
avenidas no sentido norte-sul, evidentemente que para as
vias de 20,00m, o gabarito ideal seria de 7 pavimentos,e
assim sucessivamente, pois a infra-estrutura viária é um
limitador de capacidade de densidade que deve ser
considerado para o cálculo da viabilidade técnica na
implantação dos equipamentos urbanos.
Com relação a
ventilação, possivelmente ameaçada pela verticalização,
é importante que se diga que a atual legislação em vigor
em Natal, já limita a taxa de ocupação, a partir do
segundo pavimento em 50%, sem falar da regra dos recuos
laterais que garantem a porosidade necessária a aeração
natural, sem que haja qualquer prejuízo climático, pois
como se sabe, os ventos tem velocidade constante, com
poucas variações e na medida em que se passa entre as
edificações, há um aumento na velocidade porque a massa
de ar em movimento é levada a percorrer, no mesmo
volume, por espaço mais estreito, provocando assim uma
aeração perfeita nos cômodos das edificações. O
importante é se preservar os recuos.
Para citar um
exemplo claro do conforto provocado pela verticalização,
pense e responda rapidamente, onde é mais agradável uma
parada para descansar, as 15:00h. Em frente ao Banco do
Brasil da Av. Rio Branco, ou em frente ao Colégio
Winston Churchill? E veja que um é ao lado do outro!

Como
ilustração, se tomarmos como exemplo uma quadra padrão
de Natal, com 120,00m x 100,00m, lotes de 120,00 x
50,00m, pode-se observar que o espaço entre edificações
verticalizadas, somente possíveis com a junção de pelo
menos dois lotes, não sofre qualquer prejuízo quanto a
aeração. (veja desenho 03)
Além dos
benefícios da sombra e melhoria da aeração, a
verticalização também traz outros benefícios importantes
para os habitantes de uma localidade, pois na medida em
que há um adensamento equilibrado, de acordo com a
capacidade de suporte do ambiente natural, há uma maior
demanda por produtos e serviços de forma concentrada,
viabilizando novos negócios, oportunidade e riquezas.
Ainda deve-se ressaltar que o adensamento populacional
também permite a redução dos custos dos serviços
públicos, como transporte, abastecimento de água,
esgoto, drenagem, energia elétrica, comunicação,
atendimento hospitalar, educacional, segurança, etc.,
ganhos pela economia de escala, facilitando o acesso a
esses serviços a pessoas de baixo poder aquisitivo.
Concluindo, a
verticalização e o conseqüente adensamento populacional
das áreas urbanas, deve ser adotado como um instrumento
da política nacional de desenvolvimento urbano, tendo em
vista que se trata da melhor maneira de atender as
necessidades de moradia e trabalho dos cidadãos, de
forma racional e econômica para o padrão social do povo
brasileiro, para que se possa manter preservadas as
áreas de interesses ecológico e paisagístico, bem como
as áreas cultiváveis da zona rural que produzem os
alimentos consumidos nas cidades.
A tecnologia
que se alcançou até o presente momento, na área da
construção civil, permite que a humanidade possa
encontrar formas adequadas de ocupar os espaços urbanos,
deixando as áreas naturais livres, onde a natureza possa
se perpetuar sem riscos da ameaça do homem.
Fonte:
www.arquiteturarn.com.br |